Pesquisar no blog

Carregando...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Criminosos do Estado Islâmico vendem cabeças de cristãos em sites de leilão

Estado Islâmico vende cabeça de cristãos em sites de leilão
O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) perdeu cerca de 20% dos seus soldados após os bombardeios aéreos da Rússia. Também foram derrotados em terra e perderam o controle de parte de seu “território”.
Movimentos internacionais liderados pelos EUA afirmam ter impedido o repasse bancário de milhões de dólares aos terroristas. Por causa disso, extremista muçulmanos passam por dificuldades econômicas.
De acordo com o jornal inglês Mirror, o EI está recorrendo a uma estratégia macabra para levantar dinheiro: vender cabeças de vítimas decapitadas.
A denúncia partiu do pastor norte-americano Harry Walther. Ele conta que existem vários “colecionadores” dispostos a pagar cerca de 500 dólares por cada cabeça em sites de leilão.  O preço varia o preço de acordo com a religião.
Desde seu surgimento eles decapitaram muitas pessoas que escolheram não seguir a religião islâmica da maneira como eles a veem. Por serem considerados “infiéis”, muitos foram torturados, crucificados, fuzilados, quase sempre de modo público. Os vídeos postados nas redes sociais com as execuções sempre tiveram grande repercussão.
Walther afirma que as cabeças passam por um tratamento que as “encolhe” e desidrata. O método é antigo, e era praticado por antigas tribos. As cabeças atingem um tamanho bastante reduzido, pouco maior que uma bola de beisebol.
Algo similar foi feito pelos nazistas com os judeus no Holocausto. Eles penduravam as cabeças na cela de outros judeus, visando os aterrorizar e obriga-los a obedecer às ordens.
O pastor diz que o EI tenha milhares de cabeças para vender. Como as decapitações são frequentes, eles estariam fazendo uma espécie de “estoque”.

Profecia bíblica?

Harry Walther, que lidera uma igreja no estado de Montana, afirma que tem acompanhado esses anúncios de venda na internet.
Explica ainda que o Livro de Apocalipse no capítulo 20 prevê que centenas de milhões de homens cristãos, mulheres e crianças serão decapitados por sua fé em Jesus.
Ele conta que o preço de leilão das cabeças encolhidas de cristãos começa em 100 dólares, mas geralmente são vendidas por cerca de 500.  Já as cabeças dos muçulmanos ‘infieis’ são mais “valiosas”.
Fonte: GP

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A ignorância da mídia global em relação aos palestinos e a "ocupação judaica"

Recentemente dois jornalistas pediram para que fossem escoltados até a Faixa de Gaza para entrevistarem colonos judeus que lá residem.
Não, não é o começo de uma piada. Esses jornalistas se encontravam em Israel no final de 2015 e estavam falando sério.
Imagine o constrangimento deles ao serem informados que Israel tinha se retirado totalmente da Faixa de Gaza há dez anos.
Convenhamos que se faz necessário ter certa compaixão para com eles. Esses colegas estrangeiros eram novatos que desejavam causar sensação por estarem se dirigindo para um lugar "perigoso" como a Faixa de Gaza, para fazer uma reportagem sobre os "colonos" que lá residem. O pedido deles não causou nenhuma surpresa a ninguém, nem mesmo aos meus colegas locais.
Esses "jornalistas paraquedistas", como são às vezes chamados, são soltos na região sem terem recebido o mínimo de informações sobre os fatos básicos do conflito israelense-palestino. Lamentavelmente, correspondentes dessa estirpe são a regra e não a exceção. Um repórter britânico, particularmente sem noção, vem à mente:
Quando Israel assassinou o líder espiritual e fundador do Hamas, Ahmed Yasmin, em 2004, um jornal britânico despachou seu repórter investigativo para cobrir o caso. Para esse repórter, a região, bem como o Hamas, eram terra virgem. Seus editores enviaram-no ao Oriente Médio, segundo ele, porque ninguém estava disposto a ir.
Muito bem, nosso herói fez a reportagem sobre o assassinato de Ahmed Yassin no bar do Hotel American Colony. O subtítulo da sua reportagem assinalava que ele se encontrava na Faixa de Gaza e que tinha entrevistado parentes do líder morto do Hamas.
Não é raro se sentir como um para-raios desse tipo de histórias. Outro colega radicado em Ramala verbalizou que há alguns anos foi contatado por um correspondente novato para que intermediasse uma entrevista com Yasser Arafat. Só que naquela época Arafat já estava morto há vários anos. Recém formado na escola de jornalismo e desinformado sobre o Oriente Médio, o jornalista, ao que tudo indica, foi considerado pelos editores um ótimo candidato para cobrir o conflito israelense-palestino.
Em três décadas cobrindo a mesma ladainha, fiquei bem familiarizado com esse tipo de jornalista. Eles pegam um avião, leem um ou dois artigos no Times e acham que estão aptos a se tornarem especialistas no que tange o conflito israelense-palestino.
Alguns até me garantiram que antes de 1948 havia aqui um estado palestino cuja capital era Jerusalém Oriental. A exemplo dos mal informados jovens colegas que desejavam entrevistar os não-existentes colonos judeus na Faixa de Gaza de 2015, eles ficaram um tanto surpresos ao saberem que antes de 1967 a Cisjordânia estava sob o controle da Jordânia e que a Faixa de Gaza era governada pelo Egito.
Há alguma diferença entre um cidadão árabe de Israel e um palestino da Cisjordânia ou da Faixa de Gaza? Meus colegas estrangeiros podem muito bem não serem capazes de saber se há ou não há. A carta magna do Hamas realmente preconiza que o movimento islâmico objetiva substituir Israel por um império islâmico? Se for este o caso, meus colegas de trabalho de diversos países, não terão condições de elucidar a sua dúvida.
Há alguns anos, uma memorável jornalista pediu para visitar a "destruída" cidade de Jenin, onde "milhares de palestinos foram massacrados por Israel em 2002". Ela estava se referindo à operação das Forças de Defesa de Israel (IDF) no campo de refugiados em Jenin onde cerca de 60 palestinos, muitos deles milicianos e 23 soldados da IDF foram mortos em um combate.
Deixando a compaixão de lado, é difícil imaginar que na era da Internet ainda haja esse grau de desinformação e preguiça profissional.
Mas quando se trata de cobrir o conflito israelense-palestino, aparentemente a ignorância é a glória. Ideias equivocadas sobre o que acontece aqui assolam a mídia internacional. A dualidade da designação mocinho/bandido é o norte por aqui. Alguém tem que ser o mocinho (os palestinos foram incumbidos para esta tarefa) e alguém tem que ser o bandido (esta ficou para os israelenses). E tudo é refletido através deste prisma.
No entanto o buraco é mais embaixo. Muitos jornalistas ocidentais que cobrem o Oriente Médio não sentem a necessidade de disfarçar seu ódio contra Israel e contra os judeus. Mas em se tratando dos palestinos, esses jornalistas não veem mal nenhum. Jornalistas estrangeiros que fazem suas coberturas a partir de Jerusalém e Tel Aviv têm se recusado, por anos a fio, a expor a corrupção financeira e as violações dos direitos humanos tão comuns nos regimes da Autoridade Palestina (AP) e do Hamas. Eles provavelmente temem ser considerados "agentes sionistas" ou "propagandistas" de Israel.
Para completar há os jornalistas locais contratados pelos relatores ocidentais e veículos de mídia para auxiliarem na cobertura do conflito. Esses jornalistas podem se recusar a cooperar em qualquer história que possa ser considerada "antipalestina". O "sofrimento" palestino e o "mal" da "ocupação" israelense são os únicos tópicos admissíveis. Os jornalistas ocidentais, por sua vez, estão propensos a não irritarem seus colegas palestinos: eles não querem ver seu acesso às fontes palestinas ser negado.

Portanto, não deveria causar nenhuma surpresa a indiferença da mídia internacional em face da atual onda de esfaqueamentos e atropelamentos intencionais contra os israelenses. Qualquer um teria imensa dificuldade em encontrar um jornalista ocidental ou órgão da mídia que se refira aos homicidas palestinos como "terroristas". Na realidade, as manchetes internacionais, amiúde, demonstram muito mais comiseração com os algozes palestinos que são mortos no ato da agressão do que com os israelenses que são, antes da mais nada, primeiramente atacados.
Obviamente, o exposto acima não se aplica a todos os jornalistas. Alguns jornalistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa são bem informados e imparciais. Lamentavelmente, contudo, estes representam um grupo extremamente pequeno da grande mídia do Ocidente.
Repórteres ocidentais, especialmente aqueles que são "soltos de paraquedas" no Oriente Médio, fariam um bem a si próprios se não esquecessem que o jornalismo nessa região não gira em torno de ser pró-Israel ou pró-palestino. Melhor dizendo, ele gira em torno de ser "pró" verdade, mesmo que a verdade contradiga o que eles prefeririam acreditar.

Movimento anti-Israel cresce entre igrejas evangélicas

Movimento anti-Israel cresce entre igrejas evangélicas  Movimento anti-Israel cresce entre igrejas
O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel é uma iniciativa em prol da Palestina, promovida por diferentes pessoas e instituições em várias partes do mundo. Ela visa pressionar o governo do Estado judeu pelo fim da alegada ocupação israelense dos territórios palestinos iniciada na Guerra dos Seis Dias (1967).
Entre os defensores da BDS estão líderes religiosos, como o bispo anglicano Desmond Tutu, da África do Sul, que passou a advogar a causa em 2002. Mais recentemente, diversas denominações cristãs começaram a se envolver e anunciar publicamente que se opõem a Israel.
Isso gerou um conflito com organizações cristãs pró-Israel. Segundo Max Samarov, da organização Stand With Us, o argumento básico do BDS é a “noção de que os israelenses são opressores poderosos que merecem ser pressionados. Já os palestinos são vítimas, cujos líderes defendem métodos de resistência desagradáveis”. Um equívoco que a mídia insiste em divulgar, ignorando a ideologia terrorista e antissemita que norteia as lideranças do Fatah e do Hamas, principais organizações políticas da Palestina.
As denominações cristãs, especialmente as norte-americanas, têm se envolvido no embargo defendido o BDS. Um dos primeiros a aderir foi o Conselho Mundial de Igrejas, em 2010, que reúne dezenas de denominações liberais de todo o mundo. Em 2011, a Igreja Unida do Canadá decidiu pelo boicote.
Em junho de 2014, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) aprovou uma resolução para boicotar empresas israelenses. Um ano depois, a Igreja Unida de Cristo (UCC) aprovou uma medida similar. Na mesma época, a Igreja Nacional da Finlândia, luterana, anuncia apoio ao boicote.
No início de 2016, fundos de investimentos ligados à Igreja Metodista Unida dos EUA bloquearam cinco bancos israelenses de sua carteira de investimentos. O relatório divulgado pela denominação justifica sua decisão de eliminar “as empresas que lucram com o abuso dos direitos humanos”. A medida foi celebrada pelos palestinos, que consideram isso mais um passo para “o fim da opressão” de Israel.
As medidas de BDS já causaram grande prejuízos. Uma pesquisa da Maan News Agency, revelou que 21% dos exportadores israelenses tiveram que baixar seus preços por causa do boicote, depois de perderem significativa fatia de mercado, sobretudo na Europa.
Embora a União Europeia diga que se opõe a boicotes a Israel, estuda diretrizes para rotular produtos feitos nos assentamentos, o que muitos em Israel temem ser um precursor para uma proibição completa.
Isso geraria um prejuízo bilionário em pouco tempo, ameaçando a estabilidade econômica do país.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recentemente afirmou: “Estamos em meio a uma grande luta sendo travada contra o Estado de Israel, uma campanha internacional [BDS] para denegrir o seu nome. Isso não afeta apenas as nossas ações. Afetaria a nossa própria existência”.
Declaradamente, o objetivo final do movimento BDS é afetar a economia de Israel, para assim pressionar o governo a mudar suas políticas em relação aos palestinos.
Curiosamente, nenhuma dessas igrejas ou instituições defensoras do boicote exige qualquer tipo de contrapartida por parte da Autoridade Palestina, que não mantém uma gestão transparente e seguidamente lança mísseis e organiza ataques terroristas em Israel.
Tampouco pede explicações para a falta de liberdade religiosa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde a minoria cristã sofre constantemente por causa de sua fé.
A pressão para que o assunto ganhe mais apoiadores é grande. A Igreja Episcopal analisou várias resoluções do BDS na sua Convenção Geral, mas não as aprovou. A liderança da Igreja Menonita adiou a consideração de medidas semelhantes para a Assembleia-geral do ano que vem.
De outro lado, grupos cristãos pró-Israel têm demonstrado sua indignação que Igrejas cristãs se oponham abertamente contra Israel. Uma das mais incisivas é a Cristãos Unidos por Israel (CUFI). Seu presidente, o pastor John Hagee, afirmou: “Apoiar Israel não é uma questão política, é uma questão bíblica”.
Diversos outros grupos evangélicos estão reforçando seu apoio a Israel. Em setembro de 2015, milhares de cristãos de mais de 80 países reuniram-se a Jerusalém para mostrar seu apoio ao Estado judeu.
Os organizadores do evento anual, explicam que sua afinidade com Israel deriva das raízes judaicas do cristianismo e das promessas messiânicas que todas as nações da terra se reunirão em Jerusalém.
De acordo com a Fundação Aliados de Israel, existem atualmente bancadas pró-Israel nos parlamentos de 32 países. Uma grande iniciativa pró-Israel ocorreu durante o encontro do Comitê pela Exatidão nos Relatos Sobre o Oriente Médio na América, dia 18 de janeiro. O tema da conferência foi “Os cristãos evangélicos, judeus e Israel: Ameaças a uma amizade histórica.”
Foi levantada a questão do crescimento da campanha para dividir os evangélicos e ameaçar o Estado judeu. O argumento principal dos defensores de Israel é que existem diversas passagens bíblicas que falam sobre as consequências de se amaldiçoar Israel. 
Fonte: Gospel Mais

