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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Guerra Cultural: você joga, torce, ou será a bola

A guerra mais importante é, sempre foi e sempre será a cultural. A maior prova disso é que, valendo-se da falta de escudos morais dos alheios, o movimento revolucionário irá repor as peças gastas por outras velharias com ares de novidade. Duvida? Então analise o seguinte:
O PSOL já está consolidado e trabalha com a juventude, aproveitando a faixa etária de favelados mentais que estão na fase de se identificar com grupos, e não com a família e correlatos, ou seja, farão qualquer coisa pelo partido e seus ideais.
O REDE já existe, sendo a mais nova aposta do Diálogo Interamericano e demais movimentos globalistas de fachada ambientalista como o Clube de Roma, além de metacapitalistas como George Soros.
Lula já trabalha para substituir o Foro de São Paulo, que foi um sucesso, de modo a criar uma nova organização ainda mais coesa e poderosa, uma vez que até mesmo as contradições não-antagônicas presentes no Foro deverão ser eliminadas. A máfia, que já possui o poder, agora lutará para mantê-lo, custe o que custar.
O Projeto Eurasiano possui o poder de cooptar muitos conservadores, que são maioria no Brasil, através de um pseudo-conservadorismo que de quebra reduziria a agenda globalista a pó. Em um mundo de poderes nuclearizados e armados até os dentes, as novas guerras serão bastante diferentes da Primeira e Segunda Guerra, do contrário não sobrará nada nem ninguém.
O Islam continua agindo silenciosa e eficazmente e, para uma boa parcela de crentes desprovidos de qualquer senso crítico e guiados por charlatões, fazer uma manobra de conversão seria questão de dois toques, além da capacidade que o Islam possui de "botar ordem na casa", o que muito agradaria pessoas sufocadas pela criminalidade, principalmente em favelas, a.k.a. "comunidades".
A Igreja está tomada pelos três esquemas imperialistas e a maioria dos fiéis está mais preocupada em passar a mão na cabeça de Francisco, que é um Office-boy da ONU e do Clube de Roma, do que no mínimo expor e boicotar as partes envolvidas. A CNBB, cria da KGB, reina no Brasil, sendo o maior sustentáculo da quadrilha petista.
O NOVO, se não tomado por dentro por uma ala conservadora ou liberal provida de astúcia, não oferecerá qualquer resistência ao globalismo, porque é cria do próprio, doa a quem doer. Sem um ferrenho combate cultural, o NOVO será um PSDB 2.0 a serviço dos socialistas fabianos.
Então, em meio a tudo isso, temos libertários que não oferecem qualquer resistência aos esquemas de poder com seu eterno combate ao Estado, coisa que jamais conseguirão eliminar, principalmente porque a NOM será sustentada por uma tecnocracia, sendo o Estado apenas uma fachada que cobrirá o verdadeiro esquema de governo mundial, que é científico e lastreado por mais de um século de estudos sobre a mente e o comportamento humano.
Temos liberais que só falam de economia, esquecendo-se que a esquerda ensinou sua economia, que é a arte do impossível e cuja síntese é o roubo, através da vertente cultural, e por isso mesmo as pessoas a praticam de maneira cíclica sem nunca ligar os pontos e entender porque vivem em meio à convulsão econômica e social.
Por fim, a ala conservadora dificilmente consegue estabelecer unidade, principalmente porque diferentes núcleos ficam brigando pelo posto de arautos da cristandade enquanto tudo ao redor desmorona.
Esses apontamentos não possuem nenhum alvo em especifico. São apenas um convite para que todas as partes comecem a entender quais são os times em jogo e suas estratégias, de modo a jogar também, e não fazer parte da ala espectadora, ou pior que isso, da torcida, seja qual for.
Entenda que VOCÊ é a bola, e que será chutada tantas vezes quanto for necessário até que o gol seja feito.
*
Com a oficialização do Rede Sustentabilidade, que já carrega no próprio nome uma histeria fomentada pelo malthusiano Clube de Roma, Marina Silva, a melancia (verde por fora, vermelha por dentro), poderá exercer melhor o papel de Office-boy de figuras como George Soros.
Todavia, caso algum favelado mental, daqueles que dizem que PSDB é de direita, ousar falar que o Rede é "de oposição", tenha sempre este link, mostrando para quem quiser ver que Marina é membro do Diálogo Interamericano ( https://archive.is/Pq2ui ) , ou seja, é uma serviçal da turma socialista fabiana.
Fim de conversa.
Fonte: MsM

