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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Isso é "lógico"?

MATEMÁTICO ATEU, QUE LANÇOU UM LIVRO INTITULADO "IRRELIGION" ("IRRELIGIÃO"), DÁ ENTREVISTA À VEJA NA QUAL DIZ QUE "RELIGIÃO É ´ERRO LÓGICO´", E TEM ALGUMAS RESPOSTAS DESTE BLOG



Por Michelson Borges

Adaptado (respostas em vermelho) por Artur Eduardo


A revista Veja desta semana (15/06) traz uma entrevista com o matemático ateu John Allen Paulos, autor de Irreligion, (Irreligião), lançado neste ano. Segundo Veja, o livro de Paulos não mostra a acidez das demais obras desse filão, “no qual pontificam descrentes raivosos como o biólogo Richard Dawkins e o jornalista Christopher Hitchens”. “Irreligion é um livro devotado à lógica: Paulos analisa argumentos tradicionais sobre a existência de Deus e mostra onde fazem água”, explica Veja, como se a matemática pudesse abarcar o transcendente. Mais do mesmo, seria a minha definição para essa entrevista que mais parece um reforço da propaganda anti-religiosa que Veja vem fazendo nos últimos anos. Enquanto isso, continuo aguardando uma boa entrevista com algum teísta pensante como Philip Johnson (cujo livro Darwin no Banco dos Réus foi recentemente lançado no Brasil – olha o “gancho”, Veja), Michael Behe (cujo segundo livro foi lançado nos EUA – outro “gancho”, Veja) ou Alister McGrath (com seu contraponto a Deus, um Delírio: O Delírio de Dawkins – silêncio de Veja). E olha que já sugeri essas pautas aos editores da revista “indispensável”, e nada. Leia alguns trechos da entrevista com Paulos, com meus comentários entre colchetes:

Veja - O que um matemático pode dizer sobre o ateísmo?

Examino os argumentos tradicionais em favor da existência de Deus, e não as conseqüências sociais da religião. Eu me abstenho de fazer comentários sarcásticos sobre a religião das pessoas. Busco, isso sim, demonstrar os furos lógicos nesses argumentos. Como matemático, estou acostumado a trabalhar com provas lógicas – a partir de determinadas premissas, derivamos certas conseqüências. A lógica tem de ser rigorosa. Os argumentos teológicos não seguem esse rigor. Eles pulam de A para B, mas há um grande abismo entre os dois termos.

Veja - Pascal e Leibniz, entre inúmeros grandes filósofos do passado, eram matemáticos e crentes.

Leibniz tinha uma concepção muito particular de Deus. Como ele, muitos dizem acreditar em Deus, mas aquilo em que crêem não seria chamado de Deus pelo cidadão comum. As leis impessoais do universo, a beleza do mundo natural – todas essas coisas já foram chamadas de Deus. Se você definir Deus assim, bem, então Deus existe, claro. ... De resto, só porque você é um matemático de primeira ordem, isso não quer dizer que está dispensado de apresentar argumentos lógicos. O fato de um Leibniz ser religioso não prova nada a favor da religião. [Paulos ignora Pascal convenientemente, já que o grande matemático e filósofo francês era um teísta nos moldes bíblicos - Michelson Borges]. Leibniz, afinal, era um teísta ("crente" na existência de Deus, ou um ateísta? Vejamos o que disse o próprio Leibniz, quando se valeu do argumento ontológico para falar sobre a existência de Deus: "Deus é um ser de cuja possibilidade (ou, de cuja essência) segue-se Sua existência. Se um Deus, definido de tal modo, é possível, segue-se que Ele existe. Para a existência, é o mesmo resultar da possibilidade de alguma coisa, como resultar da essência de alguma coisa. Pois a essência de uma coisa é o mesmo que uma razão singular para a possibilidade, ou seja, é da noção do que é entendido nitidamente, ou a priori, que a coisa é possível. Eu digo “a priori”; isto é, não a partir da experiência, mas da própria natureza da coisa, exatamente como concebemos ser possível o número 3, ou uma linha circular e outras coisas desse tipo, mesmo que nunca as experimentemos existir na realidade ou, de qualquer modo, não levando essa experiência em consideração. Um ser independente é o mesmo que um ser de cuja essência resulta a existência, a saber, um ser para o qual a existência é essencial, ou, que existe através de sua própria essência. Novamente, um ser necessário é o mesmo que um ser de cuja essência resulta a existência. Pois um ser necessário é aquele que necessariamente existe, tal que sua não existência implicaria uma contradição e, assim, estaria em conflito com a noção ou essência desse ser. De fato, a existência pertence a sua noção ou essência. Disto extraio um teorema excelente que é o píncaro da doutrina modal [doctrinae Modalium] e por meio do qual posso mover-me da potencialidade para o ato: se um ser necessário é possível, segue-se que ele realmente existe, ou, que um tal ser é realmente encontrado no universo." - Da obra "Definitio Dei Seu Entis A Se" ("Definição de Deus ou de um Ser Independente"), 1676, pgs. 1 e 2. Ponto final.