Demônios estão causando incêndios em cidade egípcia?

“Demônios” causam incêndios e aterrorizam cidade"Demônios" causam incêndios e aterrorizam cidade
A cidade de Mena Safour está em estado de alerta. Nos últimos dias, mais de 20 incêndios em residências causaram grande destruição.
A série de eventos não tem causa aparente, mas deixou os moradores assustados. Muitos têm medo de ficar dentro de casa, temendo um novo ataque. Para eles os responsáveis são os “djinns”, criaturas sobrenaturais, que são chamados de “espíritos do mal”.
A polícia está investigando o caso, mas sem sucesso. Os bombeiros ficam de prontidão, para responder o mais rápido possível. O pânico tomou conta do local, pois há relatos que extintores não são capazes de apagar as chamas.
El-Saed Shabana, que teve a casa incendiada recentemente, relatou a experiência à BBC. Ele conta que as chamas começaram sem motivo aparente e se espalharam rapidamente. Em cerca de 10 minutos todo o seu apartamento estava queimado. Mesmo usando água e um extintor, as chamas não cediam. Para ele, trata-se de algo espiritual.
Shabana explica ainda que os moradores de Mena Safour têm clamado a Alá por proteção, mas que a cidade está sendo atacada por espíritos. “O pânico tomou conta… As crianças estão com medo, não estão indo à escola… Ninguém sabe quem será o próximo a ser atingido”, lamenta.
Embora algumas autoridades religiosas afirmam que há muita superstição envolvida, não houve comprovação do que teria iniciado os incêndios. Com maioria muçulmana, as mesquitas da cidade transmitem das torres orações e recitações do Alcorão.
Segundo a tradição islâmica, os ‘djinns’ foram criados antes de Adão. Depois que Alá criou o homem, esses “djinns’ se recusaram a obedecer e foram expulsos do paraíso para a Terra e tornaram-se seres perversos.
A tradução do termo para o português é “gênio”, mas literalmente djinn é “aquele que não se pode ver”. Entre seus poderes estariam a capacidade de se apoderar de pessoas e causar até a morte, semelhantemente aos demônios.
Alguns deles poderiam controlar os elementos da natureza (ar, água, terra e fogo). O espírito Iblis, que seria seu líder, muitas vezes é comparado ao Satanás descrito na Bíblia. 
Fonte: Gospel Mais

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Atos contra muçulmanos triplicam na França

A Delegação Interministerial de Luta contra o Racismo e o Anti-Semitismo (Dilcra) da França divulgou dados de que em 2015 houve um aumento significativo de atos contra muçulmanos no país.
Foram registrados 400 atos contra os muçulmanos por conta de sua religião, número três vezes maior do que os 133 registrados em 2014. O motivo desse crescimento seria os atentados terroristas de janeiro do ano passado, segundo o responsável pela Dilcra, Gilles Clavreul.
Os atos registrados são diversos, desde ataques a mesquitas, ataques a pinturas, incêndios e até mesmo provocações onde cabeças de porcos foram deixadas próximos aos centros de rezas muçulmanos para contrariar os religiosos.
A polícia francesa tem agido para coibir esses atos, tanto que duas pessoas foram condenadas a seis meses de prisão por incendiarem uma mesquita em Mâcon em abril do ano passado.
Recentemente uma sala de reza muçulmana foi atacada em apoio aos bombeiros e policiais que foram agredidos durante a intervenção em um bairro conflituoso, onde grande parte da população é muçulmana, vinda de uma cidade ao norte da África.
Segundo o Observatório contra a Islamofobia, apenas 15% das vítimas denunciam os atos, pois não acreditam que a denúncia será eficaz para coibir novos ataques. 
Fonte: GP

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A Justiça de Deus: uma Proibição à auto-justiça. Uma exposição em Romanos, 9



OBS.: Não são necessariamente todas as considerações, do texto abaixo, escrito originalmente em inglês por Robert Picirilli, acadêmico de teologia estadunidense com quase 50 anos de ensino teológico universitário, são corroborados pelos idealizadores do blog "Fatos em Foco". Contudo, entendemos que a visão que advoga a existência do livre-arbítrio moral do Homem é a pregada nas Escrituras, em sua inteireza. 

 

DEUS IGNORA A CARNE(Romanos 9:1-13)