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Após mega explosão na China, corrupção e suspeitas apavoram o país. Bolsas desabam na incerteza geral


A potência das explosões foi de 21 toneladas de TNT
A potência das explosões foi de 21 toneladas de TNT
Sucessivas explosões abalaram a cidade Tianjin, quinta maior cidade da China e um de seus polos mais dinâmicos.

Tianjin é o porto de Pequim, do qual dista pouco mais de 110 quilômetros. Por ele passam 540 milhões de toneladas de mercadorias por ano. É o quarto maior porto do mundo.

O fogo teria começado nos depósitos portuários da Rui Hai Logistics especializada no transporte de produtos perigosos, que chegam ou saem por barco, caminhão ou trem.

Todo ano, a empresa transporta um milhão de toneladas de mercadorias desse tipo.

A empresa vinha sendo apontada há anos pela falta de segurança de seus procedimentos, mas nenhuma medida foi tomada a respeito. Tal carência é comum na China onde a corrupção grassa na administração pública e no Partido Comunista garantindo a impunidade, como referiu o jornal de Paris, Le Monde. 

O local da explosão ficou parecendo um campo de batalha, segundo o jornal de Paris Le Figaro.Milhares de carros carbonizados, prédios devastados incontáveis contêineres desfeitos e empilhados. 

Calcula-se que a potência da série de explosões foi de 21 toneladas de TNT. A terra tremeu como num terremoto e as ondas expansivas devastaram tudo num raio de 2 quilômetros do epicentro. 

O presidente Xi Jinping prometeu um inquérito implacável e “ uma informação transparente para o público”.

Ato contínuo, as autoridades locais confiaram o inquérito ao exército que baniu os jornalistas do local e cerceou a informação independente.

Tudo parece feito para nada ficar claro: causas, origem do incêndio, materiais envolvidos, responsáveis, até o número real de mortos e feridos.

Não se entende como tantos materiais perigosos podiam ser armazenados perto da residência de milhares de pessoas
Não se entende como tantos materiais perigosos podiam ser armazenados
perto da residência de milhares de pessoas



























A China tem uma longa e triste história de catástrofes industriais que levaram enorme número de vidas, atribuíveis a falta de segurança básica e à corrupção generalizada na administração pública e no aparato do Partido Comunista.

Nas calamidades precedentes, as autoridades socialistas concentraram sua intervenção no abafamento dos fatos. A população não acredita mais no que lhe é dito.

Há um ano, um explosão numa fábrica de peças para carros em Kunshan, a uma hora de Xangai, deixou 75 mortos. Segundo a Justiça houve desrespeitos flagrantes às normas de segurança. Mas, nada de sério foi feito. Depois foi a sinistra vez de Tianjin.

E três semanas depois foi a vez de uma fábrica química na cidade de Zibo, província de Shandong. Repetiu-se o esquema mortal da explosão de Tianjin, a maior das duas calamidades.  

Não se entende como materiais perigosos podem ser armazenados em tão grandes proporções perto da residência de milhares de pessoas, em Tianjin, Zibo e em outras localidades. Segundo o grupo de mídiaCaixin, de Pequim, os funcionários da empresa responsável jamais receberam instrução específica no quesito segurança. 

Cinco dias depois da calamidade, a China ainda contava os mortos – 123 segundo o computo oficial – e os feridos – mais de 700. Tal vez nunca se saberá o número real. No local, os restos de cianeto, ao qual se atribui o desastre, equivaliam a 356 vezes a quantidade limite tolerável.

Para Claude Meyer, do Centre Asie do Institut Français des Relations Internationales – IFRI e professor de Ciências Políticas da Sorbonne, a catástrofe interessa a perto de 300 multinacionais das mais importantes do mundo, noticiou 20minutes.fr. 

