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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Evento de Apologética em Olinda, com as participações dos prof. Artur Eduardo e André Holanda

INSTITUTO ALIANÇA PROMOVE EVENTO DE APOLOGÉTICA EM OLINDA (PERNAMBUCO)

Os professores, dr. André Holanda (UNICAP) e o dr. Artur Eduardo (IALTH) estarão ministrando um curso intitulado "Iniciação à Apologética Cristã", no auditório da Livraria Luz e Vida, no novo Patteo Shopping, em Olinda. O curso está marcado para o dia 4 de Agosto, das 09:00 às 16:00. Momento importantíssimo para os que se interessam por Apologética, Teologia e Filosofia da Religião. Para mais informações, veja o cartaz abaixo:


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Análise do filme "A Bruxa", sob uma perspectiva cristã




"...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios",
2 Coríntios 2:11b

Primeiro, gostaria de tranquilizar o leitor acerca deste texto e explicar-lhe o que ele não é. Não é nenhuma "crítica" ao filme "A Bruxa", até porque não sou crítico de cinema. Por isso mesmo, fico à vontade para falar sobre spoilers, e você fica à vontade para lê-los ou não. Começo também dizendo que não indico ver o filme àquelas pessoas que são impressionáveis, pois o filme impressiona. Já havia lido algo da crítica especializada e, de tanto falarem sobre clichês, incorreram num clichê da crítica: reclamaram sobre o final, por que, em sua maioria, queriam que tudo ficasse mais implícito. Mas a proposta do filme não deixar nada "implícito", pelo contrário, é explicitar tudo mesmo, mas desenvolvendo uma história que já começa densa e termina ainda mais densa. Logo, este ensaio não é um elogio, uma crítica especializada, uma detratação. Nada disso. É uma análise a partir da ótica da apologética cristã. 

Já fui um cinéfilo. Assistia filmes porque gostava. Hoje, nem de longe sou como eu era em relação a filmes. Mas, há muito tempo constatei algo acerca de filmes bons, blockbusters, clássicos, de arte, rentáveis, cult, etc., é que ninguém gasta milhões, dezenas de milhões ou até uma centena de milhão   de dólares com um único propósito de "entreter". Conta outra! Se somas são milionariamente sérias para a composição de filmes, então aqueles que ganham fama, dinheiro e prestígio pelos tais são os mais meticulosos em relação a mensagens. 


Desde a década de 60, com a real popularização dos filmes de terror, um grande filme - ao meu ver - surgiu, por década. Nos anos 60, foi "O Bebê de Rosimary". Aquele filme inaugurou uma nova estética que, popularmente, estava sendo vista (e massificada) no cinema, que não era outra senão a nova forma de se falar no satanismo. O satanismo dito "tradicional" saía dos esgotos de onde surgira, para ser glamourizado. Mostrar senhores e senhores de avançada idade em tramas envolvendo atores de 7, 8, 9, 12, 15 anos, revelando um ocultismo mais psicológico do que visualmente visceral foi um trunfo para o polêmico diretor Roman Polanski. Na década de 70, veio "A Profecia", que, baseado na Bíblia, mostrava o anticristo sendo adotado por uma família em que o homem era um importante político americano, que se tornaria embaixador na Grã-Bretanha. Lá, Satanás desenvolveria seu plano para que a criança se tornasse, futuramente, o presidente dos Estados Unidos. Na década de 80, o filme "Adoradores do Diabo" revelou o lado oculto mas real da bruxaria africana na Europa e nos EUA, com seus esquemas de tráfico de pessoas (da África) para sacrifícios em países ricos, por famílias de políticos, empresários e outras pessoas influentes, ávidas por mais poder e prestígio. Na década de 90, o diretor de "O Bebê de Rosemary" volta à polemizar, desta vez com "O Último Portal", um filme que revela os meandros do satanismo tradicional na Europa. Realmente - e entendam o que digo -, parece que houve uma "inspiração satânica" para a realização desta película, recheada de falsas ideias, como a de que Satanás é praticamente onipotente e onisciente, tal qual Deus. Os anos 2000 foram um pouco escassos quanto a filmes que revelassem o satanismo tradicional, mas esta escassez foi suprida com o sinistro "A Bruxa", ainda nos cinemas no começo de Abril de 2016. 


"A Bruxa" é um filme forte também porque é visualmente forte. O detalhismo em reconstruir a adaptação de uma família de puritanos ingleses no interior dos Estados Unidos, no século XVII (1630, para ser mais exato) é primoroso. As nuances cinzas, que acompanham todo o filme, dão o ar melancólico que requer a trama. A fotografia da película, inclusive com as cenas à luz de velas, já foi muito comentada e elogiada mundo afora. A bruxa, do título, na verdade não é uma, mas várias, que vivem na floresta, adorando o diabo. Até aí, nada novo. A questão diferencial de "A Bruxa" é o que acontece à tradicional família puritana que é expulsa do vilarejo onde vive, ao que tudo indica, por discordância do patriarca com a liderança da igreja local, que também liderava o vilarejo. O pai, a mãe e 5 filhos - uma adolescente com seus 18 anos, um irmão menor, dois gêmeos crianças e um bebê - afastam-se e vão morar ao lado de um bosque sombrio. O diretor afirma que parte dos diálogos foram extraídos de julgamentos reais que aconteceram na região da Nova Inglaterra, no século XVII, fruto de pesquisa da produção. A partir daí, os elementos foram montados com perfeição: a mini-fazenda que é criada pela família, de imediato revela sua fragilidade ante o oculto, representado pelo bosque ao lado. A bruxa que rouba o bebê do casal para com as entranhas do mesmo fazer uma mistura com a qual se banha para adquirir, certamente, mais poder vindo das trevas, vale-se de todas as artimanhas que se pode imaginar. Além disso, se nos é sugerido que demônios transformam-se em animais, causando um terror mais psicológico do que físico nas personagens envolvidas. 


Na desmoronação familiar que se segue após o sumiço do bebê da família, percebemos que as estruturas tradicionais da sociedade (Igreja, família, a sexualidade, etc) são desconstruídos, para entendermos como os mesmos estão engessados, deformados pela consciência cristã que varreu o Ocidente. O fanatismo religioso do casal não os impede de serem extraordinariamente duros, principalmente com a filha mais velha, em quem é despejada a culpa pelo desaparecimento do bebê, por ter sido a última a estar com ele. O menino, crente fervoroso e com dúvidas sinceras sobre a fé de sua família, à certa altura se vê atraído sexualmente pela irmã, o que nos é mostrado com naturalidade. Mas, íntegro, tenta ajudar o pai com uma mentira que o mesmo conta à esposa, repreende como pode a irmã mais velha, que mostra tendências a não obedecer espontaneamente a fé que procurava servir. Mas, é enfeitiçado e, numa confusa cena que mais parece um exorcismo, o menino expira ante seus irmãos e pais, com aqueles não podendo orar a Deus (porque também se revelariam enfeitiçados) e estes, seus pais, aprisionados cada vez mais em sua supersticiosidade legalista. Ao invés de conquistar os filhos, praticamente os entregam de bandeja aos caprichos de Satanás, que, segundo o filme, passa a rondar literalmente a casa, sob a forma de um bode preto, intitulado pelas crianças de "Black Phillip" ("Filipe Negro"). No fim, o que parece loucura vence e as neuroses supersticiosas, que de certa forma tinham eco na realidade, abrem espaço para que a adolescente da família, diante de todos mortos e com nada a perder, invoque o demônio que age sob a forma do "Black Phillip" e a direcione para uma vida comunhão total com o mal, com direito à assinatura no livro das bruxas, black shabbath na selva e levitação. 


O contraste entre o irmão mais novo da adolescente chamada "Thomasin", que termina virando bruxa, é gritante. Seu encontro com Cristo, antes de sua morte, é uma metáfora de desdém, pelo que percebi. Não há nada de "belo" na morte do garoto, salvo suas palavras. Sem saber se o mesmo delirava por causa da feitiçaria que lhe fizeram (antes de morrer, ele expele uma maçã podre), a família e o expectador veem, morbidamente, o menino, depois de orar desesperado, afirmar que estava vendo o Senhor Jesus vindo lhe buscar. Suas palavras parecem sinceras (palmas para a atuação do pré-adolescente que interpreta magistralmente a cena) e entende-se que, de fato, estava tendo uma visão. Mas, logo após a mesma, ele sucumbe, deixando seus pais confusos, os irmãos desmaiados e o patriarca sem saber o que fazer. Obviamente, esta cena é completamente diferente da final, onde a comunhão da irmã mais velha com Satanás é revelada com toda a força que, supostamente, há nos rituais de magia negra em que o demônio se manifesta. Não é à toa que o alvoroço acerca do que se significa a experiência cinematográfica de "A Bruxa" é tão controversa: para uma geração "rasa", que cultua vampiros e lobisomens gays e emos, o filme parecerá completamente sem sentido, pois suas mentes não alcançam o nível de crítica que se quis fazer às estruturas da sociedade ocidental, principalmente a religiosa protestante que colonizou os Estados Unidos. Para curiosos "neutros" quando o assunto é religião, uma incursão no ocultismo é obviamente sugerido por quem fez o filme, quase como se a floresta ao lado da fazenda onde se instaura a família atormentada do filme, fizesse às pessoas um convite para que, por sua conta e risco, "entrassem" e se "aventurassem" com as forças ocultas que ali habitam. 


Como seres racionais, somos ambíguos: o que nos dá medo, de certa forma também nos fascina e parece que estamos buscando aquilo que, em nossas mentes, sabemos que não deveríamos. O ato de se entregar completamente, depois do cansaço físico e emocional,  àquele que está diante de nós, oferecendo-nos "uma vida de deleites e luxúria", como é dito à protagonista do filme, parece ser retratado como a saída lógica, a única ação que, por mais controversa que pareça, faz sentido, pois o que se deixa "pra trás" é uma religiosidade hipócrita, feita e vivida por pessoas sem afeição natural, sem misericórdia, mais fanáticas do que amorosas, que falam de Deus, mas que de fato nada conhecem de Deus. É exatamente nisto que Satanás tem se valido para, através de filmes como "A Bruxa", expelir todo o seu veneno psicológico, inspirando espiritualmente, com ares de brilhantismo cinematográfico, cineastas que, muitas vezes, tiveram ou têm fortes experiências com o oculto e péssimas experiências pessoais com comunidades religiosas, das quais, muitos de Hollywood vieram. Essa soma de fatores peculiares produz uma meca cinematográfica que, hoje, está total e completamente comprometida em desconstruir paradigmas, inclusive o Cristianismo, para retratá-lo à luz desta mesma inspiração luciferiana, que obviamente ressalta o lado desfuncional, enfermo da Igreja, que são as pessoas que se cercam e veneram mais as suas tradições do que aquilo para o que as tradições apontam: o real cristianismo.


"A Bruxa" será um filme amado por uns, odiado por outros, mas, da forma que deve ser visto, será amado/odiado por poucos. Isto é, poucas pessoas o verão da forma como deve ser visto, para amá-lo ou odiá-lo da forma correta. Em relação aos cristãos, creio que o odiarão, sim, mas pelos motivos errados. Pelo (pouco) terror que mostra, com sangue e vísceras que impressionam muito mais, de um modo geral, do que o intuito com que, por exemplo, estão sendo usados. Como não há um visão clara do valor estético das obras, hoje, sua real mensagem passará despercebida. Mas, ainda que subliminarmente, a mensagem mais superficial que permeia todo o filme será compreendida; e não é outra, senão um claro e inequívoco convite para se conhecer as forças que, segundo nos é mostrado, são as que "abraçam os seres humanos em seus momentos mais agudos de dor e desespero", que são as forças das trevas. O que é facilmente esquecido, contudo, por quem avidamente abraça essas forças por sugestão de filmes assim, é que os mesmos ainda assim revelam que foram aquelas mesmas forças das trevas que causaram toda a dor e desespero, impingidos nos seres humanos, que, posteriormente, confusos e desesperados, por elas mesmas são abraçados. 

Cartaz de divulgação do filme "A Bruxa", com o subtítulo: "Um Conto Folclórico da Nova Inglaterra" e, mais abaixo, "O Mal Assume Muitas Formas".

Vale mais uma vez lembramos as palavras do Apóstolo Paulo: "...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios", 2 Coríntios 2:11b.

Artur Eduardo

quarta-feira, 30 de março de 2016

Papa e Franklin Graham discordam sobre quem é "filho de Deus". Mas, o que dizem as Escrituras?


  • A onde crescente de ataques terroristas islâmicos no mundo tem causado diferentes reações. Desde o surgimento de milícias cristãs, até campanhas de oração, os cristãos procuram se posicionar de várias formas.
Quando foi divulgado que terroristas islâmicos fizeram um ataque suicida visando apenas os cristãos no Paquistão, o saldo foi 70 mortos e cerca de 350 feridos, a maioria mulheres e crianças.
Imediatamente, o pastor Franklin Graham, líder a Associação Evangelística Billy Graham, usou seu perfil no Facebook para trazer uma mensagem de conforto:
“Como cristãos, sabemos que quando a morte chega para alguém que confiou em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, somos conduzidos à presença de nosso Pai Celestial e viveremos eternamente em Sua presença. A sepultura não tem poder sobre o crente!”, escreveu.
No mesmo texto, após dizer que soube da ameaça do grupo terrorista em fazer outros atentados em breve, lembrou: “Os muçulmanos querem a sharia… para que o mundo inteiro se curve ao Islã. Isso não vai acontecer. A Palavra de Deus nos diz que um dia ‘ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai’. (Filipenses 2: 10-11). Eu sirvo um Salvador ressuscitado!”.
O papa Francisco também falou de modo genérico sobre o terrorismo em sua mensagem pascal no domingo.
“Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas”, diz o documento.
Curiosamente, na quinta (24), o pontífice fez na cerimônia do lava-pés, um discursou enfatizando: “Todos nós, juntos: muçulmanos, hindus, católicos, coptas e evangélicos. Somos irmãos, filhos do mesmo Deus. Queremos viver em paz, integrados”, disse Francisco.
NOTA: "Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos ´filhos de Deus´, a saber, aos que creem no seu nome", João 1:12.
Fonte: GP

domingo, 27 de março de 2016

Quem são os "escolhidos" de Mateus 22:14? Discurso e analogias


A passagem "muitos são chamados, poucos os escolhidos" aparece no Evangelho de Mateus, em duas ocasiões distintas: em 20:16 e 22:14. Em ambas as passagens, as palavras são as mesmas: "Πολλοί. γάρ είσι κλητοί, όλiγοι δέ έκλεκτοί". Vejamos o contexto do texto de Mateus 22:14:

"De novo, entrou Jesus a falar por parábolas, dizendo-lhes: O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas. Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram. O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade. Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados. Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos", (Mt. 22:1-14). 