Veja - Em geral, as pessoas não estão preocupadas com questões lógicas quando buscam uma religião. Elas procuram um certo sentido superior. Como o senhor responderia a essa necessidade?

Não há resposta para isso. Se alguém diz “eu acredito porque decidi acreditar”, não há muito que fazer. Você só pode apontar que não existem provas ou argumentos que sustentem essa crença. O fato, porém, é que as pessoas que acreditam quase sempre, em algum momento, recorrem a algum dos argumentos a favor da existência de Deus que eu critico no livro. Em geral, invocam a beleza da natureza como prova da existência de Deus. Outras apontam supostos milagres e coincidências e dizem que essas coisas não podem acontecer por acaso. E, nesse ponto, devemos apontar suas falhas lógicas. [Quais? Sem se valer da beleza “supérflua” e dos milagres, como explicar então a origem casualística da informação genética? Será que a matemática tem resposta para isso? Surgimento de informação a partir do nada, sem uma fonte informante, é isso que Paulos considera lógico? - Michelson Borges]. Bem, as suas contra-argumentações estão no livro, que deve ser publicado em português em breve.


É improvável que as pessoas deixem de acreditar, mesmo depois que seus argumentos são derrubados.

Sim, claro. Não tenho problemas com isso. É uma questão de escolha individual. Ninguém pode impingir a crença ou a descrença à outra pessoa. Mas há um certo perigo nessa atitude. Se alguém diz: “Isso é tão importante para mim que você não pode questionar, não pode perguntar sobre as minhas razões”, a crença se torna uma força bruta. Que, em algum momento, colide com outra força brutal. ... [Aqui Paulos ataca outro espantalho. A verdadeira religião bíblica é razoável e convida à reflexão. “O Deus Eterno diz: ‘Venham cá, vamos discutir este assunto’” (Is 1:18, BLH). E Paulo (não o Paulos) recomenda: “Examinem tudo, fiquem com o que é bom” (1Ts 5:21, BLH) - Michelson Borges]. Observe que as argumentações da revista e do entrevistado estão girando em torno do pressuposto de que o argumento do matemático está ´certo´. Em quaisquer diálogos, se uma argumentação contraposta à outra se mostra verdadeira, a outra é automaticamente falsa. Esta inferência está sendo feita pela revista e pelo matemático ateu. Os seus argumentos teriam de provar que a crença em Deus é falsa - observem - para que a conversa viesse a convergir para onde converge. Se a coisa fosse, de fato, tão extraordinária assim, ele seria o ganhador de vários prêmios Nobel, além de ter suas formidáveis refutações publicadas na própria revista. Uma outra observação: O texto sugerido por Michelson Borges, apesar de sua boa intenção, está sendo usado equivocadamente. No contexto, Paulo fala aos Tessalonicenses assim: "Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom.". O texto aplica-se às profecias. Por que estou dizendo isto? Porque, quando raciocinamos bem, vemos a incoerência lógica a não existência de Deus, presente em argumentos desde o remoto argumento ontológico. Para textos relacionados, no próprio BLOG, clique AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.


Veja - O tom de alguns novos ateus, especialmente Richard Dawkins e Christopher Hitchens, é muito agressivo. Há o risco de o ateísmo se tornar tão dogmático quanto a religião?