INTRODUÇÃO 
Entramos agora na quarta grande seção do livro de Romanos. Primeiro vimos a necessidade universal de justiça (1:18-3:20). Em segundo lugar, vimos a provisão divina para a justiça: a justificação pela fé (3:21-4:25). Terceiro, vimos o significado da experiência de justiça (5:1-8:39). Agora Paulo volta-se para um tema, especialmente, constrangedor: a rejeição Judaica da justiça de Deus (capítulo 9-11).
Esse assunto particular é tratado em Romanos de forma muito natural. Os Judeus tinham suas próprias ideias sobre a maneira pela qual o homem pode tornar-se justo diante Deus. A observância da Lei Mosaica era a essência do seu “método”. Porém, Paulo, a fim de provar seu evangelho, ao ensinar que a justificação é pela fé, teve de mostrar que a compreensão Judaica estava errada. Assim, nos capítulos anteriores, ele deixou claro que, a justificação nunca fora pela lei (3:20) e que os Judeus precisavam da salvação pela fé em Cristo, tanto quanto os Gentios (3:9).
O único método, então, de se tornar justo diante de Deus, para qualquer pessoa – Judeu ou Gentio – é pela fé em Jesus Cristo. No entanto, os Judeus como um todo rejeitaram a Jesus Cristo como Messias, Salvador e Senhor. O que acontece, então, a Israel? Que diremos sobre todas as promessas que Deus fizera aos Judeus? Tais questões naturais como estas, estão por trás destes três capítulos. Em essência, Paulo mostra que os Judeus não conseguiram alcançar a justiça de Deus porque eles tentaram substituí-la por suas próprias obras de auto-justiça. Esta é a razão pela qual intitulamos a Parte 4, como: “A Justiça de Deus: Uma Proibição à Auto-justiça”.
EXPOSIÇÃO
O versículo chave desses três capítulos inteiros (9-11) poderia muito bem ser Romanos 9:14: “Há injustiça da parte de Deus?” A finalidade básica desses capítulos, ao que parece, é responder a essa pergunta e mostrar que Deus é justo até mesmo em Sua relação com os Judeus rejeitados. Estes capítulos, por assim dizer, defendem a Deus em Suas ações em relação a Israel. E isso é especialmente verdadeiro para o capítulo nove. Você verá, verificando o esboço-geral do estudo, na parte de trás deste livro, que haverá três lições sobre o capítulo nove. O capítulo inteiro é a subseção A, da Parte 4, e lida com “A Rejeição de Israel e a Retidão Divina” (o comportamento adequado, justo). Esta primeira lição, a partir do capítulo nove, abrange os versos de 1-13 e, é intitulada: “Deus Ignora a Carne.”
1 UMA PREOCUPAÇÃO QUE INCLUI O ISRAEL CARNAL
(Romanos 9:1-5)
Paulo introduz esta parte de Romanos com uma referência pessoal. Ele tem um pesar pelos seus “parentes segundo a carne”, apesar do fato de que eles rejeitaram a Deus e Deus os rejeitou (os dois lados não podem estar separados). Ele gostaria de vê-los salvos e quer que esse fato seja claramente entendido, não obstante, ele tenha que dizer algumas coisas francas a respeito da incredulidade e da responsabilidade de Israel pela sua posição de rejeição.
Um Profundo Pesar (versos 1-3). Os Judeus são compatriotas de Paulo, o seu próprio povo. O pesar que ele sente pela rejeição de Israel ao Messias e pelo seu destino é natural. A expressão que ele usa aqui para esse pesar é uma parte que nos move e nos desafia quanto à nossa falta de preocupação com os perdidos.
1- A veracidade de sua expressão é afirmada no versículo 1. Três vezes, Paulo diz isto, para enfatizar: (1) eu digo a verdade, (2) não minto, (3) a minha consciência testemunha comigo. Para a primeira delas, ele acrescenta: “em Cristo”, o que “significa que ele fala em comunhão com Cristo, de modo que, a falsidade é impossível” (Denney). “Minha consciência testemunha comigo, no Espírito Santo” (tradução literal), significa que Paulo está certo de que, o Espírito Santo suscitou a sua consciência, a reconhecer que o que segue é, de fato, uma verdadeira expressão dos seus sentimentos.
2- A natureza da sua preocupação é clarificada no versículo 2. “Grande pesar” significa grande tristeza. “Contínuo lamento” refere-se à dor ininterrupta. As dores de tristeza que Paulo sente, por Israel, pesam, fortemente, sobre ele. Ele nunca está livre desse pesar. Weiss chama a atenção para a intensidade tripla, aqui indicada: partindo do “pesar” para o “lamento”, “do grande” para o “contínuo”, do “eu” para o “meu coração”. Não podemos perder o entusiasmo assim demostrado.
3- A extensão de seu sentimento é expressa, de forma surpreendente, no versículo 3. A expressão não chega a significar “Eu desejo ser amaldiçoado de Cristo, por amor de Israel,” o que poderia ter sido, facilmente, dito. Paulo quer dizer que ele desejaria esta maldição, sobre si mesmo, se fazê-lo, fosse correto e útil. Porém, não vamos amolecer demais as palavras. Os sentimentos de Paulo são profundos e auto-sacrificiais: Ele poderia ir para o Inferno, por causa dos seus irmãos raciais, se isso fosse possível!
Uma comparação adequada, muitas vezes, tem sido feita às palavras, emocionalmente, carregadas, de Moisés: “Se queres perdoa os pecados desse povo – se não, risca-me, peço-te, do teu livro” (Êxodo 32:32). Alguns têm dito que, deve ser deixado, aos homens da envergadura de Moisés e Paulo, o oferecimento de tais orações “irresponsáveis”. Talvez. Porém, todos nós devemos ser movidos por tais exemplos, a um compromisso mais profundo com o perdido, sacrificando os interesses egoístas, assim como, efetivamente, pode ser feito, para resgatá-lo.
Privilégios Desperdiçados (versículos 4,5). Os sentimentos de compaixão de Paulo, para com o povo judeu, são intensificados, ao recordar a sua antiga proeminência e bênçãos, na mão de Deus. Aqueles que chegaram tão alto no serviço de Deus, agora rejeitam o Filho de Deus e a justiça, oferecida por esse Filho. Assim, a tragédia da sua atual condição de perdição é composta por uma consciência de seus antigos privilégios e posição como nação. As várias palavras e frases, nestes dois versos são, entretanto, uma lista dos vários elementos da antiga bem-aventurança de Israel.
1- Israelitas. O nome lembra sua descendência de Jacó, especialmente, renomeado Israel, “príncipe com Deus” (Gênesis 32: 28). Este nome, então, fala, especialmente, de seu relacionamento com Deus, das suas prerrogativas espirituais.
2- A adoção. O termo “pertence” (fornecido) não é exigido: a expressão “de quem é a adoção” seria adequada. Isso se refere, à antiga posição especial de Israel, como “filho” de Deus (Êxodo 4:22). Lembre-se que, a palavra grega para “adoção”, literalmente, significa “filho-colocação” ou a posição de filiação.
3- A glória, Isso, provavelmente, volta o olhar para a “glória” visível, anteriormente, exibida no “santo dos Santos,” no Tabernáculo-templo, a glória “Shekinah” (confira Hebreus 9:5 e Êxodo 40:34).
4- Os pactos. Estes são os maravilhosos pactos e promessas, que Deus fez, com as figuras-chave, na herança israelita: homens como Abraão (Gênesis 12:1-3), Jacó (Gênesis 28:1-4), e Davi (2ª Samuel 7:8-16).
5- A outorga da lei. Esta foi o maior “aliança” de todas, feita com toda a nação, no Sinai. Note Êxodo 19:3-8 em particular, palavras que, imediatamente, antecederam a própria lei em Êxodo 20.
6- O serviço. Este volta o olhar para o ministério sacerdotal e o sistema de adoração tabernáculo-templo, incluindo todos os rituais, cerimoniais e os sacrifícios envolvidos.
7- As promessas. O Antigo Testamento estava repleto de promessas ao povo escolhido e cada etapa era o cumprimento das promessas anteriores. Todas estão incluídas aqui, como aquela, em que prometeu fazer de lombos de Abraão, uma grande nação física – uma promessa já cumprida. Quaisquer promessas, ainda não cumpridas, também estão incluídas. Porém, especialmente, na mente de Paulo estão aqui, provavelmente, as promessas messiânicas.
8- Os pais. Estes são os patriarcas-herói, especialmente, Abraão, Moisés e Davi. Os Judeus tinham orgulho destes “pais” (note João 8:39) e, na verdade, eles foram abençoados por terem a liderança, de grandes homens de Deus.
9- O CristoChristos é, meramente, a tradução grega da palavra hebraica, que significa “o ungido,” o Messias. O Messias estava programado para vir, em carne, da descendência judaica. Dentre todos, esse foi o maior privilégio, a bênção suprema concedida à nação de Israel. Note-se, a propósito, que três coisas são ditas de Cristo: Ele é (1) “sobre todos,” (2) “Deus”, e (3) “bendito eternamente.” Essas expressões testemunham a Sua divindade, Seu Senhorio e Seu direito de eternal louvor.
A recitação destas grandes bênçãos do povo judeu, nos leva a perguntar: como pode um povo tão abençoado, agora, ser rejeitado do favor divino? Por incrível que pareça, é verdade. E Paulo vai explicar, exatamente, como tal rejeição está de acordo com a justiça de Deus. Isso é o que o resto desta lição ? e, na verdade, todos os capítulos de 9 -11 ? está abordando.
2 UMA ESCOLHA QUE IGNORA O ISRAEL CARNAL
(Romanos 9:6-13)
Nestes capítulos, Paulo vai apresentar vários fatores, que provam que Deus é justo, ao rejeitar Israel. Os versos diante de nós, agora, para estudo, no restante desta lição, apresenta um desses fatores. Em essência, o ponto de Paulo é este: a escolha de homens por Deus, para levar o Seu nome, nunca foi e nunca irá, basear-se em considerações, de natureza carnal. Esse é um princípio importante. Esse princípio apenas parece ter sido violado, através da escolha dos Judeus por Deus, por descendência física. Na verdade, como Paulo está prestes a mostrar, o princípio não foi violado. Descendentes Físicos não eram a base desta seleção nem mesmo nos tempos do Antigo Testamento.
A Rejeição do Israel Físico (versículos 6-8a). Estes versículos nos dizem claramente que até mesmo a seleção de Israel para o favor de Deus não se baseou na carne, na descendência física. A prova de Paulo, deste ponto, é bastante interessante.
1- A Palavra de Deus é eficaz para além das considerações de descendência carnal. Isto é indicado em 6a. O que Paulo quer dizer é que, provavelmente, suas indicações sobre a “perdição” de Israel (versos 1-3) não devem ser tomadas como implicando que nenhum dos Israelitas carnais será salvo. Na verdade, alguns são, mas não meramente porque eles são Israelitas segundo a carne.
2- O verdadeiro Israel não é o Israel carnal. Isto é o que 6b quer dizer. O primeiro “Israel” usa a palavra em seu sentido mais verdadeiro, com todas as implicações bíblicas apropriadas ao povo de Deus. O segundo, “Israel” usa a palavra em seu sentido racial básico, fisicamente, descendentes de Jacó (Israel). Em outras palavras, nem todos os descendentes a partir do Israel original, são, verdadeiramente, israelitas, no sentido mais amplo.