A primeira coisa que nos salta aos olhos é a expressão: "Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu". É claro que, quando digo "primeira", levo em consideração que o leitor percebeu a livre ação dos que foram chamados às bodas do rei. Outro ponto interessante é a reunião de "maus e bons" à mesa do rei ("πονηρούς τε καί άγαθούς"). O homem, contudo, sem as vestes nupciais, foi aquele que seria lançado nas "trevas exteriores". Bem. A pergunta que não quer calar é: como se aplica a esta parábola a frase "muitos são chamados, poucos os escolhidos"? Ora, pelo contexto, "escolhidos" foram todos aqueles que, à mesa, estavam preparados. "Escolhidos", no texto, são os convidados que, mesmo sem muita intimidade com o rei, foram às bodas, após serem convidados. Ainda assim, havia alguém, entre os que foram que não estava devidamente preparado: o homem que não havia se trajado adequadamente para a festa.

Não podemos nos esquecer de que esta perícope retrata uma parábola. E, com as regras hermenêuticas acerca das parábolas, sabemos que há um ensino central e, possivelmente, outros secundários. Com certeza, o ensino central não é falar acerca da eleição incondicional, como pretendem alguns. Mas, longe disso, é mostrar como a preparação é importante para aqueles que ´ouvem´ o chamado do Rei. É inevitável que façamos uma analogia com a fé salvífica, resposta adequada ao chamado do Salvador que, indubitavelmente, é associado ao rei da parábola. Por que é importante fazermos associações, analogias? Porque esse é o intuito de tais discursos. Note que Jesus começa, nesta perícope, revelando como o Reino dos Céus é semelhante a...; isto é, a essência de qualquer parábola é um ensino análogo. Façamos outra analogia: imagine uma agência de trabalho. Faz-se uma seleção e 100 pessoas se classificam até àquela etapa. Contudo, só há 25 vagas. O responsável pela seleção diz aos 100 classificados que os primeiros 25 a chegarem no outro dia, antes das 08 horas, serão os contratados. 25 chegam e são contratados. Quem foram os "escolhidos" desta seleção? Obviamente que foram os 25, mas o foram porque chegaram antes. Associe este "chegar antes" a preparar-se adequadamente para as bodas do filho do rei: todos foram chamados, poucos foram escolhidos. Ora, se devo desenvolver uma fé que cresça, por exemplo, como cresce um grão de mostarda, então como ser autônomo que sou, devo canalizar minha fé - mediante a qual somos salvos, cf. Ef. 2:8-9 -, para que seja uma resposta devida ao Criador.


De fato, a parábola das bodas do filho do rei ilustra bem o que queremos defender aqui. Os "escolhidos" não são, em hipótese alguma, pessoas especiais, pessoas com quem "Deus estabeleceu de maneira inefável, inenarrável, indiscernível" um relacionamento "especial", em detrimento de todas as demais, que não são de fato o alvo de sua Graça salvadora. Esta ideia NÃO se encontra presente em textos como o de Mateus 22. Pelo contrário, há uma analogia em que se apresentam todas as fraquezas, deficiências e a ingratidão do sentimento humano em relação à ação do divino. Esta corrupção, digamos assim, inclina o Homem a afastar-se de Deus, mas não o impede de saber, de conhecer, de discernir o certo, que leva à vida, do errado, que leva à morte. Este discernimento é o ponto neuvrágico de vários textos bíblicos, inclusive naqueles em que a fé aparece como uma atribuição da racionalidade humana, isto é, da maravilhosa capacidade de o Homem crer:

"Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade", Ef. 4:17-24. 

Esta primeira série de ordenanças do texto paulino, que subjazem ante à realidade da "fé salvífica", renovadora, transformadora do Evangelho, ilustra bem a questão. Só homens e mulheres que creram, podem ouvir as "ordens", as prescrições do Ap. Paulo. Observe que, mesmo após crerem, suas prescrições lhes dizem respeito, e não apenas a uma ação do Espírito, que passa a operar após a decisão consciente de me deixar ser guiado, orientado por Ele.

"Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" Gálatas 5:16-17

Esta é a realidade da eleição: há um esforço, uma responsabilidade, um "chegar antes de 8" (como no exemplo acima), que deve ser satisfeito. Antes da conversão, é a fé. Depois, a santificação. E é nisto que consiste a Eleição de Deus. Aqui, JAMAIS encontra-se qualquer ideia de uma "salvação por obras", ou algo parecido. Mas o desenvolvimento natural do que a Bíblia nos revela, de fato, acerca do processo salvífico e de santificação de Deus. A maior alegria de um criador humano de robôs é a de ver sua criação tomando decisões autônomas. É claro que não igualo robôs autômatos a seres humanos, pois robôs jamais terão alma. Mas, ainda que guiados pelo determinismo físico das rígidas leis matemáticas e físicas de nosso universo, a ilusão de um "livre-arbítrio" entre máquinas autômatas é, sem dúvida, a maior realização para um gênio inventor de tais robôs.


Quando o Homem construir uma geração de robôs que simulem o cuidado, a especulação, o sentimento, a defesa do justo, do correto e ajam e falem como outros seres humanos, então este será, sem dúvidas, o ápice para a robótica. Não só porque se construíram máquinas autômatas, mas máquinas autômatas à nossa semelhança. E serão esses robôs, autômatos, e só estes e todos a partir destes, que a História, posteriormente, chamará de "escolhidos" pelos seres humanos como seus favoritos. A escolha, análoga à divina, não se dá por qualquer diferença em si, pois tanto robôs autômatos quanto não-autômatos continuarão sendo robôs. Mas, por uma qualidade que os distingue e que se aplica a quaisquer robôs autômatos. Todos serão eleitos pelo Homem. Todos serão a sua semelhança.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Breve história do avivamento da "Rua Azusa", o berço do pentecostalismo contemporâneo - Parte II

Dando sequência a primeira parte do artigo dedicado a História do reavivamento da Rua Azuza, essa segunda parte vai tratar das biografias dos dois grande nomes do Pentecostalismo mundial: Parham e Seymour. Ao final, há umas poucas linhas dedicadas a fatos curiosos sobre esse período. Para esse estudo foram utilizadas duas obras que tratam do tema: “2000 Years of Charismatic Christianity” de Eddie L. Hyatt e “Thinking in the Spirit: theologies of the early Pentecostal movement” de Douglas G. Jacobsen, além de consultas ao site www.christianhistoryinstitute.org.
Nos dias que se seguiram após a histórica reunião do dia 6 de abril de 1906 em casa dos Asberry, na Rua Bonnie Brae, 244 em Los Angeles – Califórnia – EUA, quando aconteceu a manifestação espontânea e contagiante do Espírito Santo, ocorreu algo inesperado: multidões cada vez maiores, como que atraídas naturalmente, começaram a convergir para lá. Segundo Douglas G. Jacobsen, destacado estudioso do  pentecostalismo na América, todos os indivíduos dessa primeira reunião foram atingidos; caíram ao chão e imediatamente começaram a falar em linguas estranhas bem como muitos da multidão sque para lá acorria diariamente, também receberam esse poder.
Com a multidão – cada vez maior – se acotovelando espremida na casa, chegou ao ponto do alpendre ceder ao peso de tantas pessoas, levando a liderança a rapidamente optar em mudarem-se para um local maior. O prédio escolhido foi o templo que sediou a congregação Metodista Episcopal Africana na Rua Azuza, 312. Em condições precárias, ele abrigava simultaneamente um estábulo e um armazém geral. Seymour e voluntários, limparam o local, improvisaram um púlpito ao centro do salão e com barris antigos de prego, construíram bancos, colocando tábuas sobre eles. Assim, nessas condições e ainda inflamados pelo fervor espiritual, no dia 14 de Abril de 1906, a Missão abriu suas portas para o público.
O movimento pentecostal inicialmente envolveu um minúscula parcela da população cristã nos EUA, abrangendo no ano de 1925, em torno de 100 mil seguidores contra mais de 100 milhões de cidadãos norte-americanos. Teve início basicamente constituído da classe trabalhadora, embora alguns poucos mais pobres e mais ricos também fizessem parte. Geograficamente compunham de toda parte dos EUA, porém não constava, até onde se sabe, nenhum nome da elite intelectual norte-americana.

Charles Parham deflagra o braseiro

Negar a importância de Parham para o movimento de reavivamento da Rua Azuza é cometer desonestidade intelectual. Se foi sob a liderança de Seymour que o movimento viveu seu apogeu, foi com Parham que Seymour teve o entendimento teológico e o despertamento de buscar pelo reavivamento. Charles Fox Parham (1873-1929), foi um evangelista itinerante, de influências metodista e no protestantismo britânico. Ele tinha uma visão pessoal de levar o evangelho em nível mundial, por outro lado, era da opinião que a igreja do seu tempo ainda não estava capacitada com o poder espiritual necessário para cumprir o mandado da “Grande Comissão” (Marcos, 16:15).
Ele ansiava pelo derramamento efusivo do Espírito sobre a Igreja que a tornaria uma força dinâmica e ativa na terra. Após viajar por diversos lugares dos EUA, ele decide, em outubro de 1900, juntamente com sua esposa Sara e a cunhada Lilian Thistlethwaite, abrir a Escola Bíblica Betel em Topeka, Kansas. A escola tinha o propósito de obedecer e viver os mandamentos de Jesus e foco em oração constante, na qual os alunos mantinham-se intercalando em vigília de oração diuturnamente.
Um fato curioso desse período, foi quando o aluno Capitão Tuttle teve a visão de como se fosse um corpo d’água pairando sobre a escola quase por transbordar. Parham interpretou essa visão como se o derramamento do Espírito Santo estivesse para acontecer em breve, o que fez aumentar ainda mais seu senso de urgência em relação a estar preparado para essa grande visitação pela qual ansiava.
Há três dias da véspera do Ano Novo de 1900, Parham foi convidado a pregar na cidade de Kansas. Antes de partir ele estimulou seus alunos a estudarem o assunto “Batismo no Espírito Santo”, pesquisando por objetivos e evidências bíblicas – especialmente no livro de Atos – na qual uma pessoa pudesse assegurar-se verdadeiramente que havia recebido o batismo no Espírito Santo. Quando ele retornou, na véspera do Ano Novo, reuniu os alunos e quis saber a conclusão que tinham chegado. Para sua surpresa, todos tinham chegado a mesma conclusão: a prova cabal do batismo no Espírito Santo era o falar em novas linguas (glossolalia).
No culto da vigília para a passagem do ano (1900-1901) – ou culto da virada como é conhecido hoje – perto das 23h, às vésperas do século XX, Agnes Ozman (1870-1937) reconhece a autoridade espiritual de Parham e pede que ele ore para ela receber o batismo no Espírito Santo conforme vinham estudando e buscado há tempos. Um tanto hesitante com o pedido inusitado, ele impõe sua mão sobre a cabeça dela e após proferir umas poucas palavras ela foi tomada pelo Espírito Santo e começou a falar numa outra lingua e assim permaneceu por três dias, sem conseguir falar seu próprio idioma. Provavelmente no dia 3 de Janeiro de 1901, o próprio Parham também recebeu o batizado no Espírito Santo. Vários outros que foram para a Escola Betel buscar o batismo no Espírito Santo nesse período, também receberam. Contudo, no verão desse mesmo ano, a casa que abrigava a escola foi vendida e o grupo disperso.