Há certo risco. Eu não me sinto confortável atacando a religião frontalmente. Não é o que faço. Parte de mim acredita que, se alguma coisa ajuda você a atravessar a noite, não é de todo má. É inegável que a religião ajuda muita gente. E talvez haja, sim, o risco de que você fala. No momento, porém, acho que ele é mínimo, e é bom que os ateus exponham seus pontos de vista em uma sociedade tão marcada pela religião. Há espaço para todos os tipos de ateísmo, do mais barulhento ao matemático, com um toque de humor, que eu pratico. [Não, Paulos, o risco não é “mínimo”. Basta ler Deus, um Delírio para ver que o que Dawkins propõe é uma espécie de Cruzada anti-religiosa, uma Inquisição às avessas. - Michelson Borges]. É verdade. O tom de Dawkins é extremista, e ele coloca todos os tipos de pensamentos religiosos ´na mesma balança´, como se a religião só tivesse produzido o caos e a dor, o que existe no radicalismo terrorista de vertentes de algumas religiões. Proponho a leitura do excelente livro "A Alma da Ciência", de Nancy Pearcey, que fala como a história do Cristianismo ocidental confunde-se com a própria história do desenvolvimento científico do Ocidente.


Veja - Seu livro foi resenhado de forma simpática por um pastor batista. Ele reclamava, no entanto, que o senhor tendia a pintar todos os cristãos como fanáticos. Críticos da religião como o senhor estariam perdendo de vista o fato de que a maioria dos fiéis é discreta e razoável, e não fundamentalista?


Recebi vários e-mails de leitores religiosos, que admitiram que os fiéis têm de se confrontar de algum modo com os argumentos que apresento. Eles recorrem a outra linha de argumentação: dizem que a religião é uma tradição, que une as pessoas, que lhes dá conforto, e é uma fonte de ideais elevados. Eu não discordo. O problema com os cristãos moderados é que eles fazem uma leitura seletiva da Bíblia: acreditam neste ou naquele ponto e discordam de outros. Mas como escolher os pontos da Bíblia que vale a pena sustentar e aqueles que devem ser rejeitados? Basicamente, essa escolha é feita com base em critérios seculares. A aceitação dos gays por algumas igrejas, por exemplo, não responde à tradição religiosa, mas a uma imposição dos valores seculares. Então, pergunto: por que não ser completamente secular? [Que falta faz a Teologia! O leitor da Bíblia deve levar em conta os estilos literários empregados pelos autores inspirados. Quando se lê um texto profético, por exemplo, deve-se interpretar os símbolos e alegorias utilizando as ferramentas que a própria Bíblia oferece; quando se trata de uma parábola, o leitor deve saber que se trata de uma história ilustrativa de um princípio subjacente; e por aí vai. O que não se pode fazer é deliberadamente escolher ou rejeitar esse ou aquele ponto, com base na opinião, sem um estudo detido das páginas sagradas. - Michelson Borges]. A isto que foi dito pelo Michelson, adiciono o seguinte pensamento: Com base em quê a assertiva de que ´a aceitação dos gays por algumas igrejas´ desmerece o entendimento biblico-histórico do que entende a teologia ortodoxa acerca da prática homossexual? Se uma pessoa utiliza-se da Bíblia para, contrário ao que a Bíblia ensina, aceitar e incentivar a prática homossexual, o problema é exclusivo deste indivíduo, não da Bíblia!! Este argumento é ad hoc à sua pressuposição ateísta. Nada mais.


Veja - Em algum sentido a tradição religiosa é positiva?