3- Nem todos os descendentes de Abraão foram escolhidos. Este ponto, construído no versículo 7, é um exemplo específico e ilustração da verdade recém declarada em 6b. O ponto aqui é que Abraão teve dois filhos, descendentes físicos, Ismael e Isaac (e vários outros, como em Gênesis 25:2). Porém, nem todos os descendentes físicos de Abraão foram escolhidos, somente Isaac. A citação aqui é de Gênesis 21:12.
O ponto é claro, a partir da ilustração. Outra ilustração será dada abaixo (a respeito de Jacó e Esaú). Escolha do povo de Deus para as Suas bênçãos e herdar o Seu nome não está baseada em descendência carnal.
4- Os filhos de Deus não são escolhidos por descendência carnal. Este resumo da verdade está contido no versículo 8a. A sua formulação por Paulo é, de tal forma, a demonstrar que este é um princípio universal e atemporal. Nunca foi a intenção de Deus escolher Seus filhos através de relacionamentos físicos. Talvez seja isso que João quer dizer, em João 1:12,13, quando se refere aos filhos de Deus como aqueles nascidos “não do sangue [linhagem].”
Temos de encarar a lição ensinada aqui, conforme vemos a situação do Antigo Testamento. Ser descendente de Abraão ou Isaac ou Jacó, não confere às pessoas o direito a um lugar como filhos de Deus. Racialmente, eles (os de Jacó, pelo menos) eram do “povo escolhido”. Porém, espiritualmente, eles não eram, necessariamente, daqueles escolhidos para a verdadeira família de Deus. Somente aqueles, do Israel nacional, que colocaram a fé salvadora em Deus eram, também, da Sua família espiritual. Não podemos fazer mais do que adivinhar qual a percentagem do Israel físico que pertencia também ao Israel espiritual. Não há nenhuma razão para pensar que eram a maioria!
Por que Paulo nos disse isso? Para deixar claro que a atual rejeição dos Judeus por Deus não é nem surpreendente, nem uma violação de qualquer dos princípios de Deus. Sobre essas bases, Deus não deve nada ao Israel carnal. Ele nunca tratou com os homens nessas bases, de jeito nenhum.
O Requisito da Promessa (versos 8b-13). Se as seleções de Deus, não estão baseadas em considerações físicas, em que, então, elas estão baseadas? A resposta é encontrada em Sua graciosa promessa.
1- O princípio da promessa é declarado em 8b, como um oposto direto, ao princípio da descendência física. “Promessa” aqui representa uma obra da graça de Deus, feito para o homem, não porque o homem mereça ou obtém (ou herda fisicamente) algo de Deus, mas porque Deus, simplesmente, disse (confira, “palavra” no versículo 6) que Ele o faria .
Lembre que em 4:13-16, Paulo contrastou “promessa” com obras e a observância da lei. O que se obtém por obras é devido ao que obtém (4:4). Se há herança através da observância da lei, a fé e a promessa não têm fundamento (4:14). Porém, se as bênçãos de Deus são de graça (favor imerecido e não conquistado), então, a promessa é o fundamento das bênçãos (4:16). Essas mesmas idéias estão envolvidas aqui. Ninguém se torna filho de Deus por descendência racial ou pelas obras. São filhos de Deus, apenas aqueles que Ele, graciosamente, escolhe, em cumprimento das Suas promessas graciosas, chamar a compor um povo para Seu nome.
2- A ilustração da promessa através de Isaac é relembrada no versículo 9. Paulo já lidou com esta ilustração especial, no capítulo quatro. Ele fez isso, durante um tempo, em Gálatas 4:22-31, onde também o conceito de “promessa” é proeminente (Gálatas 4:23,28). O ponto é que Deus, deliberadamente, esperou até depois, que Abraão e Sara, estivessem passado da idade de fertilidade. Assim, Ele cumpriu Sua promessa ? do milagre ? para que ficasse claro, que Ele tinha trabalhado e não eles. Somente assim poderia ficar claro que a obra foi realizada por Deus e pela promessa graciosa. Eles não mereciam ou conquistaram o favor: Deus, graciosamente, manteve a sua palavra e escolheu dar a eles um filho de Sua própria escolha; os outros filhos foram rejeitados. Assim, o físico, o carnal e a vontade humana, não tinham nada a ver, com esta obra da graça de Deus.
3- A ilustração da promessa através de Jacó é relembrada nos versículos de 10-13. “Não somente isso,” significa que aqui está, mais uma ilustração clara, do princípio da promessa, em oposição à descendência carnal. Em resumo, aqui estão os fatos. Quando Rebeca concebeu de Isaac, havia gêmeos em seu ventre (versículo 10). Antes deles nascerem (verso 11), Deus indicou Sua escolha por Jacó a Esaú (versículos 12,13). Assim, mais uma vez fica claro o fato de que Deus lida com os homens não na base da descendência carnal, senão, tanto Jacó quanto Esaú teriam recebido bênçãos iguais. Dessa forma, efetivamente, outro descendente físico (como Ismael, versículo 7) foi rejeitado. Mais uma vez, então, é reforçada a lição de toda a passagem: que a descendência natural não coloca sobre Deus nenhuma exigência especial que requeira Seu favor, nem mesmo onde os Judeus demonstram preocupação.
Algumas das implicações teológicas dos versículos 10-13 merecem maior atenção. Conforme já mencionado, a principal lição está clara: apenas os filhos da promessa são a semente escolhida, e não necessariamente os descendentes carnais de Abraão. No entanto, os detalhes intricados da ilustração são muito interessantes para serem ignorados.
O ponto é que Deus fez uma escolha na situação dos gêmeos Jacó e Esaú. Observe o tempo dessa escolha: antes deles terem nascido (10,11a). Observe a base dessa escolha: o próprio propósito de Deus, não as ações deles (11b). Observe os resultados dessa escolha: A ordem natural foi invertida e o mais jovem (Jacó) foi escolhido, em detrimento do mais velho (Esaú). Dois problemas, em particular, surgem a partir desses fatos básicos, como se segue.
Em primeiro lugar, há o problema das palavras “amou” e “odiou”. Não ouviríamos objeções à primeira, mas à segunda surgem questionamentos. Será que Deus odeia Esaú? E o odeia até mesmo antes do seu nascimento? Quando Esaú ainda era um feto inocente? A resposta é sim, conforme o registro diz, especificamente, no versículo 13, citando Malaquias 1:2,3. A correta compreensão destas palavras nos ajudará: Elas significam, no fundo, escolha e rejeição. As palavras Gregas usadas aqui não expressam emoção tanto quanto ação. Não estamos sendo informados de que Deus sentiu o amor e o ódio, no sentido humano, tanto quanto, que Ele escolheu um e rejeitou o outro. Ele comprometeu-se com Jacó (amor) e reteve esse comprometimento de Esaú (ódio). Provavelmente, poderíamos obter uma imagem mais precisa do verso, lendo: “Escolhi a Jacó, mas rejeitei a Esaú.” Isso é o que está sempre envolvido, quando se escolhe entre duas opções.
O segundo problema resulta do primeiro e é mais importante: é o problema da predestinação. Aqueles que acreditam na arbitrária e incondicional predestinação de Deus para todas as coisas gostam de usar esses versículos. E isso é compreensível, uma vez que os versos parecem sugerir, à primeira vista, que a escolha de Deus entre Jacó e Esaú foi inteiramente arbitrária e caprichosa.
Porém, não vamos parar com essa “primeira vista”. Um exame mais aprofundado irá mostrar que a pré-seleção de Deus por Jacó a Esaú não pode ser usada para fundamentar a doutrina calvinista sobre a predestinação do indivíduo ao Céu ou ao Inferno. Em primeiro lugar, a seleção de Jacó aqui referida não era tanto uma seleção para a salvação pessoal. Em vez disso, esta seleção foi uma eleição “nacional”. Jacó estava sendo escolhido como o herdeiro de Isaac (e Abraão), através de quem a linhagem nacional prometida seria mantida. Não o destino eterno de Jacó, mas o terrestre, estava primariamente envolvido. Devemos ser cautelosos sobre como estender a ilustração da seleção de Jacó, como o herdeiro de Isaac, de modo a aplicá-la à salvação pessoal. Afinal, o que Paulo está ilustrando, é que a descendência física, não era a base da escolha, até mesmo, para “o povo escolhido”.
Em segundo lugar, devemos considerar que, até mesmo estes versos, tão surpreendentes como eles são, não nos dizem que não havia nada em Jacó e Esaú que condicionou a escolha de Deus. Paulo simplesmente afirma que a escolha de Deus não estava baseada nas obras deles (o verbo “fazer” no versículo 11). Este escritor está convicto de que Deus escolheu Jacó e rejeitou Esaú, mesmo antes do seu nascimento, porque Ele previu a diferença em suas atitudes em relação às coisas espirituais ? sua  em Deus, nada menos.
Se tivermos de falar da salvação pessoal, lembremo-nos de que a declaração unânime da Bíblia é que a salvação não é pelas obras. No entanto, na sequência, a Bíblia não diz que a salvação não é através denada. O que a Bíblia diz é que a salvação é pela ! Ao olharmos para trás, sobre o relato de Gênesis, nos lembramos facilmente do interesse de Jacó pela primogenitura e pelas coisas espirituais; ao mesmo tempo, percebemos o desrespeito irreverente de Esaú a essas considerações. Foi essa diferença, umresultado da seleção de Jacó por Deus (como diriam alguns), ou foi, na verdade, uma manifestação de fé de Jacó, que foi a causa da sua pré-seleção por Deus? A última alternativa está mais de acordo com a imagem bíblica e não há, realmente, nada nesses versos para contradizer esse ponto de vista. Esta abordagem respeita tanto o direito soberano de Deus, em escolher a quem Ele quer, quanto à liberdade moral do homem, em crer ou rejeitar a Deus.
O que temos, nos versos de 10-13, é uma imagem clara, dos princípios que Paulo está enfatizando. Um dos filhos de Isaac foi rejeitado, o outro escolhido (exatamente como aconteceu ao próprio Isaac e seu irmão Ismael). Essa decisão não estava baseada na descendência física ou nas obras carnais. Essa escolha foi através da graciosa promessa e propósito de Deus. Todas as seleções de pessoas por Deus, para as Suas bênçãos, assim estão baseadas. Isso não elimina a exigência da fé; esta condição está em perfeito acordo com o princípio da promessa, conforme visto em Romanos 4:13-16. A fé não é uma obra meritória e não constitui uma obrigação. A fé é a aceitação do homem, da oferta soberana e livre do favor de Deus. Isto é o que o versículo 11 quer dizer quando se refere “ao propósito de Deus, segundo a eleição.” Eleição é seleção, escolha. O propósito de Deus é uma escolha livre de homens. O versículo continua dizendo que o resultado disso é que aquele que chama (Deus) irá, consequentemente, obter a glória e o crédito e não o homem que trabalha (confira, 4:4, novamente).
E, assim, efetivamente, Paulo nos forneceu sua primeira linha de argumentação, explicando e defendendo a Deus por rejeitar o Israel incrédulo. Deus nunca teve a intenção de escolher homens para Si através da descendência racial, física ou carnal. Ele sempre escolhe pela graciosa promessa. Consequentemente, a presente rejeição de Israel não viola nenhum princípio das relações de Deus, porém, segue o mesmo padrão claramente estabelecido na rejeição de Ismael e Esaú.