William J. Seymour, o líder do reavivamento da Azuza

William Joseph Seymour nasceu em Centerville, Louisiana no ano de 1870. Filho de ex-escravos católicos, ele e seus irmãos acabaram por ser batizados na Igreja Católica. Por conveniência da distância, frequentavam uma Igreja Batista próxima à sua casa. Na infância era conhecido por ter sonhos com viés espiritual e visões.
Aos vinte e cinco anos mudou-se para Indianápolis e engajou-se na Igreja de Deus, organização cristã de orientação multirracial e santidade. Essa característica de aproximação e conciliação entre brancos e negros, em tempos de segregação racial foi um ponto marcante na personalidade de Seymour. Em 1900, foi para Cincinnati, onde frequentava de forma irregular a Escola Bíblica de Deus. Nesse período contraiu varíola que acabou por deixá-lo cego permanentemente do olho esquerdo. Em 1903, Seymour volta para o Sul e passa a viver como um reavivalista itinerante entre o Texas e Louisiana.
Em 1905 os destinos de Seymour e Parham se cruzam. Nesse ano, Seymour estabeleceu-se em Houston, Texas e passou a frequentar uma igreja de orientação focada em santidade, pastoreada por uma mulher de nome Lucy Farrow. Lucy foi convidada a ser governanta da família Parham em Kansas e deixou Seymour incumbido de dirigir a igreja. No entanto, Lucy permaneceu pouco tempo lá e quando voltou, a família Parham também veio para Houston. Nesse mesmo ano, Parham dirigiu campanhas reavivalistas bem sucedidas o que levou jornais locais a noticiarem sobre curas e outros fenômenos que ocorriam nesses cultos.
Numa visão para preservar a chama do reavivamento acesa, Parham abre a Escola Bíblica – com treinamentos de curto período – para formar obreiros e líderes que dessem seguimento ao trabalho. Seymour ao tomar conhecimento desse curso, matricula-se imediatamente. Isso tornou-se um problema, pois Seymour era negro e as leis de segregação racial e costumes da época impediam que ele frequentasse as aulas com brancos. Parham – que era branco – contorna a situação instruindo Seymour a ficar sentado numa área anexa, de onde poderia ouvir e assistir às aulas, cuja sala era mantida com a porta aberta com esse propósito.
Seymour afirmou certa vez: “Antes de encontrar Parham, eu já vivia faminto por mais de Deus em meu coração. Orei cinco horas por dia durante dois anos e meio. Fui para Los Angeles e lá essa fome por mais de Deus permanecia a mesma. Orei, ‘Deus, o que eu faço?’ O Espírito Santo disse: ‘Ore mais’. Clamei: ‘Senhor, já estou orando cinco horas ao dia’. Aumentei o período de oração para sete horas ao dia e assim permaneci por mais um ano e meio. Orei a Deus pelo que Parham tinha pregado; receber genuinamente o Espírito Santo, com fogo, linguas, amor e o poder de Deus como os apóstolos tiveram”.
Antes de completar o curso com Parham, Seymour recebeu um convite de Los Angeles de Neeley Terry, amiga de Lucy Farrow, para pastorear uma congregação de lá. Após ter orado sobre a proposta, decide aceitar. O próprio Parham providencia sua passagem de trem e o abençoa na nova etapa. Nesse período, Seymour já tinha superado a fase da mera teologia da santidade e sob tutela de Parham estava se tornando no pentecostal que aguardava ansiosamente o derramamento do Espírito Santo sobre sua vida.
Em Los Angeles, ainda sem ter recebido o batismo no Espírito Santo, Seymour prega sobre o falar em linguas como evidência genuína do batismo no Espírito Santo. Líderes da igreja ficaram chocados e acharam essa abordagem inaceitável, fechando as portas da igreja para ele. Contudo, alguns aceitaram a mensagem e o acolheram; entre eles Edward Lee, e o casal Richard e Ruth Asberry que cederam sua casa para as reuniões.
Na noite do 6 de abril de 1906 em casa dos Asberry, na Rua Bonnie Brae, 244 em Los Angeles – Califórnia – EUA, enquanto tomavam sopa, após anos de intensa busca, uma vida dedicada à santificação, começando pelo Sr. Richard Asberry, o Espírito Santo manifestou de tal forma que impactou-o repentinamente; não suportando tamanho poder, caiu ao chão e passou a falar em linguas estranhas. A fagulha inflamou-se e outros, inclusive Seymour foram batizados no Espírito Santo e falaram em novas linguas.
Após a mudança para a Rua Azuza, Seymour consolidou-se como um líder pentecostal. Tinha reputação de homem com um coração humilde, intercessor e adorador obstinado, que dava oportunidade para muitos pregadores itinerantes e outros líderes que para lá acorriam. Ao menos duas vezes teve que tomar posição e confrontar dois líderes pentecostais famosos que pretendiam arrebatar a Missão de suas mãos. O primeiro foi seu ex-professor Parham e o segundo William Durham. Em ambos os casos Seymour estabeleceu-se como líder, reafirmando sua posição. Não permitiu confundirem-no com um simplório, fosse quem fosse, que pretendesse aproveitar-se da sua conduta cordial e da sua gentileza.

Fatos curiosos

Seymour orou por 4 anos, ao menos cinco horas por dia antes receber o batismo no Espírito Santo.
Da tradição pentecostal iniciada com Parham, Agnes Ozman foi a primeira pessoa a receber o batismo no Espírito Santo em 31 de dezembro de 1900.
Não havia nenhuma restrição para as mulheres dirigirem igrejas naquela época, haja vista, as duas que Seymour assumiu foi das mãos de mulheres (Neeley Terry e sua amiga Lucy Farrow).
Seymour casou-se apenas aos trinta e oito anos, após o reavivamento estar em franca expansão.
Após o falecimento de Seymour em 1922, sua esposa Jenny Moore pastoreou a Missão da Fé Apostólica até 1931, quando veio a falecer também.
No período de intensa segregação racial, Seymour foi iniciado no pentecostalismo por um pastor branco (Charles Parham) que usou de criatividade para que ele frequentasse as aulas de seu curso bíblico e tivesse o treinamento; essencial para posteriormente fazer o que tinha para fazer.
A Missão da Fé Apostólica era dirigida por um pastor negro, mas no início a grande maioria dos frequentadores era de brancos e hispânicos.
O reavivamento da Rua Azuza agregou e não dividiu as pessoas. Só não viu, nem entendeu isso, aqueles que estavam com os olhos fechados para a realidade.
Fonte: GP

E o povo clama "Hosana nas alturas!"..... SQN!!

Não, não tem jeito. Pode até ter o jeito de que tem jeito, mas não tem jeito. Não tem jeito, porque algumas coisas simplesmente não têm. Nossas instituições não têm jeito. E refiro-me também às igrejas. Não é à toa que o movimento chamado "desigrejista" cresceu exponencialmente e cada vez mais vemos pessoas vazias, duvidosas de tudo, menos da ideia de que as "igrejas" não são coisas boas para elas.
O problema é antigo, mas creio que o dilema vem desde a implantação dos Estados nacionais... que tiveram suas "igrejas nacionais", com "denominações nacionais" e tudo o mais que decorre daí. A institucionalização de uma entidade espiritual, como a Igreja, tem efeitos óbvios, previsíveis, mas espantosos a olhos vistos. Um dos tais é o esvaziamento do sentimento de comprometimento com o REINO DE DEUS, aliás, mensagem que está no fundamento, na base da história da Igreja. Esta foi a mensagem de JESUS, por exemplo, por todo o Evangelho de Mateus, no qual há os melhores ensinos do Mestre sobre o "Reino dos Céus" (vd. cap. 13).
Aquela ideia de Reino, tão falada, tão alardeada, tão propagada e paradoxalmente tão negligenciada pelas igrejas, hoje, é justamente o que faz da Igreja, Igreja. E aqui refiro-me ao sentido estrito, bíblico, não o lato. No sentido lato, "igreja" é prédio, é "basílica", é "santuário", é "templo", ideia perpetuada pelos romanos. No sentido bíblico, "Igreja" é ajuntamento, congregação. A Igreja descaracterizou-se tanto do conceito estrito, do qual nasceu, para um sentido lato vazio, cuja vivência não poderia causar outra coisa em suas respectivas "congregações", senão um aglomerado de pessoas, muitas das quais possuem, no máximo, retórica vazia, linguagem "espiritualista", religiosidade patente, nada mais.
Este sistema FALIU. Digo isso há anos. No impulso, não soube lidar com as consequências do que mesmo concluí - até porque me cerquei, como a maioria dos que leem estas linhas - de pessoas tão frágeis quanto eu, mas infinitamente mais iludidas com uma força que não sabiam que não tinham, inclusive de caráter... e refiro-me ao caráter cristão. Os que não aceitam a obviedade do que digo aqui, não o fazem porque não veem o que vejo, mas porque não querem que seja assim. Sua subjetividade, contudo, não anula o fato de que o sistema que lutamos para manter tem produzido tantas excrescências religiosas, que fica difícil ao maior dos entusiastas negar que, do que jeito que está, não tem jeito.
Com o que as "igrejas" passam seu tempo, hoje? Não é nem um pouco difícil responder: mesmo fingindo que não vemos, sabemos que o que predomina é a competição ministerial, as lutas descaradas por poder e influência, a política do apadrinhamento, uma espiritualidade debilóide, de um lado, para fazer com que a superstição continue custeando os desejos nababescos de líderes magalômanos; e por outro lado, um recrudescimento da fé ao ponto de vermos o que, penso eu, geração eclesiástica alguma jamais viu: uma gama enorme de cristãos que tenta se afirmar, reafirmando a Bíblia a todo o instante, vivendo, contudo, o mais longe possível dela, numa demonstração a olhos vistos da mais completa falta de espiritualidade - e, aqui, falo de mínima espiritualidade, de um pedido de perdão básico... de um reconhecimento mínimo por atos crassos que fazem corar até os mais descrentes.
O profeta pergunta retoricamente, "Quem creu em nossa pregação?" (Is. 53:1), lamentando uma das marcas do que seria o ministério do próprio Cristo: a "surdez" seletiva dos que o ouviriam. Como o próprio Senhor Jesus advertiu, em Mateus 24, que "como foi nos dias de Noé, assim será nos dias da vinda do Filho do Homem...", àqueles que devotam um pouco do tempo para pensar na confusão espiritual reinante de nossos dias, não existe de fato nada que não fora predito. Mas, ainda assim, tal fenômeno não deixa de surpreender, e entristecer. É triste vermos quantas "amizades espirituais" foram e são reprovadas nos testes do amor! Quanta euforia espiritual é interesseira! Quantas juras e palavras de ordem auto-dirigidas não conseguem passar no teste dos mais simples contratempos. Como, a exemplo dos dias de Jesus, parecemos com o povo que proclamara "Hosana nas alturas!" na segunda-feira, e crucificava o Filho do Homem na sexta!
A resposta? Não há respostas em palavras. Nem sempre há respostas prontas. O problema, penso eu, é por demais complexo. A resposta mal pensada pode se tornar um doloroso exercício demagógico, para quem escreve e para quem lê. Não me atreveria a dar quaisquer respostas, até porque, pelo que vejo, uma resposta definitiva não existe. O que existe é a esperança de que haja uma resposta. Na verdade, esta esperança encarna na pessoa de Cristo. ELE É A RESPOSTA. Sei que muitos, dentro e fora das igrejas, hoje, assumiram para si esta ideia, transformando-a em um "clichê" de nossos tempos. Entendendo você como clichê ou não, confio plenamente na força desta ideia: "CRISTO É A RESPOSTA", como diz uma canção antiga. E, como só Ele pode responder ao dilema desses sistemas religiosos que criamos, com todas as nossas tradições separatistas, desagregadoras, disfuncionais e arrogantes, então Ele, Cristo, precisa estar aqui para provar as nossas obras.... e queimar os edifícios criados de palha, feno, papel e madeira, bem como purificar mais e mais os edifícios intelectuais e espirituais construídos com ouro, ou seja, os que melhor refletem a verdadeira beleza e a grandiosidade do Reino de Deus, na terra.
Que Deus tenha misericórdia. Misericórdia, mesmo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

23 de Abril: Dia de Reflexão Teológica e Apologética no IALTH


No dia 23 de Abril, o IALTH estará promovendo um grande encontro com os palestrantes que você vê aí acima. Você, que mora em Recife ou na RMR, não pode perder: Ciências, Filosofia, Músicas, Evangelismo, Apologética, Pastorado.... Um momento de reflexão que envolve vários aspectos do conhecimento e avanço teológico que temos experimentado na região, e tão úteis em momentos de avanço do ceticismo/liberalismo ao redor do planeta. 

PRÉ-VENDA: DIA 18 DE MARÇO (SEXTA-FEIRA).

Fones: (081) 98877-2110 (Jackson), (081) 98619-6033 (Karina), (081) 98796-2843 (Fátima), (081) 99106-2354 (Artur). 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

VÍDEOS mostram os porquês da moral judaico-cristã ser a base da liberdade e avanço legais da civilização ocidental




Parte 1


Parte 2
Nota: Com o termo "tradição cristã", no vídeo, entenda-se "tradição católica". Os católicos, de fato, começam a contar os mandamentos pelo segundo mandamento e dividem o último, o décimo, em dois. Os cristãos evangélicos de um modo geral seguem a tradição judaica de contar os mandamentos, iniciando por "Não terás outros deuses diante de mim", conforme está no vídeo.


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7


Parte 8


Parte 9


Parte 10


Parte 11

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A Justiça de Deus: uma Proibição à auto-justiça. Uma exposição em Romanos, 9



OBS.: Não são necessariamente todas as considerações, do texto abaixo, escrito originalmente em inglês por Robert Picirilli, acadêmico de teologia estadunidense com quase 50 anos de ensino teológico universitário, são corroborados pelos idealizadores do blog "Fatos em Foco". Contudo, entendemos que a visão que advoga a existência do livre-arbítrio moral do Homem é a pregada nas Escrituras, em sua inteireza. 

 

DEUS IGNORA A CARNE(Romanos 9:1-13)

