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quinta-feira, 26 de junho de 2008

O preconceito do governo no combate contra quem discorda de seus pressupostos

O GOVERNO EXPÕE SEU DESPREPARO QUANDO TENTA MINIMIZAR MOBILIZAÇÕES NACIONAIS CONTRA ´LEI DA MORDAÇA-GAY´ E REVERBERA DISCURSOS MINIMALISTAS DE ALGUNS DOS SEUS MAIS PROEMINENTES REPRESENTANTES



Uma avalanche de ligações para o serviço de atendimento "Alô Senado" rejeitando o PLC 122/06, durante um ano, levou a direção do Senado a fazer um levantamento nacional pelo seu instituto de pesquisa, o DataSenado, para ter um termômetro próprio sobre o assunto e tentar minimizar a mobilização daqueles que tentam se fazer ouvir pelos senadores da República de forma democrática.

Nos últimos 12 meses, o Alô Senado recebeu 140 mil ligações de pessoas se manifestando sobre esse assunto, número recorde nos últimos cinco anos. Do total de ligações e mensagens eletrônicas enviadas, 73% se manifestaram contrários ao projeto de lei e só 13% defenderam. Essa movimentação dos grupos de pressão aconteceu depois que o projeto, que já foi aprovado na Câmara, chegou ao Senado.

O senador Magno Malta, presidente interino do Congresso, recebeu os manifestantes evangélicos que foram nesta quinta (25/06) à Brasília, entregar um manifesto contra o PLC 122/06. Líderes cristãos de todo o Brasil pedem a não aprovação da lei, uma vez que entendem que a mesma provocará convulsões sociais irreversíveis no país.

Mas o levantamento feito pelo DataSenado entre 1122 pessoas, nos dias 6 e 16 de junho - exatamente depois da Parada do Orgulho Gay que pedia a criminalização da homofobia (no dia 25/05) - mostra o contrário: 70% dos entrevistados concordaram com a aprovação da lei que pune atos de discriminação ou preconceito contra os homossexuais

Ocorre que a pesquisa do DataSenado não se preocupou em questionar os artigos que estão trazendo polêmica entre os grupos religiosos. Apenas duas perguntas foram feitas: “Você tomou conhecimento do projeto? Você concorda ou discorda que a discriminação seja crime?”

Apenas 26% desses entrevistados mostraram discordância. Nessa mesma pesquisa, 69% disseram que tinham conhecimento do projeto e 30% desconheciam a proposta. A margem de erro é de 3%. Importante lembrar que tomar conhecimento é o mesmo que ouvir falar. Até porque o levantamento não se preocupou em saber se de fato os entrevistados conheciam o teor do projeto.

Foto da manifestação, do dia 25/06, contrária ao PLC 122/06, a chamada "lei da mordaça-gay", em tramitação no Senado. A Câmara dos Deputados já aprovou o projeto.



Mídia divulga pesquisa alternativa

Segundo reportagem do jornal
O Globo”, “havia um temor dos próprios senadores de que o resultado da votação do projeto pudesse ser influenciado por uma pressão de caráter religioso. Por isso, a decisão de fazer um levantamento com amostragem nacional. O DataSenado já existe desde 2005 e faz pesquisas para orientar os parlamentares sobre a opinião da população sobre temas determinados.

“Estava havendo uma irracionalidade no debate. Havia uma forte pressão religiosa sobre o tema. Por isso, é importante esse tipo de pesquisa para ajudar a revelar como pensa a sociedade brasileira sobre o assunto”, defendeu a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), que luta pela aprovação do PLC 122/06.

Coincidentemente, o levantamento do DataSenado foi divulgado na semana da manifestação programada pelos que contestam o PLC 122/06 em frente ao Congresso Nacional.

O “Alô Senado” foi criado para ouvir a população brasileira sobre os projetos de lei que estão sendo discutidos entre os senadores. Quem telefona para lá já tem um conhecimento mínimo sobre o assunto e se manifesta justamente porque sabe das conseqüências que uma lei terá sobre o seu dia-a-dia.


Fontes: O Verbo, Folha On-line, Estadão

NOTA: No mínimo é estranho autoridades do PT, como a deputada Ideli Salvati (SC), líder do partido no Senado, afirmarem que há "uma irracionalidade no debate" e, na mesma frase, dizerem que o tema "sofre pressão religiosa". O que a deputada está insinuando é que a discussão, qualquer que seja ela, que envolva particularidade religiosas é, em última análise, "irracional". O papelão do governo, em minimizar as milhares de ligações para o "Alô Senado", desrespeitando o estado democrático de direito é o que, então? "Racionalidade"? Estas assertivas pressuposicionalmente discriminatórias já estão passando dos limites. Este tipo de parlamentar, pelo que demonstra em seus próprios atos, é nocivo para o Brasil. É ambíguo, não raciocina direito, contesta o preconceito ´preconceituosamente´. Denigre e minimiza as implicações religiosas em um país onde 96% de sua população é religiosa. Até quando a sociedade aceitará calada e passivamente a imposição de formas de pensar que agridem abertamente a vontade das maiorias? Até quando ficaremos inertes, observando discursos de gente que não tem preparo sequer para ser presidente de liga de dominó, mas que está à frente de questões tão amplas e sérias, de comoção nacional, despejando na imprensa minimalismos que - o que é pior - são ovacionados desmedidamente pelo afã de alguns que impõem uma cultura de terror inexistente em nossa terra, como se já não tivéssesmos terrores reais e concretos com os quais deveríamos nos preocupar.

Em Cristo Jesus,
Pr. Artur Eduardo

Um comentário:

Alesson Gois disse...

Olá pastor, tudo na paz?

Andei lendo algumas coisas sobre esse assunto na internet, mas fiquei com um pé atrás devido a falta de confiabilidade das informações. Gostaria de saber se o senhor possui algum arquivo que fale sobre essa assunto com mais precisão e imparcialidade. Se tiver o senhor pode enviar para o email: alessongois@gmail.com

Agradeço desde já!

Paz!

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