“É difícil conhecer as consequências econômicas do desastre, especialmente porque as informações fornecidas pelas autoridades são muito parciais”, observou.

O problema segundo ele não é tanto o dano material – imenso, mas assimilável – mas o fato de “ter sido posto em evidência e de maneira espetacular o problema da segurança na China”.

Incidentes análogos já aconteceram em outras partes do país, mas ficaram menos conhecidos. Agora, o regime não pode abafá-lo.

Enquanto a população ainda se recuperava do impacto foi assaltada pelo pavor de uma contaminação química geral. As primeiras chuvas formaram sobre o solo uma estranha espuma branca.

Peixes mortos à beira do rio Haihe perto do local das explosões
Peixes mortos à beira do rio Haihe perto do local das explosões





















Os jornais locais publicaram numerosas fotos, as redes sociais estavam cheias de especulações. Muitos falavam de assaduras e queimaduras da pele, escreveu Le Figaro. 

E os temores não eram só psicológicos. O chefe do Escritório de Proteção do Meio Ambiente de Tianjin, Bao Jingling, aconselhou os habitantes a não se expor à chuva e nem misturar com água a poeira espalhada pela explosão. 

Não demorou muito para as beiras do rio Haihe próximo do local das explosões aparecerem cobertas com imensas quantidades de peixes mortos.

NBC News noticiou que “a divisão de luta química do exército foi enviada ao local e que a situação estava gerando muita preocupação”.

O governo admite a presença de centenas de toneladas de cianeto, altamente tóxico, usado pela indústria civil. O recurso a uma equipe de 217 militares especialistas em armas nucleares, bacteriológicas e químicas, junto com o silenciamento das fontes independentes de informação faz pensar em algo inconfessável.

Em várias contas de Weibo, espécie de Twitter chinês, há queixas de censura de fotos. 

Segundo a agência oficial China News, os principais donos da Rui Hai agiam sob nomes falsos e faziam parte da nomenklatura comunista que governa o país. 

Dong Shexuan, 34, que controla 45% da Rui Hai é filho do antigo chefe de polícia de Tianjin e usava o nome de um colega, por causa do pai. De fato, Dong reconheceu ter obtido as licenças por meio de suas relações políticas na polícia e nos bombeiros, noticiou Le Figaro. 

O primeiro ministro Li Keqiang contempla a magnitude do desastre. O presidente Xi Jinping prometeu transparência total mas mandou silenciar a imprensa
O primeiro ministro Li Keqiang contempla a magnitude do desastre.
O presidente Xi Jinping prometeu transparência total mas mandou silenciar a imprensa
A outra parte da empresa pertence a Yu Xuewei, ex-diretor daSinochem, o gigante da indústria química chinesa que agia dissimulado por trás do nome de um terceiro.

Rui Hai International Logistics chegou a trabalhar sem licença nenhuma, informou aChina News. Yu Xuewei justificou-se, dizendo que “muitas outras empresas agem assim”.

O próprio prefeito de Tianjin fez um mea culpa sinuoso e público. “Não posso eludir minhas responsabilidades”, disse Huang Xingguo, enquanto os moradores evacuados de suas casas tornadas inabitáveis manifestavam enfurecidos diante do luxuoso hotel onde o prefeito fazia sua conferência de imprensa. 

Por sua vez, o governo central tenta passar toda a responsabilidade aos dirigentes socialistas locais. Pequim quer driblar a cólera popular e o vespeiro de denúncias da irresponsabilidade geral do sistema comunista a nível nacional. 

A opacidade com que o governo trata do caso atiça a desconfiança da população, como aconteceu há pouco no terremoto de Sichuan e é um dos fatores mais aterrorizantes do pesadelo que sofre a grande nação chinesa sob a bota comunista.


Fonte: Pesadelo Chinês

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Por que o Estado intervencionista se mantém no poder?

medo.jpgExistem dois instintos subjacentes a toda a ação humana: o instinto da criação e da realização; e o instinto do medo e da insegurança.
Quando o instinto de realização e criação é dominante no indivíduo, a liberdade se torna para ele o valor mais precioso.  Quando, pelo contrário, a segurança é o instinto dominante, a inércia ou a estabilidade surgem como o valor mais apreciado.