Não tenho nenhum problema com as narrativas, os mitos, as histórias ensinadas pela religião. A Bíblia é grande literatura. Meu problema é com o literalismo. Não se pode dizer que as coisas narradas na Bíblia ou em qualquer outro texto religioso são verdadeiras – pelo menos, não no sentido em que dizemos, por exemplo, que houve um acidente de carro na última segunda-feira às 2 da tarde. Vale notar que a discussão que proponho, sobre os argumentos a respeito da existência de Deus, passa um tanto ao largo das tradições religiosas. Mesmo que você consiga provar que estou errado – que existem, sim, bons argumentos para sustentar a existência de um Deus –, haveria um grande salto, um verdadeiro abismo, entre essa afirmação e a crença, por exemplo, na divindade de Jesus Cristo ou nas restrições alimentares que tantas religiões reforçam. Uma coisa não se segue diretamente a outra. A existência de Deus não justificaria esses mandamentos e restrições. Ou, para dizer o mesmo com uma pitada de sarcasmo, não há elo causal entre “Deus existe” e “é proibido comer batatinha frita nas sextas-feiras”. [Parece que o sarcasmo (ou o preconceito) está impedindo Paulos de estudar outras áreas do conhecimento fora da matemática. A arqueologia tem mostrado que muitos relatos bíblicos tidos como mitológicos são, na verdade, fatuais. Basta ler os textos postados na seção “Arqueologia bíblica”, aqui no blog. E as regras dietéticas ou “restrições alimentares” têm-se provado uma bênção para aqueles que as obedecem. Por que será que os adventistas que praticam essas regras vivem até dez anos a mais, segundo pesquisas? Contra fatos, não há argumentos. - Michelson Borges]. Quanto a exposições exaustivas relativas às evidências históricas da divindade de Jesus Cristo, indico os livros "Filosofia e Cosmovisão Cristã", de William L. Craig, "Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu", de Norman Geisler e "Evidências Que Exigem Um Veredito", vols. I e II, de Josh McDowell.


Veja - Quanto respeito um ateu deve ter por uma religião?


Não acredito que você deva sair por aí insultando as pessoas, como Christopher Hitchens faz. Mas, em algumas situações, na companhia de pessoas religiosas, uma pergunta simples pode ser útil: “Você acredita mesmo nisso?”. É um modo de quebrar o encanto. Esse pode ser um benefício dessa onda de livros ateus: tornou mais aceitável fazer esse tipo de questionamento. ... [A entrevista é muito fraca e Paulos se mostra por demais simplista. Parece que nunca fez a tal pergunta para um cristão esclarecido. Eu poderia também perguntar para ele: “Você acredita mesmo nisso?” “Como prova que Deus não existe?” “Você é mesmo cético? É cético quanto ao seu ceticismo? Se não, não é cético.” Como se pode ver, as perguntas podem ser multiplicadas de ambos os lados da questão, e as coisas não podem ser resolvidas assim tão facilmente como Paulos quer. No último terço da entrevista, o repórter Jerônimo Teixeira muda o foco para discutir especificamente a matemática. Será que percebeu que o assunto “ateísmo” não rendia mais? Repito: Irreligion é um livro ilógico, pois tenta aplicar a lógica matemática aos domínios do transcendente. A ferramenta, portanto, é inapropriada. Ademais, Paulos comete erro semelhante ao de Dawkins e Hitchens: ataca um espantalho, um arremedo de religião, um estereótipo alimentado pela mente fundamentalista dos anti-religiosos. Mas parece que os ateus têm mais direito que os teístas de falar de religião nas páginas amarelas... - Michelson Borges]. Concordo com o Michelson. Como continuação cabível deste artigo, BREVEMENTE ESTAREI EXPONDO AS CONTRA-ARGUMENTAÇÕES DO MATEMÁTICO JOHN ALLEN PAULOS, DO SEU LIVRO ´IRRELIGION´, e as do famoso ateu norte-americano, Sam Harris, que escreveu um livro desafiador, intitulado "Carta A Uma Nação Cristã", e refutando-as. Aguarde!

Fonte: Criacionismo

Em Cristo Jesus,
Pr. Artur Eduardo

4 comentários:

ELDER disse...

Faltou usar a matemática para mostrar a total inconsistência e "ilogicismo" do Darwinismo, algo que é muito fácil de fazer. Será que a sua religião do materialismo filosófico não permite isso?

vivi disse...

inlogico é o raciocinio dessa alma sem Deus desse jeito ele tá muito bem???!

J. Carlos disse...

A teoria dele é idêntica à cara "horrível".

As Muitas Vidas ... disse...

Vocês já pensaram alguma vez na vida que Deus pode ser apenas um conceito? ou que Ele tenha a mesma natureza dos deuses, semideuses, divindades, xamãs, toténs, fetiches, etc, e tornou-se o Deus Único por evolução dos conceitos? Já imamginaram que as religiões podem ser apenas superstições mais elaboradas, a partir da construção de seus livros, sua teologia, doutrina ou sua literatura? Já observaram que sendo o Univereso eterno ele não precisa de um criador? Assis Utsch (www.divinamagia.com.br)

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