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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Escritora Anne Rice deixa vampiros para escrever sobre Jesus Cristo

AUTORA DO LIVRO ´ENTREVISTA COM O VAMPIRO´, QUE VIROU FILME, ABANDONA O GÊNERO LITERÁRIO QUE A DEIXOU FAMOSA PARA SE DEDICAR A OBRAS SOBRE JESUS CRISTO




É ´Halloween´(acho que o autor do artigo quis dizer ´Dia da Reforma Protestante´, rs. Grifo nosso) e Anne Rice tem um novo livro - de memórias, na verdade - voando alto nas listas de best-sellers. Tudo normal até aí. Normal se estivéssemos em 1994, auge da fama e das vendas de Rice como a rainha dos romances góticos. Para aqueles que não estavam prestando atenção ao gênero de vampiros recentemente, a mais famosa cronista dos sanguessugas não mora mais em Nova Orleans - isso desde antes do furacão Katrina - e está surfando novas ondas com entusiasmo: a literatura cristã.

Seu livro de memórias, “Called out of darkness: a spiritual confession” ("Chamado para fora da escuridão: uma confissão espiritual"), é a evidência mais recente de que Rice está se reinventando para tentar construir uma reputação como uma escritora cristã séria. Na obra, a escritora de 67 anos não desdenha as duas décadas passadas lançando livros sobre vampiros, demônios e bruxas a partir do sucesso de seu primeiro romance “Entrevista com o vampiro”, de 1976. Mas ela demonstra claramente que superou o tema.

Em uma entrevista por telefone de sua casa numa montanha na Califórnia, Rice revelou seu objetivo: ”Conseguir empregar as ferramentas e o que quer que eu tenha aprendido sendo uma escritora de vampiros a serviço de Deus. É uma oportunidade maravilhosa”, disse ela. “Espero que possa me redimir desse jeito. Espero que o Senhor aceite os livros que estou escrevendo agora.”.

Chamado para fé
Em 2002, Rice rompeu completamente com o ateísmo - aproximadamente quatro décadas depois de ter abandonado sua fé católica, nos anos 1960. Aconteceu quando ela foi para a faculdade e encontrou seus colegas falando sobre existencialismo - Martin Heidegger, Albert Camus, Jean Paul Sartre. Religião, escreve ela, era muito restritiva para a jovem Rice. Muito fora dos tempos. Ainda assim, escreve, a religião teve de voltar à sua vida, como se para se confrontar outra vez com um pai ausente ou um amor de infância há muito perdido.

No final dos anos 1990, quando voltou para Massachussets, Rice - a autora cujos livros venderam dezenas de milhões e que realimentaram o apetite de Hollywood pelo horror de vampiros - passou por tempos difíceis. Seu marido, poeta e artista, Stan Rice, morreu de um tumor cerebral em 2002. E ela se tornou diabética.

´Conversão´ no Rio
Sempre enfática e para além do racional, Rice escreve que sua volta à fé foi precedida de uma série de epifanias, muitas delas durante viagens pelas catedrais da Europa, Israel e Brasil. Certa vez, quando visitou a estátua gigante de Cristo Redentor no Rio de Janeiro, ela relata que sentiu “delírio” e que as nuvens se abriram para revelar a estátua.

As supostas revelações remontam à infância religiosa da escritora, que diz que queria ser santa. Aos 12 anos, católica fervorosa, ela pediu ao pai para transformar os fundas de sua casa, em Nova Orleans, em um oratório dedicado à Santa Rosa de Lima - santa que os católicos acreditam que transformasse rosas em cruzes.

De certo modo, seu livro de memórias é também é confessional, ao tratar de sua luta para se tornar uma autora com um estilo literário distinto. Para muitos críticos, suas histórias são intermináveis, escritas de maneira feia e confusa, um pastiche de clichês. E a mudança de rumo - da ficção vampírica para a literatura cristã - ainda não conquistou os detratores.

Rice, no entanto, não está aí para impressionar os críticos. ”Meu objetivo é simples: escrever livos sobre nosso Senhor vivendo na Terra e fazê-lo real para as pessoas que não acreditem nele; ou pessoas que nunca tentaram acreditar”, diz. E reforça: “Eu tornei os vampiros em algo crível para mulheres adultas. Agora, se eu pude fazer isso, eu posso fazer nosso Senhor Jesus Cristo crível para as pessoas que nunca acreditaram. Espero e oro [para isso].”.

Fontes: Gospel +

NOTA: Vejamos como será este ´retorno´ da autora às suas origens católicas. Seu forte é o romance ficcional e, quando o assunto gira em torno da pessoa de Jesus Cristo, isto é extremamente complicado. Uma análise do seu livro lançado em 2005, "Christ The Lord: Out of Egypt", ("Cristo, O Senhor: Saída do Egito", tradução livre) contém detalhes que evidenciam pesquisa sobre as principais correntes religiosas dentro do judaísmo nos dias de Jesus Cristo: Os fariseus, essênios e saduceus. Ela adota, no livro, a linha que argumenta que Jesus Cristo foi adquirindo um conhecimento gradual de si mesmo e de sua missão à medida em que o tempo ia passando. Tudo se iniciaria com o retorno, aos sete anos de idade, de Jesus e sua família do Egito para a cidade de Nazaré (Israel), após a perseguição e morte de Herodes, o Grande. As ´liberdades poéticas´ admitidas pelas ficções, contudo, não são muito compreendidas pelo grande público que, a exemplo do ´Código Da Vinci´, tomam estas obras como factuais (históricas), e não ficcionais. Estas interpretações particulares de momentos históricos de grandes personagens bíblicos podem ser muito periogosos se, ao longo da obra, negligenciam-se aspectos revelados na Bíblia que auxiliam a construir o perfil real de tais personagens. Não conheço pessoalmente o último livro desta escritora e, de fato, espero que ela não cometa estas gafes injustas de literalidade bíblica que só servem para dar mais trabalho àqueles que defendem a historicidade e autoridade da Bíblia.

Em Cristo Jesus,
Pr. Artur Eduardo

Um comentário:

Eduardo de Araújo disse...

Sinceramente acompanhei TODOS os livros das crônicas vampirescas e Anne Rice é fantástica, mostra amor, paixão e dá vida a seus personagens.
É realmente uma pena que ela deixe tudo isso de lado para falar bem de Deus...
Infelizmente quando se está em depressão se acredita em qualquer coisa, no caso dela, acreditou que Deus por vingança eliminou seus entes queridos...
É uma pena perder uma das melhores escritoras do genero que colocava seus pontos de vista contra a religião e que é muito interessante.
Não sou satanista, católico, evagélico, nem sigo nada disso, acredito em Deus e indiferente de religião creio que Deus não iria punir ninguém só por escrever livros de ficção e quem acredita nisso é porque não sabe o que fala.

Bom aconselho a leitura de toda crônica vampiresca, são ótimos livros com histórias cativantes e cheias de trama.

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