No campo político — isto é, em toda essa área social na qual as pessoas procuram determinar regras e procedimentos comuns, aos quais todos os elementos de uma sociedade devem estar sujeitos —, aqueles dois valores são materializados em duas ideologias ou princípios de valores: o liberalismo e o intervencionismo. O liberalismo se assenta essencialmente no primeiro daqueles valores: a liberdade.  Já o intervencionismo se assenta inteiramente no segundo, a inércia. Por sua própria definição, o liberalismo tem um caráter muito menos político do que o intervencionismo: o liberalismo simplesmente recorre ao essencial princípio da ação humana — inerente a cada indivíduo — para efetuar realizações e criações. O liberalismo representa a ação positiva.  E ele requer apenas única ação negativa: os indivíduos não podem agredir e coagir terceiros inocentes.  Não se pode agredir a integridade física e a propriedade (inclusive a renda) de outros indivíduos. É apenas este aspeto, de um modo geral, que é para o liberal o objeto de ação política. 

Já o intervencionismo se assenta em um conjunto de valores essencialmente negativos. Sob o intervencionismo, estabilidade e segurança financeiras são preferidas em detrimento da realização pessoal.  Consequentemente, a inércia e o medo adquirem total proeminência ao passo que a liberdade pessoal vai se apequenando continuamente. No intervencionismo, o campo de ação política estende-se indefinidamente, já que deve ser garantida a priori (em teoria), a todos os indivíduos, a tal segurança financeira. Como o ser humano, em liberdade, é a maior fonte possível de criação na natureza, e esta criação implica uma alteração contínua de padrões sociais e econômicos (aquele que sabe criar mais valor ficará financeiramente mais rico, e o que não souber ficará estagnado), o intervencionismo tem de recorrer a vários tipos de repressão para coibir essa "desestabilizadora" liberdade criativa do homem.  Os tipos mais comuns de repressão são regulações burocráticas, legislações restritivas e impostos progressivos. Da regulação e da legislação surge a coibição da realização e da criação; e dos impostos surgem a espoliação e a redução do incentivo material àquela criação. Destes três modos de coerção surge uma sociedade cujo centro principal de ação é a ação política — a ação que consiste em A decidir o que B pode ou deve fazer.

O intervencionismo é por isso o ecossistema natural da política, a sua justificação maior. Em uma sociedade em que as ideias socialistas prevalecem (clique aqui para entender a definição moderna de 'socialismo'), a instituição central do corpo político, o estado, cresce e prospera, pois sua ação é legitimada pelos valores essenciais da ideologia predominante. A ação política torna-se assim um dos principais campos da ação humana. Compensa mais trabalhar para o estado do que trabalhar para o consumidor. O estado é utilizado para restringir a concorrência nos negócios privados (concorrência entre empresas, profissões e setores) e para obter rendimentos que seriam ilícitos em uma sociedade verdadeiramente livre.

A legislação, a regulação e o nível de impostos não têm limites — basta que sejam justificados com o chavão de "garantir o bem comum". Todos os setores são "regulados" pelo estado, desde as universidades privadas (cujos cursos estão sujeitos à aprovação do Ministério da Educação e cujos currículos são integralmente definidos por este) aos serviços de táxi, passando pela proibição do comércio funcionar aos domingos e culminando na concessão de poder a uma ordem profissional para regular os padrões de qualidade dos seus profissionais quando o objetivo último é travar a concorrência dos jovens licenciados.  De um extremo ao outro, a livre concorrência é proibida por agências reguladoras em todos os grandes setores da economia, e sempre em prol dos grandes empresários já estabelecidos neste setor.Enfim, uma lista interminável que, com o argumento de regular, qualificar e legislar, tem como objetivo último a estabilidade e a segurança de organizações e grupos de pessoas em detrimento de outras. O problema insolúvel do intervencionismo é que, para garantir a estabilidade de uns, promove a instabilidade e a destruição de outros. Em qualquer um daqueles exemplos é possível ver que, de um modo arbitrário, uns ganham e outros perdem.  Em regra, o fator determinante para se ganhar é fazer parte do estado ou então estar próximo dele, por meio de amigos no alto escalão ou tendo influência ($) junto ao mesmo.