INTRODUÇÃO 
Entramos agora na quarta grande seção do livro de Romanos. Primeiro vimos a necessidade universal de justiça (1:18-3:20). Em segundo lugar, vimos a provisão divina para a justiça: a justificação pela fé (3:21-4:25). Terceiro, vimos o significado da experiência de justiça (5:1-8:39). Agora Paulo volta-se para um tema, especialmente, constrangedor: a rejeição Judaica da justiça de Deus (capítulo 9-11).
Esse assunto particular é tratado em Romanos de forma muito natural. Os Judeus tinham suas próprias ideias sobre a maneira pela qual o homem pode tornar-se justo diante Deus. A observância da Lei Mosaica era a essência do seu “método”. Porém, Paulo, a fim de provar seu evangelho, ao ensinar que a justificação é pela fé, teve de mostrar que a compreensão Judaica estava errada. Assim, nos capítulos anteriores, ele deixou claro que, a justificação nunca fora pela lei (3:20) e que os Judeus precisavam da salvação pela fé em Cristo, tanto quanto os Gentios (3:9).
O único método, então, de se tornar justo diante de Deus, para qualquer pessoa – Judeu ou Gentio – é pela fé em Jesus Cristo. No entanto, os Judeus como um todo rejeitaram a Jesus Cristo como Messias, Salvador e Senhor. O que acontece, então, a Israel? Que diremos sobre todas as promessas que Deus fizera aos Judeus? Tais questões naturais como estas, estão por trás destes três capítulos. Em essência, Paulo mostra que os Judeus não conseguiram alcançar a justiça de Deus porque eles tentaram substituí-la por suas próprias obras de auto-justiça. Esta é a razão pela qual intitulamos a Parte 4, como: “A Justiça de Deus: Uma Proibição à Auto-justiça”.
EXPOSIÇÃO
O versículo chave desses três capítulos inteiros (9-11) poderia muito bem ser Romanos 9:14: “Há injustiça da parte de Deus?” A finalidade básica desses capítulos, ao que parece, é responder a essa pergunta e mostrar que Deus é justo até mesmo em Sua relação com os Judeus rejeitados. Estes capítulos, por assim dizer, defendem a Deus em Suas ações em relação a Israel. E isso é especialmente verdadeiro para o capítulo nove. Você verá, verificando o esboço-geral do estudo, na parte de trás deste livro, que haverá três lições sobre o capítulo nove. O capítulo inteiro é a subseção A, da Parte 4, e lida com “A Rejeição de Israel e a Retidão Divina” (o comportamento adequado, justo). Esta primeira lição, a partir do capítulo nove, abrange os versos de 1-13 e, é intitulada: “Deus Ignora a Carne.”
1 UMA PREOCUPAÇÃO QUE INCLUI O ISRAEL CARNAL
(Romanos 9:1-5)
Paulo introduz esta parte de Romanos com uma referência pessoal. Ele tem um pesar pelos seus “parentes segundo a carne”, apesar do fato de que eles rejeitaram a Deus e Deus os rejeitou (os dois lados não podem estar separados). Ele gostaria de vê-los salvos e quer que esse fato seja claramente entendido, não obstante, ele tenha que dizer algumas coisas francas a respeito da incredulidade e da responsabilidade de Israel pela sua posição de rejeição.
Um Profundo Pesar (versos 1-3). Os Judeus são compatriotas de Paulo, o seu próprio povo. O pesar que ele sente pela rejeição de Israel ao Messias e pelo seu destino é natural. A expressão que ele usa aqui para esse pesar é uma parte que nos move e nos desafia quanto à nossa falta de preocupação com os perdidos.
1- A veracidade de sua expressão é afirmada no versículo 1. Três vezes, Paulo diz isto, para enfatizar: (1) eu digo a verdade, (2) não minto, (3) a minha consciência testemunha comigo. Para a primeira delas, ele acrescenta: “em Cristo”, o que “significa que ele fala em comunhão com Cristo, de modo que, a falsidade é impossível” (Denney). “Minha consciência testemunha comigo, no Espírito Santo” (tradução literal), significa que Paulo está certo de que, o Espírito Santo suscitou a sua consciência, a reconhecer que o que segue é, de fato, uma verdadeira expressão dos seus sentimentos.
2- A natureza da sua preocupação é clarificada no versículo 2. “Grande pesar” significa grande tristeza. “Contínuo lamento” refere-se à dor ininterrupta. As dores de tristeza que Paulo sente, por Israel, pesam, fortemente, sobre ele. Ele nunca está livre desse pesar. Weiss chama a atenção para a intensidade tripla, aqui indicada: partindo do “pesar” para o “lamento”, “do grande” para o “contínuo”, do “eu” para o “meu coração”. Não podemos perder o entusiasmo assim demostrado.
3- A extensão de seu sentimento é expressa, de forma surpreendente, no versículo 3. A expressão não chega a significar “Eu desejo ser amaldiçoado de Cristo, por amor de Israel,” o que poderia ter sido, facilmente, dito. Paulo quer dizer que ele desejaria esta maldição, sobre si mesmo, se fazê-lo, fosse correto e útil. Porém, não vamos amolecer demais as palavras. Os sentimentos de Paulo são profundos e auto-sacrificiais: Ele poderia ir para o Inferno, por causa dos seus irmãos raciais, se isso fosse possível!
Uma comparação adequada, muitas vezes, tem sido feita às palavras, emocionalmente, carregadas, de Moisés: “Se queres perdoa os pecados desse povo – se não, risca-me, peço-te, do teu livro” (Êxodo 32:32). Alguns têm dito que, deve ser deixado, aos homens da envergadura de Moisés e Paulo, o oferecimento de tais orações “irresponsáveis”. Talvez. Porém, todos nós devemos ser movidos por tais exemplos, a um compromisso mais profundo com o perdido, sacrificando os interesses egoístas, assim como, efetivamente, pode ser feito, para resgatá-lo.
Privilégios Desperdiçados (versículos 4,5). Os sentimentos de compaixão de Paulo, para com o povo judeu, são intensificados, ao recordar a sua antiga proeminência e bênçãos, na mão de Deus. Aqueles que chegaram tão alto no serviço de Deus, agora rejeitam o Filho de Deus e a justiça, oferecida por esse Filho. Assim, a tragédia da sua atual condição de perdição é composta por uma consciência de seus antigos privilégios e posição como nação. As várias palavras e frases, nestes dois versos são, entretanto, uma lista dos vários elementos da antiga bem-aventurança de Israel.
1- Israelitas. O nome lembra sua descendência de Jacó, especialmente, renomeado Israel, “príncipe com Deus” (Gênesis 32: 28). Este nome, então, fala, especialmente, de seu relacionamento com Deus, das suas prerrogativas espirituais.
2- A adoção. O termo “pertence” (fornecido) não é exigido: a expressão “de quem é a adoção” seria adequada. Isso se refere, à antiga posição especial de Israel, como “filho” de Deus (Êxodo 4:22). Lembre-se que, a palavra grega para “adoção”, literalmente, significa “filho-colocação” ou a posição de filiação.
3- A glória, Isso, provavelmente, volta o olhar para a “glória” visível, anteriormente, exibida no “santo dos Santos,” no Tabernáculo-templo, a glória “Shekinah” (confira Hebreus 9:5 e Êxodo 40:34).
4- Os pactos. Estes são os maravilhosos pactos e promessas, que Deus fez, com as figuras-chave, na herança israelita: homens como Abraão (Gênesis 12:1-3), Jacó (Gênesis 28:1-4), e Davi (2ª Samuel 7:8-16).
5- A outorga da lei. Esta foi o maior “aliança” de todas, feita com toda a nação, no Sinai. Note Êxodo 19:3-8 em particular, palavras que, imediatamente, antecederam a própria lei em Êxodo 20.
6- O serviço. Este volta o olhar para o ministério sacerdotal e o sistema de adoração tabernáculo-templo, incluindo todos os rituais, cerimoniais e os sacrifícios envolvidos.
7- As promessas. O Antigo Testamento estava repleto de promessas ao povo escolhido e cada etapa era o cumprimento das promessas anteriores. Todas estão incluídas aqui, como aquela, em que prometeu fazer de lombos de Abraão, uma grande nação física – uma promessa já cumprida. Quaisquer promessas, ainda não cumpridas, também estão incluídas. Porém, especialmente, na mente de Paulo estão aqui, provavelmente, as promessas messiânicas.
8- Os pais. Estes são os patriarcas-herói, especialmente, Abraão, Moisés e Davi. Os Judeus tinham orgulho destes “pais” (note João 8:39) e, na verdade, eles foram abençoados por terem a liderança, de grandes homens de Deus.
9- O CristoChristos é, meramente, a tradução grega da palavra hebraica, que significa “o ungido,” o Messias. O Messias estava programado para vir, em carne, da descendência judaica. Dentre todos, esse foi o maior privilégio, a bênção suprema concedida à nação de Israel. Note-se, a propósito, que três coisas são ditas de Cristo: Ele é (1) “sobre todos,” (2) “Deus”, e (3) “bendito eternamente.” Essas expressões testemunham a Sua divindade, Seu Senhorio e Seu direito de eternal louvor.
A recitação destas grandes bênçãos do povo judeu, nos leva a perguntar: como pode um povo tão abençoado, agora, ser rejeitado do favor divino? Por incrível que pareça, é verdade. E Paulo vai explicar, exatamente, como tal rejeição está de acordo com a justiça de Deus. Isso é o que o resto desta lição ? e, na verdade, todos os capítulos de 9 -11 ? está abordando.
2 UMA ESCOLHA QUE IGNORA O ISRAEL CARNAL
(Romanos 9:6-13)
Nestes capítulos, Paulo vai apresentar vários fatores, que provam que Deus é justo, ao rejeitar Israel. Os versos diante de nós, agora, para estudo, no restante desta lição, apresenta um desses fatores. Em essência, o ponto de Paulo é este: a escolha de homens por Deus, para levar o Seu nome, nunca foi e nunca irá, basear-se em considerações, de natureza carnal. Esse é um princípio importante. Esse princípio apenas parece ter sido violado, através da escolha dos Judeus por Deus, por descendência física. Na verdade, como Paulo está prestes a mostrar, o princípio não foi violado. Descendentes Físicos não eram a base desta seleção nem mesmo nos tempos do Antigo Testamento.
A Rejeição do Israel Físico (versículos 6-8a). Estes versículos nos dizem claramente que até mesmo a seleção de Israel para o favor de Deus não se baseou na carne, na descendência física. A prova de Paulo, deste ponto, é bastante interessante.
1- A Palavra de Deus é eficaz para além das considerações de descendência carnal. Isto é indicado em 6a. O que Paulo quer dizer é que, provavelmente, suas indicações sobre a “perdição” de Israel (versos 1-3) não devem ser tomadas como implicando que nenhum dos Israelitas carnais será salvo. Na verdade, alguns são, mas não meramente porque eles são Israelitas segundo a carne.
2- O verdadeiro Israel não é o Israel carnal. Isto é o que 6b quer dizer. O primeiro “Israel” usa a palavra em seu sentido mais verdadeiro, com todas as implicações bíblicas apropriadas ao povo de Deus. O segundo, “Israel” usa a palavra em seu sentido racial básico, fisicamente, descendentes de Jacó (Israel). Em outras palavras, nem todos os descendentes a partir do Israel original, são, verdadeiramente, israelitas, no sentido mais amplo.
3- Nem todos os descendentes de Abraão foram escolhidos. Este ponto, construído no versículo 7, é um exemplo específico e ilustração da verdade recém declarada em 6b. O ponto aqui é que Abraão teve dois filhos, descendentes físicos, Ismael e Isaac (e vários outros, como em Gênesis 25:2). Porém, nem todos os descendentes físicos de Abraão foram escolhidos, somente Isaac. A citação aqui é de Gênesis 21:12.
O ponto é claro, a partir da ilustração. Outra ilustração será dada abaixo (a respeito de Jacó e Esaú). Escolha do povo de Deus para as Suas bênçãos e herdar o Seu nome não está baseada em descendência carnal.
4- Os filhos de Deus não são escolhidos por descendência carnal. Este resumo da verdade está contido no versículo 8a. A sua formulação por Paulo é, de tal forma, a demonstrar que este é um princípio universal e atemporal. Nunca foi a intenção de Deus escolher Seus filhos através de relacionamentos físicos. Talvez seja isso que João quer dizer, em João 1:12,13, quando se refere aos filhos de Deus como aqueles nascidos “não do sangue [linhagem].”
Temos de encarar a lição ensinada aqui, conforme vemos a situação do Antigo Testamento. Ser descendente de Abraão ou Isaac ou Jacó, não confere às pessoas o direito a um lugar como filhos de Deus. Racialmente, eles (os de Jacó, pelo menos) eram do “povo escolhido”. Porém, espiritualmente, eles não eram, necessariamente, daqueles escolhidos para a verdadeira família de Deus. Somente aqueles, do Israel nacional, que colocaram a fé salvadora em Deus eram, também, da Sua família espiritual. Não podemos fazer mais do que adivinhar qual a percentagem do Israel físico que pertencia também ao Israel espiritual. Não há nenhuma razão para pensar que eram a maioria!
Por que Paulo nos disse isso? Para deixar claro que a atual rejeição dos Judeus por Deus não é nem surpreendente, nem uma violação de qualquer dos princípios de Deus. Sobre essas bases, Deus não deve nada ao Israel carnal. Ele nunca tratou com os homens nessas bases, de jeito nenhum.
O Requisito da Promessa (versos 8b-13). Se as seleções de Deus, não estão baseadas em considerações físicas, em que, então, elas estão baseadas? A resposta é encontrada em Sua graciosa promessa.
1- O princípio da promessa é declarado em 8b, como um oposto direto, ao princípio da descendência física. “Promessa” aqui representa uma obra da graça de Deus, feito para o homem, não porque o homem mereça ou obtém (ou herda fisicamente) algo de Deus, mas porque Deus, simplesmente, disse (confira, “palavra” no versículo 6) que Ele o faria .
Lembre que em 4:13-16, Paulo contrastou “promessa” com obras e a observância da lei. O que se obtém por obras é devido ao que obtém (4:4). Se há herança através da observância da lei, a fé e a promessa não têm fundamento (4:14). Porém, se as bênçãos de Deus são de graça (favor imerecido e não conquistado), então, a promessa é o fundamento das bênçãos (4:16). Essas mesmas idéias estão envolvidas aqui. Ninguém se torna filho de Deus por descendência racial ou pelas obras. São filhos de Deus, apenas aqueles que Ele, graciosamente, escolhe, em cumprimento das Suas promessas graciosas, chamar a compor um povo para Seu nome.
2- A ilustração da promessa através de Isaac é relembrada no versículo 9. Paulo já lidou com esta ilustração especial, no capítulo quatro. Ele fez isso, durante um tempo, em Gálatas 4:22-31, onde também o conceito de “promessa” é proeminente (Gálatas 4:23,28). O ponto é que Deus, deliberadamente, esperou até depois, que Abraão e Sara, estivessem passado da idade de fertilidade. Assim, Ele cumpriu Sua promessa ? do milagre ? para que ficasse claro, que Ele tinha trabalhado e não eles. Somente assim poderia ficar claro que a obra foi realizada por Deus e pela promessa graciosa. Eles não mereciam ou conquistaram o favor: Deus, graciosamente, manteve a sua palavra e escolheu dar a eles um filho de Sua própria escolha; os outros filhos foram rejeitados. Assim, o físico, o carnal e a vontade humana, não tinham nada a ver, com esta obra da graça de Deus.
3- A ilustração da promessa através de Jacó é relembrada nos versículos de 10-13. “Não somente isso,” significa que aqui está, mais uma ilustração clara, do princípio da promessa, em oposição à descendência carnal. Em resumo, aqui estão os fatos. Quando Rebeca concebeu de Isaac, havia gêmeos em seu ventre (versículo 10). Antes deles nascerem (verso 11), Deus indicou Sua escolha por Jacó a Esaú (versículos 12,13). Assim, mais uma vez fica claro o fato de que Deus lida com os homens não na base da descendência carnal, senão, tanto Jacó quanto Esaú teriam recebido bênçãos iguais. Dessa forma, efetivamente, outro descendente físico (como Ismael, versículo 7) foi rejeitado. Mais uma vez, então, é reforçada a lição de toda a passagem: que a descendência natural não coloca sobre Deus nenhuma exigência especial que requeira Seu favor, nem mesmo onde os Judeus demonstram preocupação.
Algumas das implicações teológicas dos versículos 10-13 merecem maior atenção. Conforme já mencionado, a principal lição está clara: apenas os filhos da promessa são a semente escolhida, e não necessariamente os descendentes carnais de Abraão. No entanto, os detalhes intricados da ilustração são muito interessantes para serem ignorados.
O ponto é que Deus fez uma escolha na situação dos gêmeos Jacó e Esaú. Observe o tempo dessa escolha: antes deles terem nascido (10,11a). Observe a base dessa escolha: o próprio propósito de Deus, não as ações deles (11b). Observe os resultados dessa escolha: A ordem natural foi invertida e o mais jovem (Jacó) foi escolhido, em detrimento do mais velho (Esaú). Dois problemas, em particular, surgem a partir desses fatos básicos, como se segue.
Em primeiro lugar, há o problema das palavras “amou” e “odiou”. Não ouviríamos objeções à primeira, mas à segunda surgem questionamentos. Será que Deus odeia Esaú? E o odeia até mesmo antes do seu nascimento? Quando Esaú ainda era um feto inocente? A resposta é sim, conforme o registro diz, especificamente, no versículo 13, citando Malaquias 1:2,3. A correta compreensão destas palavras nos ajudará: Elas significam, no fundo, escolha e rejeição. As palavras Gregas usadas aqui não expressam emoção tanto quanto ação. Não estamos sendo informados de que Deus sentiu o amor e o ódio, no sentido humano, tanto quanto, que Ele escolheu um e rejeitou o outro. Ele comprometeu-se com Jacó (amor) e reteve esse comprometimento de Esaú (ódio). Provavelmente, poderíamos obter uma imagem mais precisa do verso, lendo: “Escolhi a Jacó, mas rejeitei a Esaú.” Isso é o que está sempre envolvido, quando se escolhe entre duas opções.
O segundo problema resulta do primeiro e é mais importante: é o problema da predestinação. Aqueles que acreditam na arbitrária e incondicional predestinação de Deus para todas as coisas gostam de usar esses versículos. E isso é compreensível, uma vez que os versos parecem sugerir, à primeira vista, que a escolha de Deus entre Jacó e Esaú foi inteiramente arbitrária e caprichosa.
Porém, não vamos parar com essa “primeira vista”. Um exame mais aprofundado irá mostrar que a pré-seleção de Deus por Jacó a Esaú não pode ser usada para fundamentar a doutrina calvinista sobre a predestinação do indivíduo ao Céu ou ao Inferno. Em primeiro lugar, a seleção de Jacó aqui referida não era tanto uma seleção para a salvação pessoal. Em vez disso, esta seleção foi uma eleição “nacional”. Jacó estava sendo escolhido como o herdeiro de Isaac (e Abraão), através de quem a linhagem nacional prometida seria mantida. Não o destino eterno de Jacó, mas o terrestre, estava primariamente envolvido. Devemos ser cautelosos sobre como estender a ilustração da seleção de Jacó, como o herdeiro de Isaac, de modo a aplicá-la à salvação pessoal. Afinal, o que Paulo está ilustrando, é que a descendência física, não era a base da escolha, até mesmo, para “o povo escolhido”.
Em segundo lugar, devemos considerar que, até mesmo estes versos, tão surpreendentes como eles são, não nos dizem que não havia nada em Jacó e Esaú que condicionou a escolha de Deus. Paulo simplesmente afirma que a escolha de Deus não estava baseada nas obras deles (o verbo “fazer” no versículo 11). Este escritor está convicto de que Deus escolheu Jacó e rejeitou Esaú, mesmo antes do seu nascimento, porque Ele previu a diferença em suas atitudes em relação às coisas espirituais ? sua  em Deus, nada menos.
Se tivermos de falar da salvação pessoal, lembremo-nos de que a declaração unânime da Bíblia é que a salvação não é pelas obras. No entanto, na sequência, a Bíblia não diz que a salvação não é através denada. O que a Bíblia diz é que a salvação é pela ! Ao olharmos para trás, sobre o relato de Gênesis, nos lembramos facilmente do interesse de Jacó pela primogenitura e pelas coisas espirituais; ao mesmo tempo, percebemos o desrespeito irreverente de Esaú a essas considerações. Foi essa diferença, umresultado da seleção de Jacó por Deus (como diriam alguns), ou foi, na verdade, uma manifestação de fé de Jacó, que foi a causa da sua pré-seleção por Deus? A última alternativa está mais de acordo com a imagem bíblica e não há, realmente, nada nesses versos para contradizer esse ponto de vista. Esta abordagem respeita tanto o direito soberano de Deus, em escolher a quem Ele quer, quanto à liberdade moral do homem, em crer ou rejeitar a Deus.
O que temos, nos versos de 10-13, é uma imagem clara, dos princípios que Paulo está enfatizando. Um dos filhos de Isaac foi rejeitado, o outro escolhido (exatamente como aconteceu ao próprio Isaac e seu irmão Ismael). Essa decisão não estava baseada na descendência física ou nas obras carnais. Essa escolha foi através da graciosa promessa e propósito de Deus. Todas as seleções de pessoas por Deus, para as Suas bênçãos, assim estão baseadas. Isso não elimina a exigência da fé; esta condição está em perfeito acordo com o princípio da promessa, conforme visto em Romanos 4:13-16. A fé não é uma obra meritória e não constitui uma obrigação. A fé é a aceitação do homem, da oferta soberana e livre do favor de Deus. Isto é o que o versículo 11 quer dizer quando se refere “ao propósito de Deus, segundo a eleição.” Eleição é seleção, escolha. O propósito de Deus é uma escolha livre de homens. O versículo continua dizendo que o resultado disso é que aquele que chama (Deus) irá, consequentemente, obter a glória e o crédito e não o homem que trabalha (confira, 4:4, novamente).
E, assim, efetivamente, Paulo nos forneceu sua primeira linha de argumentação, explicando e defendendo a Deus por rejeitar o Israel incrédulo. Deus nunca teve a intenção de escolher homens para Si através da descendência racial, física ou carnal. Ele sempre escolhe pela graciosa promessa. Consequentemente, a presente rejeição de Israel não viola nenhum princípio das relações de Deus, porém, segue o mesmo padrão claramente estabelecido na rejeição de Ismael e Esaú.