A INERENTE LIBERDADE DE DEUS(Romanos 9:14-24)

INTRODUÇÃO
Com a lição anterior, começamos uma nova seção de Romanos, Parte 4, onde Paulo trata de questões específicas, relacionadas à situação dos Judeus. Todo o ensino, em Romanos, insistiu, fortemente, na idéia de que a justificação ? tornar-se justo diante de Deus ? é pela fé na obra de Cristo e não por obra do homem. A justiça não depende do cumprimento da lei.
A questão, então, é esta: Como ficam os Judeus? E quanto ao “povo escolhido” de Deus? O segundo e o terceiro capítulos de Romanos, especialmente, deixaram claro que eles estão perdidos, assim como todo o resto das raças. O favor que eles uma vez conheceram, não é mais deles. Como maneira de falar, Deus os abandonou.
Esse é o fato que Paulo trata nesta parte de Romanos. Seu principal objetivo é deixar claro que os Judeus, como um todo, estão rejeitados e explicar exatamente a razão. Quase podemos imaginar alguém perguntando a Paulo: “Deus agiu certo ao rejeitar Israel (Compare 9:14, o primeiro verso desta lição).
Em essência, então, esta seção defende a justiça de Deus, explicando por que Ele rejeitou Israel e por que Ele agiu certo em fazê-lo. Na lição anterior, vimos um dos argumentos de Paulo em defesa de Deus: a saber, que Deus nunca tratou com os homens na base de descendência natural, de jeito nenhum. Na presente lição, vemos o segundo argumento de Paulo, com base na doutrina da soberania de Deus.
EXPOSIÇÃO
Verifique o esboço-geral do estudo na parte final deste livro, para manter o padrão dessas lições claramente em sua mente. Há três lições sobre o capítulo 9 de Romanos, todas defendendo o direito inerente de Deus (Seu comportamento adequado) em rejeitar Israel. Esta é a segunda das três lições, intitulada: “A Inerente Liberdade de Deus,” que cobre o trecho de 9:14-24.
1 O PODER SOBERANO DE DEUS: AFIRMAÇÃO
(Romanos 9:14-18)
O objetivo destes versos é tornar claro como cristal, o fato de que Deus é soberano absoluto. Esta palavra soberano (ia) será usada, com frequência, nesta lição, de modo que é melhor defini-la agora. O fato de Deus ser Soberano significa que Ele é absolutamente livre para fazer o que quiser. Essa liberdade é inerente ao seu próprio caráter. (“Inerente” significa inato, uma parte de sua própria natureza). A soberania de Deus envolve a ideia de que suas ações vêm, inteiramente, de Seu próprio prazer. Suas decisões são feitas inteiramente com base em sua própria vontade. Sua liberdade para agir como quer não está limitada ou condicionada por quaisquer considerações fora de si mesmo. Ele não está sob obrigação a qualquer pessoa ou princípio, a não ser ao seu próprio caráter. Incluída na Sua soberania está a verdade de que Ele é onipotente; assim também, Ele não está limitado por considerações de poder. Ele pode fazer qualquer coisa que Ele queira fazer. Nenhum outro ser no universo ? nem homem, anjo ou diabo ? é, verdadeiramente, soberano. Ser soberano neste sentido, mais verdadeiro, é ser Deus.
Introdução (versículo 14). Este verso introduz a seção levantando a questão básica que está por trás de toda essa parte de Romanos. Paulo antecipou que alguns podem acusar Deus de lidar de forma desleal com os homens, porque o Israel nacional agora foi rejeitado de Seu favor. Ou eles podem pensar que Deus é injusto em ter escolhido Jacó a Esaú ? a ilustração nos versículos 10-13, com a qual a lição anterior terminou.
Dessa forma, a questão é: “Há injustiça da parte de Deus?” A palavra “injustiça”, conforme usada aqui, significa não agir corretamente em Seu trato com os homens. Será que Deus agiu injustamente, de forma desleal, ao fazer escolhas como aquelas referidas nos versículos 6-13? Será que Ele estava agindo errado quando Ele escolheu Isaque e rejeitou Ismael? Será Ele agiu errado, quando rejeitou Esaú e selecionou Jacó? Será que Deus agiu injustamente ao abandonar Israel, a “nação escolhida”?
resposta é prontamente dada, até mesmo sem esperar por mais uma prova. “De maneira nenhuma” é uma negativa enfática, que significa algo como o nosso “absolutamente não!” ou (como a geração mais jovem, colocaria) “De modo nenhum!” O ponto é claro: Sabemos que Deus não agiu de forma errada, mesmo se nós nem sempre pudermos entender por que Ele age da maneira que Ele decide agir. A discussão acima, a respeito da soberania, afirma que Deus não tem obrigação nenhuma exceto com o seu próprio caráter. Entretanto, Ele tem obrigado com o Seu próprio caráter. E o Seu próprio caráter é justo. Dessa forma, sabemos, até mesmo antes de começarmos, que Deus não agiu injustamente em qualquer coisa que Ele já fez. Assim, se pudermos descobrir exatamente por que Ele escolheu Isaac a Ismael e Jacó a Esaú, estaremos seguros de que Ele agiu certo em fazê-lo. Já estamos certos de que Deus agiu com retidão e justiça, ao rejeitar Israel.
Antes de prosseguir, vamos antecipar, brevemente, o que Paulo está prestes a nos dizer. Ele ainda não está pronto a indicar as razões pela quais Deus agiu em determinadas maneiras. No entanto, ele vai insistir no direito de Deus em agir da forma que desejar. Esse direito é a soberania da qual falamos. Nem sempre podemos descobrir as razões de Deus. Às vezes, nós podemos; às vezes nós não podemos. Não importa; Deus tem o direito de agir como Lhe agrada. Esse direito soberano não pode ser discutido. Porém, uma coisa já se tornou clara aqui, no versículo 14: Deus simplesmente tem o direito de agir corretamente! À medida que começamos a explorar o poder soberano de Deus, Sua liberdade inerente de fazer o que Ele quer, vamos manter esta qualificação em mente. Apenas lembre-se de que, até mesmo essa qualificação vem de dentro de Seu próprio caráter, não de alguém ou qualquer coisa fora Dele.
Ilustrações (versículo 15, 17). Paulo, agora, está pronto para ilustrar o direito soberano de Deus para agir como Ele quer. Ele usa duas ilustrações, ambas, escolhidas a partir de circunstâncias do Antigo Testamento e durante a vida de Moisés.
1- As palavras de Deus a Moisés, dadas no versículo 15, são citadas de Êxodo 33:19. As circunstâncias eram estas: Enquanto Moisés estava na montanha, Israel pecou e veio o julgamento. Agora, Moisés estava implorando a Deus, para restaurar às pessoas, o seu favor e andar com elas, novamente, em direção à terra da promessa. A oração de Moisés está registrada em Êxodo 33:12-16. Deus fala, respondendo, nos versículos 17-19. E, é nesta resposta, que Deus afirma o princípio, do seu direito e poder soberanos, de agir, de acordo com seu próprio prazer e vontade. Nenhum homem tem o direito de exigir de Deus, a Sua misericórdia. Deus não deve misericórdia a ninguém. Toda a seção, em Êxodo, é uma declaração clara, do fato de que, qualquer misericórdia demonstrada por Deus, ao homem, é pelagraça, um favor imerecido (veja Êxodo 33:13,16,19, em particular).
Assim, estas palavras especiais a Moisés são significativas por duas razões. Primeiro, elas enunciam claramente o princípio: Deus age conforme quer, totalmente livre. Ele mostra misericórdia e compaixão a quem quer que Ele escolha. Seu direito soberano ao fazer isso, não pode ser negado. Em segundo lugar, estas palavras são significativas ao contexto de Paulo, em Romanos, à medida que ele lida com a questão da rejeição de Israel, pois até mesmo no contexto de Êxodo as palavras deixam claro que Deus não estava mostrando misericórdia a toda a raça de Israel. Até mesmo no deserto, quando poderíamos pensar que toda a nação tinha automaticamente direito ao Seu favor, Ele disse: “Eu mostrarei misericórdia a quem eu quiser mostrar misericórdia.” Em outras palavras, Ele queria que ficasse claramente estabelecido que nem Moisés ou Israel tinham quaisquer reivindicações especiais, junto a Ele, que tomasse o Seu direito soberano de agir conforme Ele escolheu. Nem Ele mostraria misericórdia a todos eles apenas porque eles eram israelitas na carne. Essa nunca foi a base do Seu trato com os homens, conforme vimos claramente na lição anterior.
2- As palavras de Deus ao Faraó, dadas no versículo 17, são citadas de Êxodo 9:16. Também, vamos recordar aquelas circunstâncias: o Faraó tinha resistido aos esforços de Moisés para obter a liberdade dos israelitas do Egito. Uma praga seguiu-se após outra. A cada praga, o Faraó parece ceder, mas depois ele endureceria o seu coração. As palavras especiais citadas aqui em Êxodo 9:16, vêm após a sexta praga, os furúnculos.
O que Deus disse a Faraó, conforme registrado aqui, em Romanos 9:17, é bastante forte e não precisamos tentar evitar os fatos. Nossa compreensão destes fatos vai aumentar à medida que avançamos e chegamos mais longe, tanto nesta lição quanto nas subsequentes. Por agora, Paulo quer enfatizar o fato de que Deus age de acordo com sua própria vontade, com uma liberdade inerente que não está limitada ou condicionada às ações do homem. Assim, Ele ousadamente declarou a Faraó: Eu o levantei, exatamente com o propósito que está sendo cumprido em minhas relações com você. Meu propósito era mostrar o Meu poder, a fim de que a fama do Meu nome pudesse propagar-se mundo a fora.
Deus estava, no máximo, dizendo a Faraó: Eu estou no controle desses eventos. Meu propósito está sendo cumprido. Meu poder soberano está por trás de tudo o que está acontecendo. Sua resistência teimosa não vai impedir a minha vontade. Na verdade, a sua própria resistência está de acordo com a Minha vontade, porque esta disputa me permite dar, até mesmo, uma amostra ainda mais impressionante do Meu poder. O controle soberano de Deus sobre os acontecimentos na terra não estava, de maneira nenhuma, ameaçado pela resistência insignificante do Faraó. Na verdade, Deus tinha um direito inquestionável de trazer o Faraó ao trono naquele momento em particular, para que, por sua resistência má, o poder de Deus pudesse ser ainda mais claramente demonstrado e declarado.
Implicações (versículos 16, 18). As implicações de cada ilustração estão, resumidamente, declaradas nos versículos 16 e 18, sendo que ambos falam sobre a mesma coisa. As implicações são duas e estão intimamente relacionadas.
1- Deus é misericordioso para com quem Ele quer e endurece a quem Ele quer. Versículos 18 e 16b indicam isso. Mais, acerca disso, será dado na discussão a seguir, entretanto, por agora, não devemos resistir ao princípio básico tão claramente declarado. Quando Deus demonstra misericórdia a uma pessoa, em particular (como Moisés e os israelitas, que Ele perdoou em Êxodo 33), Ele o faz de acordo com o Seu direito soberano de agir como Ele quer. Ele é gracioso, compassivo e misericordioso àqueles a quem Ele quer. Da mesma forma, sempre que Ele retém a Sua graciosa influência de um homem e, assim, endurece o seu coração (como Faraó), Ele o faz de acordo com o Seu direito soberano de agir como Ele quer. Ele rejeita do Seu favor, quem Ele quizer. Seu próprio prazer, livre, bom e justo é a base, dentro Dele, para a escolha de abençoar alguns e rejeitar outros.
2- A misericórdia mostrada a alguns não tem a ver com o próprio caráter deles. O versículo 16a indica isso. O “deles” aqui, é aquele a quem é mostrada a misericórdia. A palavra “quer”, refere-se à vontade do homem, sua disposição. “Corre”, refere-se ao comportamento do homem, seus atos, sua conduta diária, no decorrer da vida. Paulo é bastante claro: Quando Deus determina mostrar misericórdia a indivíduos em particular, não é porque havia uma inclinação a eles ou que eram diferentes dos outros. Nem foi o seu comportamento mais justo do que outros. Por outro lado, aqueles a quem Deus rejeita do Seu favor, não são piores em vontade ou comportamento do que os outros!