Mas, a partir de um certo ponto, todos os cidadãos são presas da própria figura do estado, mesmo os que vivem essencialmente dele e para ele. Quando o estado se instala em todo o seu esplendor intrusivo e tentacular, torna-se uma máquina com vida própria: os governos passam, os políticos passam, os altos funcionários e os sindicatos passam, mas as regulamentações e as legislações ficam, e a instituição estatal torna-se sempre um pouco maior a cada novo ciclo de ocupantes.Cada mortal que passa pela estrutura burocrática do estado gosta de acrescentar uma legislação, uma regulação, uma secretária, repartição ou agência, um cargo, um imposto ou uma taxa. Pessoas que fariam um grande bem a todos caso se dedicassem a criar e a produzir em seu benefício e do próximo, dedicam-se antes ao ofício político.  Funcionários públicos que poderiam ter uma carreira mais válida do ponto de vista de realização pessoal e mais legítima do ponto de vista do bem social trocam a incerteza "do setor privado" pela segurança e comodismo do estado. Atividades que prosperariam mais se deixadas à livre concorrência já não são imagináveis fora do estado pelo comum dos cidadãos.

O estado é detestado porque intrusivo e autoritário, mas ao mesmo tempo é santificado, pois faz o que "os privados" não fariam — o cidadão comum já não consegue conceber que a educação, a saúde e a segurança social não sejam providos essencialmente pelo estado.
Ele acredita que, se não fosse o estado a ajudar os pobres, os desempregados e os aposentados, estes estariam todos na sarjeta (isto é, metade da população). Ele não consegue conceber que uma sociedade livre tem os seus próprios mecanismos naturais de solidariedade e que estes são pouco visíveis agora precisamente porque o estado monopolizou a assistência social absorvendo os recursos da sociedade civil que seriam destinados a esses fins. "Por que farei caridade se já pago impostos para que o estado faça a caridade por mim?"

O cidadão comum sente-se intimidado quando os intelectuais de esquerda o lembram dos trabalhadores darevolução industrial e das crianças que trabalhavam 10 horas por dia — mas não se lembra que esses trabalhadores foram para a cidade porque ganhavam aí muito mais do que no campo. E se na cidade e nas fábricas escuras e sujas as condições ainda estavam longe do ideal (estava-se no começo), esses heróis do proletariado morriam de inanição nos campos idílicos fantasiados pela esquerda onde as crianças trabalhavam igualmente, mas morriam muito mais. É como a China "comunista neoliberal": os trabalhadores chineses ganham uma miséria quando comparados aos ocidentais, mas ganham 10 vezes mais do que no campo, e ainda mandam dinheiro para lá.
Apesar de todas as "ajudas" do estado serem sempre pagas pelo cidadão comum, ele de alguma forma acha que está se beneficiando dele; e se não estiver agora poderá vir a beneficiar depois. A quantidade de impostos que ele paga não é muito sentida, pois os impostos indiretos já são retidos pelas lojas, o imposto de renda e o INSS são retidos na fonte, e toda a cornucópia de outros impostos sobre o consumo já ficam na fatura — mais da metade do que ele paga na gasolina são impostos, mas nem se nota.

Os políticos são considerados moralmente corruptos, o atual modelo democrático-partidário está moralmente falido e financeiramente também (mas pode-se aumentar sempre os impostos), e o próprio estado já não é considerado pessoa de bem pela maior parte das pessoas. Mas enquanto essa ideologia intervencionista — que nada mais é do que um desdobramento da ideologia socialista —, predominar na mente dos cidadãos, não se pode esperar outra coisa senão o progressivo crescimento desse estado, até ao ponto de putrefação e ruptura total.

Em defesa da linguagem



karl“Eu e meu público nos entendemos perfeitamente. Eles não ouvem o que digo, e eu não digo o que eles desejam ouvir”.Karl Kraus


Há tanta coisa acontecendo bem agora, com um possível terremoto financeiro na Europa, que estamos todos sujeitos a focar os efeitos ao invés das causas. Por muitos anos tenho me perguntado porque tantas pessoas inteligentes e aparentemente responsáveis são de algum modo incapazes de entender nossa falência coletiva. Suspeito que se deva a uma indecente preferência por atalhos intelectuais.