A INERENTE LIBERDADE DE DEUS(Romanos 9:14-24)

INTRODUÇÃO
Com a lição anterior, começamos uma nova seção de Romanos, Parte 4, onde Paulo trata de questões específicas, relacionadas à situação dos Judeus. Todo o ensino, em Romanos, insistiu, fortemente, na idéia de que a justificação ? tornar-se justo diante de Deus ? é pela fé na obra de Cristo e não por obra do homem. A justiça não depende do cumprimento da lei.
A questão, então, é esta: Como ficam os Judeus? E quanto ao “povo escolhido” de Deus? O segundo e o terceiro capítulos de Romanos, especialmente, deixaram claro que eles estão perdidos, assim como todo o resto das raças. O favor que eles uma vez conheceram, não é mais deles. Como maneira de falar, Deus os abandonou.
Esse é o fato que Paulo trata nesta parte de Romanos. Seu principal objetivo é deixar claro que os Judeus, como um todo, estão rejeitados e explicar exatamente a razão. Quase podemos imaginar alguém perguntando a Paulo: “Deus agiu certo ao rejeitar Israel (Compare 9:14, o primeiro verso desta lição).
Em essência, então, esta seção defende a justiça de Deus, explicando por que Ele rejeitou Israel e por que Ele agiu certo em fazê-lo. Na lição anterior, vimos um dos argumentos de Paulo em defesa de Deus: a saber, que Deus nunca tratou com os homens na base de descendência natural, de jeito nenhum. Na presente lição, vemos o segundo argumento de Paulo, com base na doutrina da soberania de Deus.
EXPOSIÇÃO
Verifique o esboço-geral do estudo na parte final deste livro, para manter o padrão dessas lições claramente em sua mente. Há três lições sobre o capítulo 9 de Romanos, todas defendendo o direito inerente de Deus (Seu comportamento adequado) em rejeitar Israel. Esta é a segunda das três lições, intitulada: “A Inerente Liberdade de Deus,” que cobre o trecho de 9:14-24.
1 O PODER SOBERANO DE DEUS: AFIRMAÇÃO
(Romanos 9:14-18)
O objetivo destes versos é tornar claro como cristal, o fato de que Deus é soberano absoluto. Esta palavra soberano (ia) será usada, com frequência, nesta lição, de modo que é melhor defini-la agora. O fato de Deus ser Soberano significa que Ele é absolutamente livre para fazer o que quiser. Essa liberdade é inerente ao seu próprio caráter. (“Inerente” significa inato, uma parte de sua própria natureza). A soberania de Deus envolve a ideia de que suas ações vêm, inteiramente, de Seu próprio prazer. Suas decisões são feitas inteiramente com base em sua própria vontade. Sua liberdade para agir como quer não está limitada ou condicionada por quaisquer considerações fora de si mesmo. Ele não está sob obrigação a qualquer pessoa ou princípio, a não ser ao seu próprio caráter. Incluída na Sua soberania está a verdade de que Ele é onipotente; assim também, Ele não está limitado por considerações de poder. Ele pode fazer qualquer coisa que Ele queira fazer. Nenhum outro ser no universo ? nem homem, anjo ou diabo ? é, verdadeiramente, soberano. Ser soberano neste sentido, mais verdadeiro, é ser Deus.
Introdução (versículo 14). Este verso introduz a seção levantando a questão básica que está por trás de toda essa parte de Romanos. Paulo antecipou que alguns podem acusar Deus de lidar de forma desleal com os homens, porque o Israel nacional agora foi rejeitado de Seu favor. Ou eles podem pensar que Deus é injusto em ter escolhido Jacó a Esaú ? a ilustração nos versículos 10-13, com a qual a lição anterior terminou.
Dessa forma, a questão é: “Há injustiça da parte de Deus?” A palavra “injustiça”, conforme usada aqui, significa não agir corretamente em Seu trato com os homens. Será que Deus agiu injustamente, de forma desleal, ao fazer escolhas como aquelas referidas nos versículos 6-13? Será que Ele estava agindo errado quando Ele escolheu Isaque e rejeitou Ismael? Será Ele agiu errado, quando rejeitou Esaú e selecionou Jacó? Será que Deus agiu injustamente ao abandonar Israel, a “nação escolhida”?
resposta é prontamente dada, até mesmo sem esperar por mais uma prova. “De maneira nenhuma” é uma negativa enfática, que significa algo como o nosso “absolutamente não!” ou (como a geração mais jovem, colocaria) “De modo nenhum!” O ponto é claro: Sabemos que Deus não agiu de forma errada, mesmo se nós nem sempre pudermos entender por que Ele age da maneira que Ele decide agir. A discussão acima, a respeito da soberania, afirma que Deus não tem obrigação nenhuma exceto com o seu próprio caráter. Entretanto, Ele tem obrigado com o Seu próprio caráter. E o Seu próprio caráter é justo. Dessa forma, sabemos, até mesmo antes de começarmos, que Deus não agiu injustamente em qualquer coisa que Ele já fez. Assim, se pudermos descobrir exatamente por que Ele escolheu Isaac a Ismael e Jacó a Esaú, estaremos seguros de que Ele agiu certo em fazê-lo. Já estamos certos de que Deus agiu com retidão e justiça, ao rejeitar Israel.
Antes de prosseguir, vamos antecipar, brevemente, o que Paulo está prestes a nos dizer. Ele ainda não está pronto a indicar as razões pela quais Deus agiu em determinadas maneiras. No entanto, ele vai insistir no direito de Deus em agir da forma que desejar. Esse direito é a soberania da qual falamos. Nem sempre podemos descobrir as razões de Deus. Às vezes, nós podemos; às vezes nós não podemos. Não importa; Deus tem o direito de agir como Lhe agrada. Esse direito soberano não pode ser discutido. Porém, uma coisa já se tornou clara aqui, no versículo 14: Deus simplesmente tem o direito de agir corretamente! À medida que começamos a explorar o poder soberano de Deus, Sua liberdade inerente de fazer o que Ele quer, vamos manter esta qualificação em mente. Apenas lembre-se de que, até mesmo essa qualificação vem de dentro de Seu próprio caráter, não de alguém ou qualquer coisa fora Dele.
Ilustrações (versículo 15, 17). Paulo, agora, está pronto para ilustrar o direito soberano de Deus para agir como Ele quer. Ele usa duas ilustrações, ambas, escolhidas a partir de circunstâncias do Antigo Testamento e durante a vida de Moisés.
1- As palavras de Deus a Moisés, dadas no versículo 15, são citadas de Êxodo 33:19. As circunstâncias eram estas: Enquanto Moisés estava na montanha, Israel pecou e veio o julgamento. Agora, Moisés estava implorando a Deus, para restaurar às pessoas, o seu favor e andar com elas, novamente, em direção à terra da promessa. A oração de Moisés está registrada em Êxodo 33:12-16. Deus fala, respondendo, nos versículos 17-19. E, é nesta resposta, que Deus afirma o princípio, do seu direito e poder soberanos, de agir, de acordo com seu próprio prazer e vontade. Nenhum homem tem o direito de exigir de Deus, a Sua misericórdia. Deus não deve misericórdia a ninguém. Toda a seção, em Êxodo, é uma declaração clara, do fato de que, qualquer misericórdia demonstrada por Deus, ao homem, é pelagraça, um favor imerecido (veja Êxodo 33:13,16,19, em particular).
Assim, estas palavras especiais a Moisés são significativas por duas razões. Primeiro, elas enunciam claramente o princípio: Deus age conforme quer, totalmente livre. Ele mostra misericórdia e compaixão a quem quer que Ele escolha. Seu direito soberano ao fazer isso, não pode ser negado. Em segundo lugar, estas palavras são significativas ao contexto de Paulo, em Romanos, à medida que ele lida com a questão da rejeição de Israel, pois até mesmo no contexto de Êxodo as palavras deixam claro que Deus não estava mostrando misericórdia a toda a raça de Israel. Até mesmo no deserto, quando poderíamos pensar que toda a nação tinha automaticamente direito ao Seu favor, Ele disse: “Eu mostrarei misericórdia a quem eu quiser mostrar misericórdia.” Em outras palavras, Ele queria que ficasse claramente estabelecido que nem Moisés ou Israel tinham quaisquer reivindicações especiais, junto a Ele, que tomasse o Seu direito soberano de agir conforme Ele escolheu. Nem Ele mostraria misericórdia a todos eles apenas porque eles eram israelitas na carne. Essa nunca foi a base do Seu trato com os homens, conforme vimos claramente na lição anterior.
2- As palavras de Deus ao Faraó, dadas no versículo 17, são citadas de Êxodo 9:16. Também, vamos recordar aquelas circunstâncias: o Faraó tinha resistido aos esforços de Moisés para obter a liberdade dos israelitas do Egito. Uma praga seguiu-se após outra. A cada praga, o Faraó parece ceder, mas depois ele endureceria o seu coração. As palavras especiais citadas aqui em Êxodo 9:16, vêm após a sexta praga, os furúnculos.
O que Deus disse a Faraó, conforme registrado aqui, em Romanos 9:17, é bastante forte e não precisamos tentar evitar os fatos. Nossa compreensão destes fatos vai aumentar à medida que avançamos e chegamos mais longe, tanto nesta lição quanto nas subsequentes. Por agora, Paulo quer enfatizar o fato de que Deus age de acordo com sua própria vontade, com uma liberdade inerente que não está limitada ou condicionada às ações do homem. Assim, Ele ousadamente declarou a Faraó: Eu o levantei, exatamente com o propósito que está sendo cumprido em minhas relações com você. Meu propósito era mostrar o Meu poder, a fim de que a fama do Meu nome pudesse propagar-se mundo a fora.
Deus estava, no máximo, dizendo a Faraó: Eu estou no controle desses eventos. Meu propósito está sendo cumprido. Meu poder soberano está por trás de tudo o que está acontecendo. Sua resistência teimosa não vai impedir a minha vontade. Na verdade, a sua própria resistência está de acordo com a Minha vontade, porque esta disputa me permite dar, até mesmo, uma amostra ainda mais impressionante do Meu poder. O controle soberano de Deus sobre os acontecimentos na terra não estava, de maneira nenhuma, ameaçado pela resistência insignificante do Faraó. Na verdade, Deus tinha um direito inquestionável de trazer o Faraó ao trono naquele momento em particular, para que, por sua resistência má, o poder de Deus pudesse ser ainda mais claramente demonstrado e declarado.
Implicações (versículos 16, 18). As implicações de cada ilustração estão, resumidamente, declaradas nos versículos 16 e 18, sendo que ambos falam sobre a mesma coisa. As implicações são duas e estão intimamente relacionadas.
1- Deus é misericordioso para com quem Ele quer e endurece a quem Ele quer. Versículos 18 e 16b indicam isso. Mais, acerca disso, será dado na discussão a seguir, entretanto, por agora, não devemos resistir ao princípio básico tão claramente declarado. Quando Deus demonstra misericórdia a uma pessoa, em particular (como Moisés e os israelitas, que Ele perdoou em Êxodo 33), Ele o faz de acordo com o Seu direito soberano de agir como Ele quer. Ele é gracioso, compassivo e misericordioso àqueles a quem Ele quer. Da mesma forma, sempre que Ele retém a Sua graciosa influência de um homem e, assim, endurece o seu coração (como Faraó), Ele o faz de acordo com o Seu direito soberano de agir como Ele quer. Ele rejeita do Seu favor, quem Ele quizer. Seu próprio prazer, livre, bom e justo é a base, dentro Dele, para a escolha de abençoar alguns e rejeitar outros.
2- A misericórdia mostrada a alguns não tem a ver com o próprio caráter deles. O versículo 16a indica isso. O “deles” aqui, é aquele a quem é mostrada a misericórdia. A palavra “quer”, refere-se à vontade do homem, sua disposição. “Corre”, refere-se ao comportamento do homem, seus atos, sua conduta diária, no decorrer da vida. Paulo é bastante claro: Quando Deus determina mostrar misericórdia a indivíduos em particular, não é porque havia uma inclinação a eles ou que eram diferentes dos outros. Nem foi o seu comportamento mais justo do que outros. Por outro lado, aqueles a quem Deus rejeita do Seu favor, não são piores em vontade ou comportamento do que os outros!