Estas palavras podem ser difíceis de aceitar, à primeira vista. Porém, um exame mais profundo nos ajudará. Em primeiro lugar, devemos lembrar que essa conclusão, já foi estabelecida, anteriormente, em Romanos, através da insistência de Paulo em 3:22,23: “Não há distinção, pois todos pecaram”. Em outras palavras, o fato de que alguns são salvos ? misericórdia demonstrada ? e outros, perdidos ? endurecidos ? não pode estar baseado em uma diferença entre os homens. Todos os homens, em vontade e caminhos, são igualmente pecadores. Romanos 3:9-20 deixou claro que todos são depravados e ímpios, maldosamente inclinados em suas próprias naturezas. Em essência, nenhum é pior que outro, ou melhor do que outro. Portanto, o fato de Deus demonstrar misericórdia a alguns e endurecer alguns, não pode estar baseado em supostas diferenças no caráter dos homens. Consequentemente, a demonstração de misericórdia deve ser através do direito soberano de Deus, por Sua vontade, não pela vontade do homem. É claro, você pode objetar que certamente há uma diferença na vida dos pecadores e cristãos. Porém, essa diferença vem depois de serem salvos; depois de Deus ter “demonstrado misericórdia”, não antes.
Em segundo lugar, lembre-se de que esta é a questão chave, que envolveu os Judeus. Eles insistiram que tinham um direito ao favor de Deus, por causa de seus esforços em observar a lei. Paulo já provou este erro (capítulo 2). Assim, o ponto que Paulo está construindo aqui, no capítulo 9, tem um significado particular na discussão da rejeição de Israel, até mesmo quando Israel alega ter ganhado Seu favor, ao observar a Sua lei. Ninguém jamais conquista o favor de Deus. Todos são pecadores. Ele não deve misericórdia a ninguém. Nem mesmo Israel tem qualquer direito sobre Ele, através da conduta ou caráter. A misericórdia de Deus, aos homens, não é demonstrada em razão de seu caráter, pois ninguém tem o tipo de caráter que mereça misericórdia. (Pois, se o tivessem, não seria misericórdia ou graça, mas uma dívida. Não se esqueça de Romanos 4:4).
É verdade, os calvinistas usam estes versos para apoiar uma doutrina da predestinação absoluta. No entanto, na verdade, eles estão tomando os versos e indo longe demais. Por um lado, estamos sendo informados de que Deus nos governa, em Seu poder soberano, como Criador e Senhor do universo, conforme Ele quer. Ele é misericordioso a quem Ele quer e oculta a misericórdia de quem Ele quer. Nós, enquanto Suas criaturas, não temos o direito, nem o poder, de questioná-lo ou resistir ao Seu tratamento conosco.
Mas, por outro lado, os versos não prosseguem e nos dizem como Deus quer lidar com os homens. Ele tem o direito de escolher quem Ele quer e rejeitar a quem Ele quer; e assim é. Ele não salva a alguns e rejeita outros por quaisquer considerações carnais ou por suas obras; e assim é. Ele salva a quem Ele quer e condena a quem Ele quer, e todos são igualmente pecadores. Poderíamos fazer, então, uma pergunta: Sobre quem Ele quer demonstrar misericórdia? A resposta seria, conforme a conhecemos de outras partes das Escrituras e das partes anteriores desse mesmo livro: Ele Se agrada em lidar com os homens na base da fé. Ele livremente e através do Poder soberano escolhe salvar aqueles que crêem, por meio de Jesus Cristo. Porém, Paulo ainda não está pronto para chegar a essa dimensão nessa parte do capítulo nove. Ele está, primeiramente, preocupado em estabelecer claramente que Deus é um Ser Soberano e que possui, inerentemente, a liberdade de lidar com os homens da maneira que Lhe agrada. Devemos, primeiramente, ceder a essa verdade, e, assim, não questionarmos Sua rejeição de Israel, até mesmo se não pudermos descobrir exatamente por que Ele agiu assim.
2 O PODER SOBERANO DE DEUS: APLICAÇÃO
(Romanos 9:19-24)
Os princípios envolvidos no direito soberano de Deus em lidar com homens da forma como Lhe agrada foram firmemente estabelecidos nos versículos anteriores. Agora, chegou a hora de lidar com a aplicação desses princípios em questões específicas que os homens possam levantar. Em particular, os homens poderiam levantar uma questão muito óbvia. Eles poderiam ler o que Paulo acabou de dizer, a respeito da soberania de Deus, e reagir num acesso de fúria e perguntar: Se tudo é de Deus e Ele opera tudo conforme ele quer, então tudo o que fazemos é culpa Dele e Ele não pode reclamar, pode? Tal questionamento ataca a justiça de Deus, nega a responsabilidade humana e coloca a culpa, pelo pecado, em Deus. Contudo, mesmo assim, essas perguntas são feitas e por elas, muitas vezes, os homens querem ridicularizar a própria doutrina da soberania divina.
Um Questionamento (versículos 19, 20). Na realidade, a pergunta está no versículo 19 e uma resposta no versículo 20. A pergunta é (como muitas, em Romanos) uma pergunta antecipada, o próprio Paulo, imagina o que algum opositor poderia perguntar. Na verdade, é uma pergunta que tem sido feita de tempos em tempos.
1- A pergunta tem duas partes, como se vê no versículo 20. “Por que Ele ainda se queixa?” A pessoa que levanta essa questão está simplesmente querendo dizer que Deus não tem nenhuma base ou razão, para culpar um homem, por qualquer coisa, que ele faz, se, como Paulo ensinou, tudo é ordenado pela vontade de Deus. Se Deus tem misericórdia de quem Ele quer e endurece a quem ele quer, então ele não pode, simplesmente, me culpar, pode? Isso é o que alguns diriam, uma vez que o ensino de Pauloparece remover a responsabilidade humana. (Porém, ? como veremos depois, mais claramente ? a responsabilidade humana, na realidade, não é removida, através do ensino de Paulo).
A outra parte da pergunta, “Quem tem resistido à sua vontade,” implica que Deus é responsável por tudo o que somos e não poderia ser diferente. Essa implicação também está errada e está baseada em um entendimento errado da doutrina da soberania. Porém, sempre houve aqueles que gostariam de usar tal doutrina como uma desculpa, para escapar de qualquer responsabilidade pessoal ou culpa, e assim, culpar a Deus por tudo.
2- A resposta no versículo 20 não é direta. Ela não tenta explicar as razões, por trás das decisões de Deus. Na verdade, a resposta em si está sob a forma de duas perguntas, com implicações óbvias. “Quem és tu, que a Deus replicas?” significa, simplesmente, que nenhum homem tem o direito de questionar a Deus. “Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” A resposta é “não”: A criatura não tem o direito de questionar o que o Criador faz com ela.
Perceba, novamente, que Paulo ainda não está indicando aonde reside a verdadeira explicação das ações de Deus. Ele vai fazer isso mais tarde. Por enquanto, ele quer que a gente perceba que, realmente, não importa se podemos até mesmo encontrar tal explicação ou não. Deus não tem que se explicar para nós. O Governante Soberano não deve nada aos Seus súditos criados. O que importa, neste momento em discussão, é que devemos nos submeter ao Seu direito de nos governar, segundo a Sua vontade.
Uma Ilustração (versículo 21). Para reforçar seu argumento, Paulo usa a figura bem conhecida do oleiro e do barro. A lição é bastante óbvia: Um oleiro tem o direito soberano sobre um pedaço de barro. Ele não deve nada ao barro. Ele pode transformá-lo, em qualquer tipo de vaso (recipiente) que ele desejar.
Um “vaso para honra” é um recipiente que vai ser usado para algo honroso, como um prato para comer, uma panela para cozinhar ou um vaso para lindas flores. Um “vaso para desonra” é aquele que vai ser colocado para usos considerados não atraentes, como um balde de lixo ou uma lixeira, (a mesma distinção aplica-se em 2ª Timóteo 2:20,21). Tudo que Paulo quer dizer é que um oleiro pode transformar um pedaço de barro em um balde de lixo ou uma panela, conforme ele imagina em sua fantasia. Seu direito de fazer isso, conforme ele escolhe, não pode ser questionado.
As implicações desta ilustração, na medida em que elas se relacionam com a soberania de Deus sobre o homem, são óbvias e serão, claramente, enunciadas nos próximos três versículos. Antes de passar a esses versículos, porém, lembremo-nos de que a ilustração é especialmente adequada ao uso de Paulo ao discutir a rejeição judaica. Você deve se lembrar de que Jeremias utilizou o oleiro da mesma maneira e, particularmente, como uma ilustração do governo soberano de Deus sobre Israel. Veja Jeremias 18:1-6 e perceba, particularmente, estas palavras: “Pareceu bem ao oleiro.” Deus tem o direito de fazer de nós, o que bem lhe parecer.
As Implicações (versos 22-24). As respostas às questões implícitas no versículo 20 e as implicações da ilustração do oleiro (versículo 21) são, agora, esclarecidas. Há duas:
1- A implicação principal indicada nos versos 22, 23, é que o poder soberano de Deus é justamente demonstrado em ambos os tipos de “vasos” que Ele faz. Versículo 22 trata de um tipo de vaso: os “vasos de ira”. Estes são os homens aos quais a ira de Deus é o seu destino final. A tais homens, Deus, em Sua longanimidade, endurece, mas eles são conduzidos ao inferno, “preparados para a perdição”. O versículo 23 trata do outro tipo de vaso: “vasos de misericórdia”. Estes são os homens dos quais Ele tem misericórdia. Eles são conduzidos ao Céu, “preparados para a glória.” Em ambos os grupos, o poder soberano de Deus é demostrado.
Mais uma vez, Paulo não diz como alguns chegaram a ser escolhidos como um grupo e alguns como o outro grupo, ou até mesmo, se houve alguma razão para isso. Sabemos que existe uma razão, um motivo, uma base, pela qual Deus decide por um ou pelo outro. No entanto, nós sabemos disso, a partir de outras Escrituras, não dessa aqui. O que nós temos que saber aqui, é que Deus tem o direito soberano de “fazer” os dois tipos de vasos, “conforme Lhe agrada.” E o que temos de saber é: que o propósito e o poder de Deus se manifestam em ambos os grupos!
Ele não deseja que nenhum pereça (2ª Pedro 3:9), mas Ele quer destruir alguns (conforme sabemos, aqueles que rejeitam a Cristo). E em tais “vasos da ira”, Sua ira santa contra o pecado e o Seu impressionante poder são demonstrados ? para Sua glória eterna ? quando eles vão para o inferno. Da mesma forma, Ele irá salvar alguns (conforme sabemos, aqueles que exercem a fé salvadora). E suas ricas misericórdias são demonstradas ? para Sua glória eterna ? quando estes vão para o céu. Nesse sentido, ambos os grupos demonstram a vontade soberana e a glória de Deus. E, nenhum grupo tem o direito de contestar as ações do Soberano que lida com os homens conforme Lhe agrada.
2- A implicação secundária é adicionada no versículo 24. O ponto aqui é que os “vasos de misericórdia” incluirão tanto Judeus quanto Gentios, um ponto construído, frequentemente, em Romanos (como em 3:30, por exemplo) e um ponto com relação especial a esse contexto do nono capítulo. Lembre-se que Paulo está defendendo a justiça de Deus em rejeitar o Israel nacional. Bem, o ponto aqui é que a “vocação” de Deus, Sua seleção de homens como vasos de misericórdia, não se baseia em considerações hereditárias.
Em conclusão, precisamos ter certeza de que entendemos o que aprendemos até agora. Nós aprendemos que Deus lida com homens conforme Lhe agrada. Sua soberania Lhe assegura o direito de fazê-lo, mas nós não aprendemos o como Lhe “agrada”, ao lidar com os homens. Nós aprendemos comonão Lhe agrada, ao lidar com os homens: não em uma base racial; não em uma base de bondade ou maldade do homem (já que todos pecaram). Vamos aprender, em breve, que Deus tem o prazer de lidar com os homens na base da fé ou incredulidade. Também, que é o direito de Deus de definir uma condição e lidar com homens sob essa condição. Sua soberania não é, em nada, prejudicada quando Ele age dessa maneira.
Tenha em mente, então, que Romanos 9:14-24, é apenas parte de um quadro completo. O quadro será preenchido, mais completamente, nas aulas seguintes. O que Paulo queria nos assegurar aqui, é que nós não podemos atacar a Deus por rejeitar Israel uma vez que Deus é soberano e faz o que Lhe agrada. Até mesmo se não pudermos encontrar uma explicação pela qual, Deus rejeitou Israel (encontraremos uma mais tarde), ainda assim, não podemos “replicar” contra Deus. Ele é perfeitamente livre, por natureza, para lidar com os homens conforme Lhe agrada.