Em Reflexões Autobiográficas, de Eric Voegelin, encontramos um tributo a Karl Kraus (foto). Escreveu Voegelin: “Seu trabalho... deve ser entendido no contexto da fantástica destruição da linguagem alemã durante o período Imperial da Alemanha após 1870”. Hoje tendemos a associar nosso presente declínio às inovações da década de 1960, ou aos efeitos malignos dos totalitarismos de 1920 e 1930. Mas não, a degeneração real iniciou-se muito antes. Os males dos dias modernos não emergiram do nada. A Era Dourada do capitalismo liberal foi a verdadeira origem de nossa atual decadência – o terreno de nossos empreendimentos mais malignos. Aqui está o início da corrupção de toda linguagem, todo pensamento, todo espírito. “Quem recusa todo compromisso de linguagem”, disse Kraus, “recusa todo compromisso de causa”.
Devemos aprender com o fato de que a sociedade burguesa deu nascimento ao socialismo a partir das concepções de seus próprios filhos e estudantes, que sempre o nutriram. Mas isto é apenas meia verdade. Os filhos alienados da burguesia, educados em grau perigosamente alto, descobriram um profundo antagonismo entre a respeitabilidade da vida burguesa e o escândalo do pensamento independente. “O pensamento é uma criança mimada”, escreveu Kraus. “Na vida de classe média alguém encontra-se apenas com a opinião”. Entretanto, o garoto supereducado despreza seu pai empresário. O filho educado do homem trabalhador torna-se um revolucionário chamado “Stalin”. A educação torna-se um veneno para muitas pessoas; pois todos que são educados são, na verdade, educados pela metade. E o que poderia ser mais perigoso?

Este envenenamento da mente, como fruto da prosperidade e educação da classe média, tem conduzido a civilização ao fiasco do intelectual. Seres humanos, geralmente, não são pensadores competentes. Tendemos em direção à incompetência, e a excelência intelectual amplamente consiste em momentaneamente superar esta incompetência. Neste contexto, entretanto, permita-nos considerar a seguinte trajetória: a saber, que os intelectuais enamoraram-se pelo darwinismo, pelo marxismo e abraçaram a psicanálise. E como observou Karl Kraus, “a psicanálise é a doença mental da qual ela pretende ser a cura”. Podemos dizer também que o marxismo é a opressão política da qual pretende ser a salvação? E não falhou o homem em evoluir em dignidade desde A Origem da Espécies de Charles Darwin?

A degeneração de nossa linguagem moderna origina-se em nossa preferência por ideologias e ciências fraudulentas. Aqui são encontrados os fundamentos de nossa falsa consciência. Voegelin diz-nos que Karl Kraus resistiu à ideologia devido a ela ser a destruidora da linguagem, “quando o pensador ideológico perde o contato com a realidade e desenvolve símbolos para expressar não a realidade, mas seu estado de alienação dela”. Para combater isto precisamos restaurar a linguagem evitando o modismo do atalho intelectual. Mas isto não é fácil, pois as pessoas desejam uma fórmula. Elas desejam ouvir as cadências de Adolf Hitler: “Um povo, um império, um líder”. Elas preferem as nítidas linhas divisórias do conflito de classes, de pobres contra ricos, de nós contra eles. Julien Benda chamou a isto de “a traição dos intelectuais” na qual tudo é focado na organização do ódio político.

Estamos tornando-nos insanos e o politicamente correto está na raiz de nossa insanidade. Esta é uma verdade simples que parecemos incapazes de confrontar. A sociedade está gradualmente perdendo contato com a realidade, e o indivíduo está perdendo contato com a realidade, porque nossos líderes estão abusando da linguagem a fim de inverter a realidade. As coisas devem, mais uma vez, ser chamadas por seus nomes adequados. A progressiva desintegração de nossa sociedade não pode ser entendida sem primeiro compreendermos as consequências de nossa degeneração (ou violação) da linguagem. “O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa”, escreveu Voegelin. “Seu sucesso deve ser entendido no contexto de uma sociedade intelectualmente e moralmente arruinada na qual personalidades que de outro modo seriam grotescas figuras marginais, podem alcançar o poder público porque soberbamente representam as pessoas que as admiram. Esta destruição interna da sociedade não terminou com a vitória aliada sobre os exércitos alemães na Segunda Guerra Mundial, mas ainda continua”.