Estas palavras podem ser difíceis de aceitar, à primeira vista. Porém, um exame mais profundo nos ajudará. Em primeiro lugar, devemos lembrar que essa conclusão, já foi estabelecida, anteriormente, em Romanos, através da insistência de Paulo em 3:22,23: “Não há distinção, pois todos pecaram”. Em outras palavras, o fato de que alguns são salvos ? misericórdia demonstrada ? e outros, perdidos ? endurecidos ? não pode estar baseado em uma diferença entre os homens. Todos os homens, em vontade e caminhos, são igualmente pecadores. Romanos 3:9-20 deixou claro que todos são depravados e ímpios, maldosamente inclinados em suas próprias naturezas. Em essência, nenhum é pior que outro, ou melhor do que outro. Portanto, o fato de Deus demonstrar misericórdia a alguns e endurecer alguns, não pode estar baseado em supostas diferenças no caráter dos homens. Consequentemente, a demonstração de misericórdia deve ser através do direito soberano de Deus, por Sua vontade, não pela vontade do homem. É claro, você pode objetar que certamente há uma diferença na vida dos pecadores e cristãos. Porém, essa diferença vem depois de serem salvos; depois de Deus ter “demonstrado misericórdia”, não antes.
Em segundo lugar, lembre-se de que esta é a questão chave, que envolveu os Judeus. Eles insistiram que tinham um direito ao favor de Deus, por causa de seus esforços em observar a lei. Paulo já provou este erro (capítulo 2). Assim, o ponto que Paulo está construindo aqui, no capítulo 9, tem um significado particular na discussão da rejeição de Israel, até mesmo quando Israel alega ter ganhado Seu favor, ao observar a Sua lei. Ninguém jamais conquista o favor de Deus. Todos são pecadores. Ele não deve misericórdia a ninguém. Nem mesmo Israel tem qualquer direito sobre Ele, através da conduta ou caráter. A misericórdia de Deus, aos homens, não é demonstrada em razão de seu caráter, pois ninguém tem o tipo de caráter que mereça misericórdia. (Pois, se o tivessem, não seria misericórdia ou graça, mas uma dívida. Não se esqueça de Romanos 4:4).
É verdade, os calvinistas usam estes versos para apoiar uma doutrina da predestinação absoluta. No entanto, na verdade, eles estão tomando os versos e indo longe demais. Por um lado, estamos sendo informados de que Deus nos governa, em Seu poder soberano, como Criador e Senhor do universo, conforme Ele quer. Ele é misericordioso a quem Ele quer e oculta a misericórdia de quem Ele quer. Nós, enquanto Suas criaturas, não temos o direito, nem o poder, de questioná-lo ou resistir ao Seu tratamento conosco.
Mas, por outro lado, os versos não prosseguem e nos dizem como Deus quer lidar com os homens. Ele tem o direito de escolher quem Ele quer e rejeitar a quem Ele quer; e assim é. Ele não salva a alguns e rejeita outros por quaisquer considerações carnais ou por suas obras; e assim é. Ele salva a quem Ele quer e condena a quem Ele quer, e todos são igualmente pecadores. Poderíamos fazer, então, uma pergunta: Sobre quem Ele quer demonstrar misericórdia? A resposta seria, conforme a conhecemos de outras partes das Escrituras e das partes anteriores desse mesmo livro: Ele Se agrada em lidar com os homens na base da fé. Ele livremente e através do Poder soberano escolhe salvar aqueles que crêem, por meio de Jesus Cristo. Porém, Paulo ainda não está pronto para chegar a essa dimensão nessa parte do capítulo nove. Ele está, primeiramente, preocupado em estabelecer claramente que Deus é um Ser Soberano e que possui, inerentemente, a liberdade de lidar com os homens da maneira que Lhe agrada. Devemos, primeiramente, ceder a essa verdade, e, assim, não questionarmos Sua rejeição de Israel, até mesmo se não pudermos descobrir exatamente por que Ele agiu assim.
2 O PODER SOBERANO DE DEUS: APLICAÇÃO
(Romanos 9:19-24)
Os princípios envolvidos no direito soberano de Deus em lidar com homens da forma como Lhe agrada foram firmemente estabelecidos nos versículos anteriores. Agora, chegou a hora de lidar com a aplicação desses princípios em questões específicas que os homens possam levantar. Em particular, os homens poderiam levantar uma questão muito óbvia. Eles poderiam ler o que Paulo acabou de dizer, a respeito da soberania de Deus, e reagir num acesso de fúria e perguntar: Se tudo é de Deus e Ele opera tudo conforme ele quer, então tudo o que fazemos é culpa Dele e Ele não pode reclamar, pode? Tal questionamento ataca a justiça de Deus, nega a responsabilidade humana e coloca a culpa, pelo pecado, em Deus. Contudo, mesmo assim, essas perguntas são feitas e por elas, muitas vezes, os homens querem ridicularizar a própria doutrina da soberania divina.
Um Questionamento (versículos 19, 20). Na realidade, a pergunta está no versículo 19 e uma resposta no versículo 20. A pergunta é (como muitas, em Romanos) uma pergunta antecipada, o próprio Paulo, imagina o que algum opositor poderia perguntar. Na verdade, é uma pergunta que tem sido feita de tempos em tempos.
1- A pergunta tem duas partes, como se vê no versículo 20. “Por que Ele ainda se queixa?” A pessoa que levanta essa questão está simplesmente querendo dizer que Deus não tem nenhuma base ou razão, para culpar um homem, por qualquer coisa, que ele faz, se, como Paulo ensinou, tudo é ordenado pela vontade de Deus. Se Deus tem misericórdia de quem Ele quer e endurece a quem ele quer, então ele não pode, simplesmente, me culpar, pode? Isso é o que alguns diriam, uma vez que o ensino de Pauloparece remover a responsabilidade humana. (Porém, ? como veremos depois, mais claramente ? a responsabilidade humana, na realidade, não é removida, através do ensino de Paulo).
A outra parte da pergunta, “Quem tem resistido à sua vontade,” implica que Deus é responsável por tudo o que somos e não poderia ser diferente. Essa implicação também está errada e está baseada em um entendimento errado da doutrina da soberania. Porém, sempre houve aqueles que gostariam de usar tal doutrina como uma desculpa, para escapar de qualquer responsabilidade pessoal ou culpa, e assim, culpar a Deus por tudo.
2- A resposta no versículo 20 não é direta. Ela não tenta explicar as razões, por trás das decisões de Deus. Na verdade, a resposta em si está sob a forma de duas perguntas, com implicações óbvias. “Quem és tu, que a Deus replicas?” significa, simplesmente, que nenhum homem tem o direito de questionar a Deus. “Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” A resposta é “não”: A criatura não tem o direito de questionar o que o Criador faz com ela.
Perceba, novamente, que Paulo ainda não está indicando aonde reside a verdadeira explicação das ações de Deus. Ele vai fazer isso mais tarde. Por enquanto, ele quer que a gente perceba que, realmente, não importa se podemos até mesmo encontrar tal explicação ou não. Deus não tem que se explicar para nós. O Governante Soberano não deve nada aos Seus súditos criados. O que importa, neste momento em discussão, é que devemos nos submeter ao Seu direito de nos governar, segundo a Sua vontade.
Uma Ilustração (versículo 21). Para reforçar seu argumento, Paulo usa a figura bem conhecida do oleiro e do barro. A lição é bastante óbvia: Um oleiro tem o direito soberano sobre um pedaço de barro. Ele não deve nada ao barro. Ele pode transformá-lo, em qualquer tipo de vaso (recipiente) que ele desejar.
Um “vaso para honra” é um recipiente que vai ser usado para algo honroso, como um prato para comer, uma panela para cozinhar ou um vaso para lindas flores. Um “vaso para desonra” é aquele que vai ser colocado para usos considerados não atraentes, como um balde de lixo ou uma lixeira, (a mesma distinção aplica-se em 2ª Timóteo 2:20,21). Tudo que Paulo quer dizer é que um oleiro pode transformar um pedaço de barro em um balde de lixo ou uma panela, conforme ele imagina em sua fantasia. Seu direito de fazer isso, conforme ele escolhe, não pode ser questionado.
As implicações desta ilustração, na medida em que elas se relacionam com a soberania de Deus sobre o homem, são óbvias e serão, claramente, enunciadas nos próximos três versículos. Antes de passar a esses versículos, porém, lembremo-nos de que a ilustração é especialmente adequada ao uso de Paulo ao discutir a rejeição judaica. Você deve se lembrar de que Jeremias utilizou o oleiro da mesma maneira e, particularmente, como uma ilustração do governo soberano de Deus sobre Israel. Veja Jeremias 18:1-6 e perceba, particularmente, estas palavras: “Pareceu bem ao oleiro.” Deus tem o direito de fazer de nós, o que bem lhe parecer.
As Implicações (versos 22-24). As respostas às questões implícitas no versículo 20 e as implicações da ilustração do oleiro (versículo 21) são, agora, esclarecidas. Há duas:
1- A implicação principal indicada nos versos 22, 23, é que o poder soberano de Deus é justamente demonstrado em ambos os tipos de “vasos” que Ele faz. Versículo 22 trata de um tipo de vaso: os “vasos de ira”. Estes são os homens aos quais a ira de Deus é o seu destino final. A tais homens, Deus, em Sua longanimidade, endurece, mas eles são conduzidos ao inferno, “preparados para a perdição”. O versículo 23 trata do outro tipo de vaso: “vasos de misericórdia”. Estes são os homens dos quais Ele tem misericórdia. Eles são conduzidos ao Céu, “preparados para a glória.” Em ambos os grupos, o poder soberano de Deus é demostrado.
Mais uma vez, Paulo não diz como alguns chegaram a ser escolhidos como um grupo e alguns como o outro grupo, ou até mesmo, se houve alguma razão para isso. Sabemos que existe uma razão, um motivo, uma base, pela qual Deus decide por um ou pelo outro. No entanto, nós sabemos disso, a partir de outras Escrituras, não dessa aqui. O que nós temos que saber aqui, é que Deus tem o direito soberano de “fazer” os dois tipos de vasos, “conforme Lhe agrada.” E o que temos de saber é: que o propósito e o poder de Deus se manifestam em ambos os grupos!
Ele não deseja que nenhum pereça (2ª Pedro 3:9), mas Ele quer destruir alguns (conforme sabemos, aqueles que rejeitam a Cristo). E em tais “vasos da ira”, Sua ira santa contra o pecado e o Seu impressionante poder são demonstrados ? para Sua glória eterna ? quando eles vão para o inferno. Da mesma forma, Ele irá salvar alguns (conforme sabemos, aqueles que exercem a fé salvadora). E suas ricas misericórdias são demonstradas ? para Sua glória eterna ? quando estes vão para o céu. Nesse sentido, ambos os grupos demonstram a vontade soberana e a glória de Deus. E, nenhum grupo tem o direito de contestar as ações do Soberano que lida com os homens conforme Lhe agrada.
2- A implicação secundária é adicionada no versículo 24. O ponto aqui é que os “vasos de misericórdia” incluirão tanto Judeus quanto Gentios, um ponto construído, frequentemente, em Romanos (como em 3:30, por exemplo) e um ponto com relação especial a esse contexto do nono capítulo. Lembre-se que Paulo está defendendo a justiça de Deus em rejeitar o Israel nacional. Bem, o ponto aqui é que a “vocação” de Deus, Sua seleção de homens como vasos de misericórdia, não se baseia em considerações hereditárias.
Em conclusão, precisamos ter certeza de que entendemos o que aprendemos até agora. Nós aprendemos que Deus lida com homens conforme Lhe agrada. Sua soberania Lhe assegura o direito de fazê-lo, mas nós não aprendemos o como Lhe “agrada”, ao lidar com os homens. Nós aprendemos comonão Lhe agrada, ao lidar com os homens: não em uma base racial; não em uma base de bondade ou maldade do homem (já que todos pecaram). Vamos aprender, em breve, que Deus tem o prazer de lidar com os homens na base da fé ou incredulidade. Também, que é o direito de Deus de definir uma condição e lidar com homens sob essa condição. Sua soberania não é, em nada, prejudicada quando Ele age dessa maneira.
Tenha em mente, então, que Romanos 9:14-24, é apenas parte de um quadro completo. O quadro será preenchido, mais completamente, nas aulas seguintes. O que Paulo queria nos assegurar aqui, é que nós não podemos atacar a Deus por rejeitar Israel uma vez que Deus é soberano e faz o que Lhe agrada. Até mesmo se não pudermos encontrar uma explicação pela qual, Deus rejeitou Israel (encontraremos uma mais tarde), ainda assim, não podemos “replicar” contra Deus. Ele é perfeitamente livre, por natureza, para lidar com os homens conforme Lhe agrada.