DEUS INSISTE NA FÉ(Romanos 9:25-33)

INTRODUÇÃO
Nosso estudo do capítulo nove está completo nesta lição. Você deve se lembrar de que Paulo está defendendo a retidão de Deus na rejeição de Israel. A pergunta que Paulo está respondendo é, na verdade, dada em 9:14: “Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum?”
Dois dos argumentos de Paulo foram apresentados nos primeiros vinte e quatro versos e tratados nas duas lições anteriores. O primeiro argumento foi este: Deus nunca tratou com os homens ? nem mesmo com Israel ? apenas com base na descendência natural. Como 9:8 diz: “Aqueles que são os filhos da carne, estes não são os filhos de Deus.” Assim, Deus não pode ser acusado de lidar injustamente com os Judeus, pois Ele nunca prometeu salvar todos os Judeus na carne.
O segundo argumento de Paulo foi este: Deus é Soberano e tem o direito de lidar com os homens conforme Lhe agrada, até mesmo com Israel. Afinal, conforme 9:18 diz, “Ele tem misericórdia de quem ele terá misericórdia.” Novamente, ele não prejudicou Israel nesta rejeição, porque Ele não tem obrigação com “Israel”, de maneira nenhuma. Sua soberana liberdade lhe dá o direito de aceitar ou rejeitar Israel conforme lhe agrada.
Os argumentos continuam na presente lição. Na verdade, mais dois argumentos são apresentados, pelos quais qualquer acusação de que Deus lidou injustamente com Israel pode ser provado como errado.
EXPOSIÇÃO
Um breve olhar para o esboço geral do estudo, servirá para mostrar como esta lição se encaixa no padrão global. Esta é a terceira lição sobre o capítulo nove, intitulada: “Deus Insiste na Fé”, cobrindo 9:25-33. Você vai recordar que a lição anterior enfatizou a verdade de que Deus, como um Soberano, tem o direito independente de agir confome Lhe agrada ao lidar com os homens, sob qualquer base que ele escolher, desde que essa base não viole o Seu próprio caráter justo. Foi-nos dito em 9:14-24 que Deus mostra misericórdia a quem Ele quer. Não há como negar essa verdade; porém, essa verdade não está completa até o momento em que somos informados, simplesmente, a respeito de quem Ele quer mostrar misericórdia. Esta lição serve ao propósito de responder essa questão. Deus deseja mostrar sua misericórdia, aos homens que colocam a sua fé nEle. Assim, o Seu direito soberano de agir como lhe agrada e a responsabilidade do homem, ao escolher ou rejeitar Deus são mantidos.
1 EXPECTATIVA: A PROFECIA DA REJEIÇÃO DE ISRAEL
(Romanos 9:25-29)
Conforme observado na introdução acima, Paulo já defendeu a presente rejeição de Israel de Deus em dois aspectos: Sua rejeição das considerações carnais e o Seu direito soberano em favorecer a quem Ele quer. Agora, Paulo volta-se a uma terceira base para defender a rejeição da nação de Israel por Deus. Esta base é profética. O ponto é basicamente este: Deus predisse o tempo todo, que o tempo em que Ele rejeitaria Israel estava chegando. Consequentemente, a presente rejeição dos Judeus era de se esperar. Como podemos impugnar a Deus por fazer exatamente o que Ele nos disse o tempo todo o que Ele faria?!
Citações de Oséias (versículos 25, 26). A princípio, o verso 25 reflete Oséias 2:23 e verso 26 reflete Oséias 1:10. A situação e as circunstâncias da profecia de Oséias são, bastante, interessantes. Ele profetizou a Israel (o reino do Norte) e a Judá (o reino do sul), próximo ao tempo em que Israel estava sendo derrotado pelos Assírios e um julgamento semelhante, surgiu, no horizonte, para Judá.
Como você pode recordar, Oséias foi instruído a se casar com Gomer, uma esposa, que se mostrou infiel, descrevendo assim, dramaticamente, a infidelidade do povo escolhido, a “esposa” de Jeová. A Oséias e a Gomer nasceram filhos, aos quais, foram dados, por Deus, nomes especiais que testemunhavam as coisas que Deus prometeu fazer, a favor e contra Israel e Judá.
Sem aprofundar-se muito nas profecias originais de Oséias, precisamos, pelo menos, examinar a sua intenção original básica. Os dois filhos de Oséias e Gomer foram Lo-Ruama e Lo-Ami. Os nomes significavam “sem misericórdia” e “não mais meu povo.” Os nomes testemunhavam o julgamento de Israel e Judá, que estava prestes a acontecer na forma de cativeiro, por nações pagãs. Deus não mais estenderia misericórdia; Ele não iria continuar a ser o dono do seu povo.
Em 1:10 e 2:23 (as passagens citadas aqui, em Romanos), no entanto, Deus prometeu que, mesmo que Ele estivesse prestes a lançar o seu povo neste cativeiro ameaçador, viria o tempo, mais tarde, quando Ele, mais uma vez, voltaria a reclamá-los como Seu povo (1:9,10a); também, mais tarde, Ele iria restaurá-los como Seus filhos (1:10b). Embora Ele estivesse prestes a reter a Sua misericórdia (1:6), contudo, mais tarde, eles iriam experimentar a Sua misericórdia novamente (2:23). Assim, as palavras originais de Oséias indicavam, à primeira vista, que o cativeiro iminente iria acabar e que viria uma restauração. Sabemos que tal restauração veio cerca de 70 anos após o cativeiro de Judá, quando mais uma vez os Judeus retornaram para casa, sob as misericórdias renovadas de Deus.
Todavia, apesar de que essa fosse a intenção original e primária das palavras de Oséias em 1:10 e 2:23, Paulo vê nestas palavras um significado mais profundo. Essa implicação secundária é aquela, com a qual, ele está, principalmente, interessado em Romanos. As palavras originais de Oséias foram: “Chamarei meu povo ao que não era meu povo” (Romanos 9:25; Oséias 2:23) e “no lugar onde foi dito a eles: Vós que não sois meu povo; aí serão chamados filhos (filhos) do Deus vivo” (Romanos 9:26; Oséias 1:10). Para Paulo, esta é uma clara profecia, de que os Gentios, os quais anteriormente não eram o povo de Deus, viriam a substituir, dentro do favor de Deus, àqueles que anteriormente eram. Está claro que Paulo interpreta as palavras desta forma, a partir de 9:24, que introduziu esta citação e a partir de 9:30, que mostra os Gentios alcançando a justiça, que Israel não conseguiu alcançar.
Parece razoável concluir, então, que essa profecia original de Oséias tinha um significado duplo. O cumprimento próximo residia na restauração do cativeiro dos Judeus capturados. O cumprimento no longo prazo residia na rejeição do Israel nacional, dentro do favor de Deus e a substituição deles, pelos Gentios, não reconhecidos anteriormente como Seu povo.
Assim, existem duas razões pelas quais Paulo usa estas palavras de Oséias. Uma delas é para mostrar que não é nenhuma surpresa, o fato de que Deus rejeitaria, do seu favor, a nação escolhida. Na verdade, Ele fizera isso antes, nos dias de Oséias. E que o cativeiro antigo era, dessa forma, um prenúncio daquilo que Ele faria novamente, conforme agora aconteceu. A segunda razão pela qual Paulo usa estas palavras é mostrar que os Gentios substituiriam a Israel dentro do favor de Deus. Isso, também, não deveria ser surpreendente, à luz da previsão de Oséias, de que esses, não chamados povo de Deus, viriam a ser chamados, de Seu povo. E, estes dois aspectos, mostram que Deus nunca se obrigou a manter Israel sob Seu favor, apenas porque ele é Israel. As ações anteriores de Deus, bem como Suas declarações proféticas, deixam isso claro. Ele claramente declarou que rejeitaria Israel. Deveríamos ter aguardado por isso. Conforme Denney expressa: “Os Judeus não podem brigar com a situação na qual eles se encontram, quando ela corresponde tão exatamente à Palavra de Deus.”
Citações de Isaías (versos 27-29). Novamente, há duas citações dadas, desta vez, do príncipe dos profetas de Israel. Os versículos 27, 28 nos concede Isaías 10:22,23; o verso 29 é de Isaías 1:9.
O tempo do ministério de Isaías foi, aproximadamente, o mesmo que o de Oséias, apesar de Isaías profetizar integralmente em Judá, o reino do sul. Exatamente os mesmos quatro reis de Judá que descrevem o período do ministério de Isaías (1:1), assim o fazem para Oséias (1:1). Isaías, assim como Oséias, teve de alertar sobre a vinda do julgamento do povo de Deus. Sua profecia, é claro, é mais detalhada que a de Oséias. Ambos olharam para além do cativeiro por vir, bem como para o restabelecimento, imediato, dos Judeus e para eventos mais distantes. Isaías estava especialmente envolvido na profecia messiânica.
As duas passagens de Isaías citadas aqui, em Romanos, falam, principalmente, de um remanescente. Essa é a razão para Paulo selecioná-las. (“Semente” em Romanos 9:29 é o “remanescente” em Isaías 1:9). Em Isaías 10:22,23 (equivale a Romanos 9:27,28), lemos que “Um remanescente dele voltará” (“ser salvo” em Romanos). Em Isaías 1:9, lemos que “Se o Senhor dos exércitos não nos deixasse, para nós, um pequeno remanescente (“semente” em Romanos), teríamos sido com Sodoma e teríamos sido como Gomorra.”
Nas profecias originais, estas promessas serviram a dois propósitos. Em primeiro lugar, elas indicaram que a destruição estava por vir, que o povo de Deus estava sendo julgado e abandonado, apesar do antigo relacionamento do Senhor com eles. Esse abandono era o cativeiro por vir. Em segundo lugar, as profecias também serviram para dar esperança de que nem todo o povo escolhido seria exterminado. Um “remanescente” é como uma pequena quantidade de pano, que sobrou do principal rolo de tecido. Uma “semente” (Romanos 9:29) é um pequeno rebento, pelo qual a planta pode crescer novamente. Assim, Deus estava prometendo, através de Isaías, que pelo menos um pequeno grupo seria salvo e retornaria à terra, depois do cativeiro, a partir do qual uma nova geração poderia surgir e, sobre ela, Sua misericórdia poderia voltar a ser derramada.
Contudo, você vê (conforme as profecias de Oséias), que Paulo está tendo um olhar muito mais além. Ele vê uma lição mais profunda e de longo alcance, nas palavras de Isaías. Em primeiro lugar, ele detecta um princípio lá, um princípio pelo qual Deus iria lidar com Israel, não apenas uma vez, mas várias vezes. O que Deus fez no cativeiro, ao abandonar Israel e preservar um remanescente, Deus faria novamente. E Paulo entende que Deus, na verdade, fizera a mesma coisa, agora, quando os Judeus rejeitaram o Messias e são rejeitados.
Em segundo lugar, Paulo vê na ênfase sobre o “remanescente”, que a maioria da nação devia ser rejeitada. Essa é a razão básica pela qual ele usa a profecia aqui. As palavras de Isaías mostraram, claramente, que o tempo (s) viria, quando Deus rejeitaria a todos, exceto um remanescente de Israel.
Mais uma vez, então, não deveria ser motivo de surpresa ou resistência, que os Judeus, agora, estejam como uma entidade nacional, rejeitados do Seu favor. Deus fizera, dessa forma, tantas vezes antes e todas aquelas vezes, simplesmente, eram prenúncios desse tempo. Apenas um remanescente dos Judeus pode esperar a salvação e estes, são aqueles que recebem o Messias pela fé ? conforme Paulo, em breve, deixará claro. Tudo isto fundamenta, conforme fez as citações de Oséias, o argumento principal da passagem: a rejeição de Israel por Deus, como um corpo, não é nada novo ou surpreendente. Ele fizera isso antes e profetizou de fazê-lo no presente. Ele nunca reconheceu qualquer obrigação de manter todo o Israel sob Seu favor, simplesmente, porque eles eram da raça escolhida.
O versículo 28, a propósito, reformula Isaías 10:22b,23. Em nenhum lugar a linguagem é tão clara. Nem ela é parte essencial ao ponto principal que Paulo está construindo, em Romanos. Aparentemente, Paulo a cita apenas para ser completo em sua citação. Basicamente, as palavras nos dizem que os propósitos de Deus sempre são cumpridos. Ele iniciou uma obra e vai finalizá-la. Até mesmo, o julgamento e a rejeição não vão impedir o cumprimento, em justiça, do Seu plano; e a preservação do remanescente é um testemunho disso.
2 EXPLICAÇÃO: O PRINCÍPIO POR TRÁS DA REJEIÇÃO DE ISRAEL
(Romanos 9:30-33)
Paulo, agora se desloca ainda mais para um quarto argumento, pelo qual ele defende a retidão, as adequadas ações de Deus, ao rejeitar o Israel nacional. O argumento é este: Deus rejeitou Israel, em princípio, por causa da incredulidade de Israel. Israel tentou agradar a Deus pelas obras e não pela fé. Este é o fracasso de Israel e esta é a verdadeira razão pela qual ele foi rejeitado, dentro do favor de Deus. Este é, na verdade, o principal argumento de Paulo, àquele, ao qual, ele recorreu o tempo todo e aquele que ele vai ampliar, em sua extensão, no próximo capítulo. Aqui, brevemente, ele declara a verdade.