DEUS INSISTE NA FÉ(Romanos 9:25-33)

INTRODUÇÃO
Nosso estudo do capítulo nove está completo nesta lição. Você deve se lembrar de que Paulo está defendendo a retidão de Deus na rejeição de Israel. A pergunta que Paulo está respondendo é, na verdade, dada em 9:14: “Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum?”
Dois dos argumentos de Paulo foram apresentados nos primeiros vinte e quatro versos e tratados nas duas lições anteriores. O primeiro argumento foi este: Deus nunca tratou com os homens ? nem mesmo com Israel ? apenas com base na descendência natural. Como 9:8 diz: “Aqueles que são os filhos da carne, estes não são os filhos de Deus.” Assim, Deus não pode ser acusado de lidar injustamente com os Judeus, pois Ele nunca prometeu salvar todos os Judeus na carne.
O segundo argumento de Paulo foi este: Deus é Soberano e tem o direito de lidar com os homens conforme Lhe agrada, até mesmo com Israel. Afinal, conforme 9:18 diz, “Ele tem misericórdia de quem ele terá misericórdia.” Novamente, ele não prejudicou Israel nesta rejeição, porque Ele não tem obrigação com “Israel”, de maneira nenhuma. Sua soberana liberdade lhe dá o direito de aceitar ou rejeitar Israel conforme lhe agrada.
Os argumentos continuam na presente lição. Na verdade, mais dois argumentos são apresentados, pelos quais qualquer acusação de que Deus lidou injustamente com Israel pode ser provado como errado.
EXPOSIÇÃO
Um breve olhar para o esboço geral do estudo, servirá para mostrar como esta lição se encaixa no padrão global. Esta é a terceira lição sobre o capítulo nove, intitulada: “Deus Insiste na Fé”, cobrindo 9:25-33. Você vai recordar que a lição anterior enfatizou a verdade de que Deus, como um Soberano, tem o direito independente de agir confome Lhe agrada ao lidar com os homens, sob qualquer base que ele escolher, desde que essa base não viole o Seu próprio caráter justo. Foi-nos dito em 9:14-24 que Deus mostra misericórdia a quem Ele quer. Não há como negar essa verdade; porém, essa verdade não está completa até o momento em que somos informados, simplesmente, a respeito de quem Ele quer mostrar misericórdia. Esta lição serve ao propósito de responder essa questão. Deus deseja mostrar sua misericórdia, aos homens que colocam a sua fé nEle. Assim, o Seu direito soberano de agir como lhe agrada e a responsabilidade do homem, ao escolher ou rejeitar Deus são mantidos.
1 EXPECTATIVA: A PROFECIA DA REJEIÇÃO DE ISRAEL
(Romanos 9:25-29)
Conforme observado na introdução acima, Paulo já defendeu a presente rejeição de Israel de Deus em dois aspectos: Sua rejeição das considerações carnais e o Seu direito soberano em favorecer a quem Ele quer. Agora, Paulo volta-se a uma terceira base para defender a rejeição da nação de Israel por Deus. Esta base é profética. O ponto é basicamente este: Deus predisse o tempo todo, que o tempo em que Ele rejeitaria Israel estava chegando. Consequentemente, a presente rejeição dos Judeus era de se esperar. Como podemos impugnar a Deus por fazer exatamente o que Ele nos disse o tempo todo o que Ele faria?!
Citações de Oséias (versículos 25, 26). A princípio, o verso 25 reflete Oséias 2:23 e verso 26 reflete Oséias 1:10. A situação e as circunstâncias da profecia de Oséias são, bastante, interessantes. Ele profetizou a Israel (o reino do Norte) e a Judá (o reino do sul), próximo ao tempo em que Israel estava sendo derrotado pelos Assírios e um julgamento semelhante, surgiu, no horizonte, para Judá.
Como você pode recordar, Oséias foi instruído a se casar com Gomer, uma esposa, que se mostrou infiel, descrevendo assim, dramaticamente, a infidelidade do povo escolhido, a “esposa” de Jeová. A Oséias e a Gomer nasceram filhos, aos quais, foram dados, por Deus, nomes especiais que testemunhavam as coisas que Deus prometeu fazer, a favor e contra Israel e Judá.
Sem aprofundar-se muito nas profecias originais de Oséias, precisamos, pelo menos, examinar a sua intenção original básica. Os dois filhos de Oséias e Gomer foram Lo-Ruama e Lo-Ami. Os nomes significavam “sem misericórdia” e “não mais meu povo.” Os nomes testemunhavam o julgamento de Israel e Judá, que estava prestes a acontecer na forma de cativeiro, por nações pagãs. Deus não mais estenderia misericórdia; Ele não iria continuar a ser o dono do seu povo.
Em 1:10 e 2:23 (as passagens citadas aqui, em Romanos), no entanto, Deus prometeu que, mesmo que Ele estivesse prestes a lançar o seu povo neste cativeiro ameaçador, viria o tempo, mais tarde, quando Ele, mais uma vez, voltaria a reclamá-los como Seu povo (1:9,10a); também, mais tarde, Ele iria restaurá-los como Seus filhos (1:10b). Embora Ele estivesse prestes a reter a Sua misericórdia (1:6), contudo, mais tarde, eles iriam experimentar a Sua misericórdia novamente (2:23). Assim, as palavras originais de Oséias indicavam, à primeira vista, que o cativeiro iminente iria acabar e que viria uma restauração. Sabemos que tal restauração veio cerca de 70 anos após o cativeiro de Judá, quando mais uma vez os Judeus retornaram para casa, sob as misericórdias renovadas de Deus.
Todavia, apesar de que essa fosse a intenção original e primária das palavras de Oséias em 1:10 e 2:23, Paulo vê nestas palavras um significado mais profundo. Essa implicação secundária é aquela, com a qual, ele está, principalmente, interessado em Romanos. As palavras originais de Oséias foram: “Chamarei meu povo ao que não era meu povo” (Romanos 9:25; Oséias 2:23) e “no lugar onde foi dito a eles: Vós que não sois meu povo; aí serão chamados filhos (filhos) do Deus vivo” (Romanos 9:26; Oséias 1:10). Para Paulo, esta é uma clara profecia, de que os Gentios, os quais anteriormente não eram o povo de Deus, viriam a substituir, dentro do favor de Deus, àqueles que anteriormente eram. Está claro que Paulo interpreta as palavras desta forma, a partir de 9:24, que introduziu esta citação e a partir de 9:30, que mostra os Gentios alcançando a justiça, que Israel não conseguiu alcançar.
Parece razoável concluir, então, que essa profecia original de Oséias tinha um significado duplo. O cumprimento próximo residia na restauração do cativeiro dos Judeus capturados. O cumprimento no longo prazo residia na rejeição do Israel nacional, dentro do favor de Deus e a substituição deles, pelos Gentios, não reconhecidos anteriormente como Seu povo.
Assim, existem duas razões pelas quais Paulo usa estas palavras de Oséias. Uma delas é para mostrar que não é nenhuma surpresa, o fato de que Deus rejeitaria, do seu favor, a nação escolhida. Na verdade, Ele fizera isso antes, nos dias de Oséias. E que o cativeiro antigo era, dessa forma, um prenúncio daquilo que Ele faria novamente, conforme agora aconteceu. A segunda razão pela qual Paulo usa estas palavras é mostrar que os Gentios substituiriam a Israel dentro do favor de Deus. Isso, também, não deveria ser surpreendente, à luz da previsão de Oséias, de que esses, não chamados povo de Deus, viriam a ser chamados, de Seu povo. E, estes dois aspectos, mostram que Deus nunca se obrigou a manter Israel sob Seu favor, apenas porque ele é Israel. As ações anteriores de Deus, bem como Suas declarações proféticas, deixam isso claro. Ele claramente declarou que rejeitaria Israel. Deveríamos ter aguardado por isso. Conforme Denney expressa: “Os Judeus não podem brigar com a situação na qual eles se encontram, quando ela corresponde tão exatamente à Palavra de Deus.”
Citações de Isaías (versos 27-29). Novamente, há duas citações dadas, desta vez, do príncipe dos profetas de Israel. Os versículos 27, 28 nos concede Isaías 10:22,23; o verso 29 é de Isaías 1:9.
O tempo do ministério de Isaías foi, aproximadamente, o mesmo que o de Oséias, apesar de Isaías profetizar integralmente em Judá, o reino do sul. Exatamente os mesmos quatro reis de Judá que descrevem o período do ministério de Isaías (1:1), assim o fazem para Oséias (1:1). Isaías, assim como Oséias, teve de alertar sobre a vinda do julgamento do povo de Deus. Sua profecia, é claro, é mais detalhada que a de Oséias. Ambos olharam para além do cativeiro por vir, bem como para o restabelecimento, imediato, dos Judeus e para eventos mais distantes. Isaías estava especialmente envolvido na profecia messiânica.
As duas passagens de Isaías citadas aqui, em Romanos, falam, principalmente, de um remanescente. Essa é a razão para Paulo selecioná-las. (“Semente” em Romanos 9:29 é o “remanescente” em Isaías 1:9). Em Isaías 10:22,23 (equivale a Romanos 9:27,28), lemos que “Um remanescente dele voltará” (“ser salvo” em Romanos). Em Isaías 1:9, lemos que “Se o Senhor dos exércitos não nos deixasse, para nós, um pequeno remanescente (“semente” em Romanos), teríamos sido com Sodoma e teríamos sido como Gomorra.”
Nas profecias originais, estas promessas serviram a dois propósitos. Em primeiro lugar, elas indicaram que a destruição estava por vir, que o povo de Deus estava sendo julgado e abandonado, apesar do antigo relacionamento do Senhor com eles. Esse abandono era o cativeiro por vir. Em segundo lugar, as profecias também serviram para dar esperança de que nem todo o povo escolhido seria exterminado. Um “remanescente” é como uma pequena quantidade de pano, que sobrou do principal rolo de tecido. Uma “semente” (Romanos 9:29) é um pequeno rebento, pelo qual a planta pode crescer novamente. Assim, Deus estava prometendo, através de Isaías, que pelo menos um pequeno grupo seria salvo e retornaria à terra, depois do cativeiro, a partir do qual uma nova geração poderia surgir e, sobre ela, Sua misericórdia poderia voltar a ser derramada.
Contudo, você vê (conforme as profecias de Oséias), que Paulo está tendo um olhar muito mais além. Ele vê uma lição mais profunda e de longo alcance, nas palavras de Isaías. Em primeiro lugar, ele detecta um princípio lá, um princípio pelo qual Deus iria lidar com Israel, não apenas uma vez, mas várias vezes. O que Deus fez no cativeiro, ao abandonar Israel e preservar um remanescente, Deus faria novamente. E Paulo entende que Deus, na verdade, fizera a mesma coisa, agora, quando os Judeus rejeitaram o Messias e são rejeitados.
Em segundo lugar, Paulo vê na ênfase sobre o “remanescente”, que a maioria da nação devia ser rejeitada. Essa é a razão básica pela qual ele usa a profecia aqui. As palavras de Isaías mostraram, claramente, que o tempo (s) viria, quando Deus rejeitaria a todos, exceto um remanescente de Israel.
Mais uma vez, então, não deveria ser motivo de surpresa ou resistência, que os Judeus, agora, estejam como uma entidade nacional, rejeitados do Seu favor. Deus fizera, dessa forma, tantas vezes antes e todas aquelas vezes, simplesmente, eram prenúncios desse tempo. Apenas um remanescente dos Judeus pode esperar a salvação e estes, são aqueles que recebem o Messias pela fé ? conforme Paulo, em breve, deixará claro. Tudo isto fundamenta, conforme fez as citações de Oséias, o argumento principal da passagem: a rejeição de Israel por Deus, como um corpo, não é nada novo ou surpreendente. Ele fizera isso antes e profetizou de fazê-lo no presente. Ele nunca reconheceu qualquer obrigação de manter todo o Israel sob Seu favor, simplesmente, porque eles eram da raça escolhida.
O versículo 28, a propósito, reformula Isaías 10:22b,23. Em nenhum lugar a linguagem é tão clara. Nem ela é parte essencial ao ponto principal que Paulo está construindo, em Romanos. Aparentemente, Paulo a cita apenas para ser completo em sua citação. Basicamente, as palavras nos dizem que os propósitos de Deus sempre são cumpridos. Ele iniciou uma obra e vai finalizá-la. Até mesmo, o julgamento e a rejeição não vão impedir o cumprimento, em justiça, do Seu plano; e a preservação do remanescente é um testemunho disso.
2 EXPLICAÇÃO: O PRINCÍPIO POR TRÁS DA REJEIÇÃO DE ISRAEL
(Romanos 9:30-33)
Paulo, agora se desloca ainda mais para um quarto argumento, pelo qual ele defende a retidão, as adequadas ações de Deus, ao rejeitar o Israel nacional. O argumento é este: Deus rejeitou Israel, em princípio, por causa da incredulidade de Israel. Israel tentou agradar a Deus pelas obras e não pela fé. Este é o fracasso de Israel e esta é a verdadeira razão pela qual ele foi rejeitado, dentro do favor de Deus. Este é, na verdade, o principal argumento de Paulo, àquele, ao qual, ele recorreu o tempo todo e aquele que ele vai ampliar, em sua extensão, no próximo capítulo. Aqui, brevemente, ele declara a verdade.
A Substituição de Israel Dentro do Favor de Deus (versículos 30, 31). Aqui a verdade é dupla.
1- Os Gentios alcançaram a justiça. O verso 30 deixa isso claro: os Gentios substituíram os Judeus, dentro do favor de Deus. Três coisas estão claras sobre isso. Em primeiro lugar, a antiga situação dos Gentios: eles “não buscavam a justiça.” Isto está em contraste com os Judeus, que buscavam justiça, pela observância da lei. Os Gentios não buscaram, em seu estado natural, a justiça diante de Deus. Em segundo lugar, a nova situação dos Gentios: Eles “alcançaram a justiça.” Eles desfrutam da correta posição diante de Deus. Eles foram declarados inocentes, diante da corte de justiça Celestial. Em terceiro lugar, o método de sucesso dos Gentios: “porém, a justiça que vem da fé.” Aqui está o princípio básico envolvido, conforme se tornou tão claro, ao longo de Romanos: a fé. Esse é o método, pelo qual, alguém pode se tornar justo diante Deus. Os Gentios, que não tinham qualquer método, pelo qual, buscar a justiça, aceitaram, pela fé, a justiça como um dom de Deus.
2- Os Judeus não alcançaram a justiça. O verso 31 torna isso claro: Os Judeus perderam seu lugar dentro do favor de Deus para os Gentios. Mais uma vez, três coisas estão claras. Em primeiro lugar, a antiga situação dos Judeus: eles “buscavam a lei da justiça”. Ao contrário dos Gentios, eles buscavam a correta posição diante de Deus. Eles fizeram isso de acordo com um sistema específico, a Lei. Só que eles não conseguiram perceber que a Lei era um sistema pelo qual eles não poderiam ter sucesso. Em segundo lugar, a situação atual dos Judeus: Israel “não alcançou a lei da justiça.” Embora eles a buscassem, diligentemente, eles não vieram a desfrutar da correta posição diante de Deus. Em terceiro lugar (por implicação), a razão para o seu fracasso: Eles usaram o método errado ao substituir a fé pela observância da lei. Esta razão, Paulo vai explicar em detalhes nos próximos dois versos. Antes de chegar lá, no entanto, perceba que o versículo 30, referindo-se aos Gentios, usa “justiça”, enquanto o verso 31, referindo-se aos judeus, usa “a lei da justiça.” A razão para isso é que os judeus procuravam o tipo de justiça, apresentado na Lei e falharam, até mesmo, em alcançá-la. Afinal, eles não tinham como observá-la.
A Rejeição de Israel Dentro do Favor de Deus (versículos 32, 33). Estes dois versos nos dão exatamente a razão para a rejeição de Israel. A palavra “Portanto” quer dizer isso e, assim, apresenta a causa para a falha indicada no verso anterior.
1- O princípio básico por trás da sua rejeição está, claramente, indicado no versículo 32a: Eles substituíram a fé pelas obras da Lei. Em outras palavras, eles buscaram a justiça, mas pelos métodos errados. Eles desejavam o favor de Deus, porém, imaginando ganhar esse favor por seus próprios esforços, ao observar o sistema Mosaico. E aí eles falharam, porque o favor de Deus nunca é conquistado ou é merecido. Ele não trabalha dessa maneira. E, até mesmo se Ele assim trabalhasse, o homem, de manheira nenhuma, poderia obter o sucesso ao observar a Lei. Tal método, então, está duplamente condenado ao fracasso.
“Eles não a buscaram pela fé”; Existe a tragédia. A justiça estava tão facilmente disponível a eles, tivessem eles ? assim como Abraão (Romanos 4: 3) ? depositado a sua fé em Deus e na dependência Dele, para salvá-los. A fé agrada a Deus. As obras não.
2- O elemento pessoal em sua rejeição é indicado nos versos 32b, 33. Em princípio, eles não colocaram a fé em Deus. Sua incredulidade os condenou. Porém, há algo mais específico do que este que está envolvido na incredulidade de Israel. Não era simplesmente uma genérica falta de fé em Deus que estava por trás de sua incapacidade de alcançar a justiça. Não, houve um caso específico e bem definido de incredulidade, o qual foi responsável por sua rejeição. Essa incredulidade consistiu na rejeição, por Israel, de Jesus, o seu Messias.
Jesus é a “pedra de tropeço” e “rocha de escândalo” (as duas expressões significam a mesma coisa), referida nos versos 32b, 33. Paulo pega essas expressões de outra declaração profética, desta vez, associando em conjunto, tais declarações, conforme se encontram em Isaías 8:14 e Isaías 28:16. Compare também com o Salmo 118:22. A idéia é clara: Deus iria estabelecer uma pedra, de Sua escolha, em Israel, uma pedra destinada a ser a principal pedra angular, a fundação de Seu edifício, um povo justificado. Essa “pedra” era o Messias prometido, aquele, através de quem, viriam as bênçãos reais e a justiça permanente.
E o método para experimentar as bênçãos do Messias, haveria de ser pela : “Todo aquele que nele crê, não será confundido” (“Confundido” significa “envergonhado”; comparar “apressar” em Isaías 28:16, que significa, basicamente, o mesmo que “fugir”). A pessoa que coloca a fé em Cristo não terá que fugir com medo de Deus; ele pode permanecer na presença de Deus, confiante no favor de Deus. Essa é a verdadeira justiça.
Entretanto, as antigas profecias já os advertiram de que esta pedra se tornaria uma pedra sobre a qual os Judeus tropeçariam. (“Ofensa”, significa tropeço). E, na verdade, isso foi o que aconteceu. Os Judeus rejeitaram Àquele que o próprio Deus enviara para proporcionar-lhes salvação, o “Messias” (o Ungido), Jesus. Por conseguinte, Deus os rejeitou, e um povo (Gentios) que depositaria sua fé em Cristo, foi recebido em Seu favor, no lugar deles. Aqui reside a explicação da rejeição de Israel.
Ao concluir nosso estudo desta lição, é preciso nos certificar de que dois elementos importantes estão claros. O primeiro elemento é que devemos rever o padrão de todo o capítulo nove e como esta seção (versos 30-33), se encaixa nesse padrão. Paulo está defendendo a justiça de Deus em rejeitar Israel e ele listou, pelo menos, quatro argumentos principais para apoiar a inerente propriedade divina nessa rejeição. O primeiro argumento: Deus não trata com os homens, através da raça carnal, que eles representam (versículos 6-13). O segundo argumento: Deus é soberano ao lidar com os homens conforme Lhe agrada (versos 14-24). O terceiro argumento: Deus tem dito, o tempo todo, que Ele poderia rejeitar a “raça escolhida” e, como alternativa, trazer os Gentios para dentro do Seu favor. (versos 25-29). Argumento final: Deus rejeitou Israel porque Israel, primeiramente, O rejeitou, ao recusar-se a depositar sua fé no Salvador Ungido de Deus (versos 30-33). Perceba como, cada uma dessas razões, apoia as outras e todas elas, logicamente, cooperam juntamente, para pintar um quadro completo.
O outro elemento de importância é este: A verdade contida na última razão (versículos 30-33) é, absolutamente, necessária para completar o quadro da soberania, apresentado, acima, nos versículos 14-24 (veja a lição anterior). Sem os versículos 30-33, poderíamos ter uma noção errada de versículos 14-24 (como, de fato, os calvinistas são capazes de fazer). Fomos informados de que Deus lida com homens conforme Lhe agrada. Ele é soberano. Ele escolhe alguns e rejeita a outros conforme Ele quer. Ele agradou-se em rejeitar a Israel, dentro do Seu favor. Israel não tem direito de “discutir” com Deus, protestando essa rejeição. Afinal, Ele é o Criador e Israel é criatura. O oleiro pode fazer do barro o que Ele deseja. Ele demonstra misericórdia a quem Ele quer demonstrar misericórdia.
Esse quadro é, absolutamente, preciso, porém, não está completo. Ele não conta a história toda. Pois, enquanto está claro, que Deus lida com os homens conforme Lhe agrada, esse fato, por si só, não nos diz como Lhe agrada lidar com os homens. Como soberano, Ele exerce misericórdia quando quer. Até aqui, tudo bem. Porém, quando e a quem é que Ele vai demonstrar misericórdia? Bem, Ele desejou nãodemonstrar misericórdia àqueles que buscam a justiça por suas próprias obras de auto-justiça. Esse método entraria em conflito com Sua soberania, pois assim, o homem poderia conquistar o Seu favor e Ele estaria obrigado a algo diferente de Seu próprio caráter.
Mais uma vez, então, quando e a quem é que ele vai demonstrar misericórdia? A resposta é: àqueles que irão aceitar a justiça que Ele oferece, como um dom gratuito pela fé em Cristo. A fé é o princípio, Ele insiste na fé. Ele deseja salvar àqueles que colocam sua fé nEle. Perceba, então, que só quando o quadro é completado por ambos os elementos, entendemos plenamente a razão pela qual Israel foi rejeitado.Do ponto de vista da soberania divina, a rejeição de Israel não requer nenhuma outra explicação, além do fato de que Ele escolheu rejeitá-lo. Ele tem esse direito e se não pudermos encontrar uma explicação adicional, ainda teríamos que nos contentar com essa. Porém, agora, nos é dada uma explicação adicional, uma do ponto de vista da responsabilidade humana: Israel foi rejeitado, porque buscou a justiça pelas obras, ao invés da fé. A soberania de Deus estabelece o direito em rejeitar; no entanto, a incredulidade estabelece a razão pela rejeição. Romanos 11:20 confirma isso, de forma incontestável.
Tradução: Cloves Rocha dos Santos
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[1] Nota do tradutor: Esta exposição equivale à subseção A, da Parte 4, em The Book of Romans – Livro de Romanos de Robert E. Picirilli, intitulada: “The Righteousness of God: A Prohibition to the Self-Righteous – A Justiça de Deus: Uma Proibição à Auto-justiça”, a qual abrange o capítulo 22, sob o tema: “God Ignores Flesh – Deus Ignora a Carne”, cobrindo o trecho de Romanos 9:1-13; o capítulo 23, sob tema: “God’s Inherent Freedom,- A Inerente Liberdade de Deus”, cobrindo o trecho de Romanos 9:14-24 e o capítulo 24, sob o tema: “God Insists on Faith – Deus Insiste na Fé”, cobrindo o trecho de Romanos 9:25-33. Fonte: Robert E. Picirilli, The Book of Romans – Livro de Romanos (Nashville, TN: Randall House Publications, 1975), 172-196. Foram suprimidos os esboços de estudo, no início de cada capítulo. No entanto, eles se encontram, na íntegra, ao longo da exposição de cada capítulo, conforme se encontram no livro. O objetivo, ao fazer isso, foi transformar os três capítulos, em um único artigo, e assim, tornar mais prática e fluente, ao leitor, a compreensão do raciocínio geral do Picirilli, em Romanos 9.
[2] Nota do tradutor: Robert E. Picirilli tem ensinado, pregado e escrito teologia Arminiana por mais de 45 anos. Ele se autodenomina um Arminiano Reformado e tem sido um crítico convicto do Calvinimo. Ele tem um mestrado em Teologia e um doutorado no Novo Testamento, com foco no texto Grego. Ele ensinou Grego, interpretação do Novo Testamento e Filosofia Introdutória por quase 50 anos e, agora, está aposentado como Professor Emérito da Free Will Baptist Bible College – Faculdade Bíblica Batista do Livre-Arbítrio (Nashville, Tennessee), aonde ele também atuou como Secretário e Reitor Acadêmico. Ele começou a ensinar em 1955. Ele é membro da Comissão de Pesquisa da Associação Americana de Faculdades Bíblia e serviu duas vezes como presidente da seção do sudeste da Sociedade Evangélica Teológica. Em seus atuais interesses de pesquisa, se inclui a teoria do aspecto verbal e o uso de particípios em Marcos e Lucas, explorando questões de classificação, aspecto, tempo e tipo de ação verbal. Desde 1983, ele continua servindo como editor geral da série de Comentários Biblicos sobre o Novo Testamento da Randall House e, nessa série, contribuiu com os volumes de, Marcos, 1ª e 2ª Coríntios, Efésios, Filipenses, 1ª e 2ª Tessalonicenses e 1ª e 2ª Pedro. Seus demais trabalhos publicados incluem os livros, Understanding Assurance & Salvation – Entendendo a Segurança & SalvaçãoGrace, Faith, Free Will – Contrasting Views of Salvation: Calvinism Arminianism – Graça, Fé e Livre-arbítrio – Contrastando Visões da Salvação: Calvinismo e ArminianismoPaul the Apostle – Paulo, o ApóstoloBook of Galatians – Livro de GálatasThe Book of Romans – O Livro de Romanos e A Survey of the Pauline Epistles – Um Estudo das Epístolas Paulinas, bem como numerosos folhetos e artigos em publicações denominacionais e em jornais teológicos. Dr. Picirilli e sua mulher, Clara, tem cinco filhas, todas casadas. (fonte: http://www.opentext.org/about/partners/rep.htmlhttp://www.infibeam.com/Books/search?author=Robert%20E%20Picirilli e http://www.moodypublishers.com/pub_authorDetail.aspx?id=41798&aid=727).

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