A Substituição de Israel Dentro do Favor de Deus (versículos 30, 31). Aqui a verdade é dupla.
1- Os Gentios alcançaram a justiça. O verso 30 deixa isso claro: os Gentios substituíram os Judeus, dentro do favor de Deus. Três coisas estão claras sobre isso. Em primeiro lugar, a antiga situação dos Gentios: eles “não buscavam a justiça.” Isto está em contraste com os Judeus, que buscavam justiça, pela observância da lei. Os Gentios não buscaram, em seu estado natural, a justiça diante de Deus. Em segundo lugar, a nova situação dos Gentios: Eles “alcançaram a justiça.” Eles desfrutam da correta posição diante de Deus. Eles foram declarados inocentes, diante da corte de justiça Celestial. Em terceiro lugar, o método de sucesso dos Gentios: “porém, a justiça que vem da fé.” Aqui está o princípio básico envolvido, conforme se tornou tão claro, ao longo de Romanos: a fé. Esse é o método, pelo qual, alguém pode se tornar justo diante Deus. Os Gentios, que não tinham qualquer método, pelo qual, buscar a justiça, aceitaram, pela fé, a justiça como um dom de Deus.
2- Os Judeus não alcançaram a justiça. O verso 31 torna isso claro: Os Judeus perderam seu lugar dentro do favor de Deus para os Gentios. Mais uma vez, três coisas estão claras. Em primeiro lugar, a antiga situação dos Judeus: eles “buscavam a lei da justiça”. Ao contrário dos Gentios, eles buscavam a correta posição diante de Deus. Eles fizeram isso de acordo com um sistema específico, a Lei. Só que eles não conseguiram perceber que a Lei era um sistema pelo qual eles não poderiam ter sucesso. Em segundo lugar, a situação atual dos Judeus: Israel “não alcançou a lei da justiça.” Embora eles a buscassem, diligentemente, eles não vieram a desfrutar da correta posição diante de Deus. Em terceiro lugar (por implicação), a razão para o seu fracasso: Eles usaram o método errado ao substituir a fé pela observância da lei. Esta razão, Paulo vai explicar em detalhes nos próximos dois versos. Antes de chegar lá, no entanto, perceba que o versículo 30, referindo-se aos Gentios, usa “justiça”, enquanto o verso 31, referindo-se aos judeus, usa “a lei da justiça.” A razão para isso é que os judeus procuravam o tipo de justiça, apresentado na Lei e falharam, até mesmo, em alcançá-la. Afinal, eles não tinham como observá-la.
A Rejeição de Israel Dentro do Favor de Deus (versículos 32, 33). Estes dois versos nos dão exatamente a razão para a rejeição de Israel. A palavra “Portanto” quer dizer isso e, assim, apresenta a causa para a falha indicada no verso anterior.
1- O princípio básico por trás da sua rejeição está, claramente, indicado no versículo 32a: Eles substituíram a fé pelas obras da Lei. Em outras palavras, eles buscaram a justiça, mas pelos métodos errados. Eles desejavam o favor de Deus, porém, imaginando ganhar esse favor por seus próprios esforços, ao observar o sistema Mosaico. E aí eles falharam, porque o favor de Deus nunca é conquistado ou é merecido. Ele não trabalha dessa maneira. E, até mesmo se Ele assim trabalhasse, o homem, de manheira nenhuma, poderia obter o sucesso ao observar a Lei. Tal método, então, está duplamente condenado ao fracasso.
“Eles não a buscaram pela fé”; Existe a tragédia. A justiça estava tão facilmente disponível a eles, tivessem eles ? assim como Abraão (Romanos 4: 3) ? depositado a sua fé em Deus e na dependência Dele, para salvá-los. A fé agrada a Deus. As obras não.
2- O elemento pessoal em sua rejeição é indicado nos versos 32b, 33. Em princípio, eles não colocaram a fé em Deus. Sua incredulidade os condenou. Porém, há algo mais específico do que este que está envolvido na incredulidade de Israel. Não era simplesmente uma genérica falta de fé em Deus que estava por trás de sua incapacidade de alcançar a justiça. Não, houve um caso específico e bem definido de incredulidade, o qual foi responsável por sua rejeição. Essa incredulidade consistiu na rejeição, por Israel, de Jesus, o seu Messias.
Jesus é a “pedra de tropeço” e “rocha de escândalo” (as duas expressões significam a mesma coisa), referida nos versos 32b, 33. Paulo pega essas expressões de outra declaração profética, desta vez, associando em conjunto, tais declarações, conforme se encontram em Isaías 8:14 e Isaías 28:16. Compare também com o Salmo 118:22. A idéia é clara: Deus iria estabelecer uma pedra, de Sua escolha, em Israel, uma pedra destinada a ser a principal pedra angular, a fundação de Seu edifício, um povo justificado. Essa “pedra” era o Messias prometido, aquele, através de quem, viriam as bênçãos reais e a justiça permanente.
E o método para experimentar as bênçãos do Messias, haveria de ser pela : “Todo aquele que nele crê, não será confundido” (“Confundido” significa “envergonhado”; comparar “apressar” em Isaías 28:16, que significa, basicamente, o mesmo que “fugir”). A pessoa que coloca a fé em Cristo não terá que fugir com medo de Deus; ele pode permanecer na presença de Deus, confiante no favor de Deus. Essa é a verdadeira justiça.
Entretanto, as antigas profecias já os advertiram de que esta pedra se tornaria uma pedra sobre a qual os Judeus tropeçariam. (“Ofensa”, significa tropeço). E, na verdade, isso foi o que aconteceu. Os Judeus rejeitaram Àquele que o próprio Deus enviara para proporcionar-lhes salvação, o “Messias” (o Ungido), Jesus. Por conseguinte, Deus os rejeitou, e um povo (Gentios) que depositaria sua fé em Cristo, foi recebido em Seu favor, no lugar deles. Aqui reside a explicação da rejeição de Israel.
Ao concluir nosso estudo desta lição, é preciso nos certificar de que dois elementos importantes estão claros. O primeiro elemento é que devemos rever o padrão de todo o capítulo nove e como esta seção (versos 30-33), se encaixa nesse padrão. Paulo está defendendo a justiça de Deus em rejeitar Israel e ele listou, pelo menos, quatro argumentos principais para apoiar a inerente propriedade divina nessa rejeição. O primeiro argumento: Deus não trata com os homens, através da raça carnal, que eles representam (versículos 6-13). O segundo argumento: Deus é soberano ao lidar com os homens conforme Lhe agrada (versos 14-24). O terceiro argumento: Deus tem dito, o tempo todo, que Ele poderia rejeitar a “raça escolhida” e, como alternativa, trazer os Gentios para dentro do Seu favor. (versos 25-29). Argumento final: Deus rejeitou Israel porque Israel, primeiramente, O rejeitou, ao recusar-se a depositar sua fé no Salvador Ungido de Deus (versos 30-33). Perceba como, cada uma dessas razões, apoia as outras e todas elas, logicamente, cooperam juntamente, para pintar um quadro completo.
O outro elemento de importância é este: A verdade contida na última razão (versículos 30-33) é, absolutamente, necessária para completar o quadro da soberania, apresentado, acima, nos versículos 14-24 (veja a lição anterior). Sem os versículos 30-33, poderíamos ter uma noção errada de versículos 14-24 (como, de fato, os calvinistas são capazes de fazer). Fomos informados de que Deus lida com homens conforme Lhe agrada. Ele é soberano. Ele escolhe alguns e rejeita a outros conforme Ele quer. Ele agradou-se em rejeitar a Israel, dentro do Seu favor. Israel não tem direito de “discutir” com Deus, protestando essa rejeição. Afinal, Ele é o Criador e Israel é criatura. O oleiro pode fazer do barro o que Ele deseja. Ele demonstra misericórdia a quem Ele quer demonstrar misericórdia.
Esse quadro é, absolutamente, preciso, porém, não está completo. Ele não conta a história toda. Pois, enquanto está claro, que Deus lida com os homens conforme Lhe agrada, esse fato, por si só, não nos diz como Lhe agrada lidar com os homens. Como soberano, Ele exerce misericórdia quando quer. Até aqui, tudo bem. Porém, quando e a quem é que Ele vai demonstrar misericórdia? Bem, Ele desejou nãodemonstrar misericórdia àqueles que buscam a justiça por suas próprias obras de auto-justiça. Esse método entraria em conflito com Sua soberania, pois assim, o homem poderia conquistar o Seu favor e Ele estaria obrigado a algo diferente de Seu próprio caráter.
Mais uma vez, então, quando e a quem é que ele vai demonstrar misericórdia? A resposta é: àqueles que irão aceitar a justiça que Ele oferece, como um dom gratuito pela fé em Cristo. A fé é o princípio, Ele insiste na fé. Ele deseja salvar àqueles que colocam sua fé nEle. Perceba, então, que só quando o quadro é completado por ambos os elementos, entendemos plenamente a razão pela qual Israel foi rejeitado.Do ponto de vista da soberania divina, a rejeição de Israel não requer nenhuma outra explicação, além do fato de que Ele escolheu rejeitá-lo. Ele tem esse direito e se não pudermos encontrar uma explicação adicional, ainda teríamos que nos contentar com essa. Porém, agora, nos é dada uma explicação adicional, uma do ponto de vista da responsabilidade humana: Israel foi rejeitado, porque buscou a justiça pelas obras, ao invés da fé. A soberania de Deus estabelece o direito em rejeitar; no entanto, a incredulidade estabelece a razão pela rejeição. Romanos 11:20 confirma isso, de forma incontestável.
Tradução: Cloves Rocha dos Santos
———————————————————-
[1] Nota do tradutor: Esta exposição equivale à subseção A, da Parte 4, em The Book of Romans – Livro de Romanos de Robert E. Picirilli, intitulada: “The Righteousness of God: A Prohibition to the Self-Righteous – A Justiça de Deus: Uma Proibição à Auto-justiça”, a qual abrange o capítulo 22, sob o tema: “God Ignores Flesh – Deus Ignora a Carne”, cobrindo o trecho de Romanos 9:1-13; o capítulo 23, sob tema: “God’s Inherent Freedom,- A Inerente Liberdade de Deus”, cobrindo o trecho de Romanos 9:14-24 e o capítulo 24, sob o tema: “God Insists on Faith – Deus Insiste na Fé”, cobrindo o trecho de Romanos 9:25-33. Fonte: Robert E. Picirilli, The Book of Romans – Livro de Romanos (Nashville, TN: Randall House Publications, 1975), 172-196. Foram suprimidos os esboços de estudo, no início de cada capítulo. No entanto, eles se encontram, na íntegra, ao longo da exposição de cada capítulo, conforme se encontram no livro. O objetivo, ao fazer isso, foi transformar os três capítulos, em um único artigo, e assim, tornar mais prática e fluente, ao leitor, a compreensão do raciocínio geral do Picirilli, em Romanos 9.
[2] Nota do tradutor: Robert E. Picirilli tem ensinado, pregado e escrito teologia Arminiana por mais de 45 anos. Ele se autodenomina um Arminiano Reformado e tem sido um crítico convicto do Calvinimo. Ele tem um mestrado em Teologia e um doutorado no Novo Testamento, com foco no texto Grego. Ele ensinou Grego, interpretação do Novo Testamento e Filosofia Introdutória por quase 50 anos e, agora, está aposentado como Professor Emérito da Free Will Baptist Bible College – Faculdade Bíblica Batista do Livre-Arbítrio (Nashville, Tennessee), aonde ele também atuou como Secretário e Reitor Acadêmico. Ele começou a ensinar em 1955. Ele é membro da Comissão de Pesquisa da Associação Americana de Faculdades Bíblia e serviu duas vezes como presidente da seção do sudeste da Sociedade Evangélica Teológica. Em seus atuais interesses de pesquisa, se inclui a teoria do aspecto verbal e o uso de particípios em Marcos e Lucas, explorando questões de classificação, aspecto, tempo e tipo de ação verbal. Desde 1983, ele continua servindo como editor geral da série de Comentários Biblicos sobre o Novo Testamento da Randall House e, nessa série, contribuiu com os volumes de, Marcos, 1ª e 2ª Coríntios, Efésios, Filipenses, 1ª e 2ª Tessalonicenses e 1ª e 2ª Pedro. Seus demais trabalhos publicados incluem os livros, Understanding Assurance & Salvation – Entendendo a Segurança & SalvaçãoGrace, Faith, Free Will – Contrasting Views of Salvation: Calvinism Arminianism – Graça, Fé e Livre-arbítrio – Contrastando Visões da Salvação: Calvinismo e ArminianismoPaul the Apostle – Paulo, o ApóstoloBook of Galatians – Livro de GálatasThe Book of Romans – O Livro de Romanos e A Survey of the Pauline Epistles – Um Estudo das Epístolas Paulinas, bem como numerosos folhetos e artigos em publicações denominacionais e em jornais teológicos. Dr. Picirilli e sua mulher, Clara, tem cinco filhas, todas casadas. (fonte: http://www.opentext.org/about/partners/rep.htmlhttp://www.infibeam.com/Books/search?author=Robert%20E%20Picirilli e http://www.moodypublishers.com/pub_authorDetail.aspx?id=41798&aid=727).

Ofertas Exclusivas!!!!