Não houve vitória real para a civilização em 1945. E a Alemanha não foi unicamente a culpada prévia a 1945. Toda a espécie humana civilizada está implicada num desastre que ainda continua. A destruição de nossa vida intelectual e espiritual continua ainda hoje, apenas falhamos em reconhecer os sintomas. Como Voegelin explicou mais de um quarto de século atrás, “não há ainda fim à vista na medida em que diz respeito à desintegração da sociedade, e consequências que podem surpreender são possíveis.

Simplesmente olhe a sua volta. Nosso mundo é um mundo em que homens são mulheres e mulheres são homens, no qual jovens sabem melhor que idosos, no qual princípios ancestrais são solapados por novos princípios mal madurecidos. O que era anteriormente vergonhoso agora é enobrecido. O que era anteriormente imoral, é agora moral. Nietzsche certa vez descreveu o desenlace da antiguidade como “Nero no trono e Deus na cruz”. Parece que o final de nossa civilização está tendendo na mesma direção.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Retorno necessário à filosofia moral de Adam Smith

ECONOMIA E MORALIDADE
Adam Smith escreveu a obra A Riqueza das Nações, que foi publicada pela primeira vez em 1776. É uma das primeiras grandes obras de economia. Smith era um filósofo que tratava também da moral – ele conferenciou e escreveu sobre ética e jurisprudência. Em sua obra anterior, A Teoria do Sentimento Moral, ele estabeleceu as bases para o entendimento da moralidade humana em termos de solidariedade (ou simpatia). A administração do “grande sistema do universo (…) é trabalho para Deus e não para o homem”, escreveu Smith. “Para o homem está atribuído um departamento bem mais modesto [...] que é cuidar da própria alegria, da sua família, amigos e país…”. Smith então acrescentou outra observação, que por sua vez abriu as portas para a ciência econômica. Ele disse que “a imodéstia e rapace naturais” dos ricos trazem consequências benéficas – embora não intencionais – aos pobres. Smith afirmou que a troca voluntária de bens e serviços beneficiou a sociedade e o indivíduo: o avanço cultural seria inconcebível sem o comércio. Com o avanço do comércio vem o avanço da solidariedade e do entendimento mútuo. Isso significou, do ponto de vista de Smith, que o progresso econômico pode ser compatível com o progresso moral; com efeito, ele pode até ser essencial ao progresso moral. Leve em consideração como a expansão do comércio pode prevenir guerras conforme várias nações formarem laços de solidariedade por meio da troca de bens. Se os homens forem capazes de prover as coisas uns para os outros pacificamente, por que haveria ódio e conflito para torná-los inimigos?
Não é acidental que esse filósofo moral tenha escrito o primeiro grande livro de economia. Os antigos postulavam a moralidade colocando a seguinte questão: Qual é a boa vida para o homem? Essa questão levou vários filósofos antigos a discussões acerca da virtude e do bem moral. Smith não tentou negar esse pensamento antigo, ele apenas sugeriu que a utilidade é uma virtude em seu próprio direito. Ele escreveu que a sociedade parecia ser uma grande máquina “cujos movimentos regulares e harmônicos produzem milhares de efeitos agradáveis. Assim como qualquer outra máquina bela e nobre produzida pelo artifício humano, aquilo que tender a tornar seus movimentos mais suaves e fáceis obterá a beleza deste efeito…”. Por outro lado, “aquilo que tender a obstrui-la causará desconforto a esse respeito…”. É, portanto, importante descobrir o que faz essa “máquina bela e nobre” funcionar. É a imodéstia do homem? É a ganância?
O homem não é um ser meramente interesseiro, escreveu Smith. O homem é um ser solidário (ou simpático) que aplaude a virtude de Catão enquanto detesta a vilania de Catilina. O primeiro lutou pela liberdade na república romana e o último foi um senador romano amargurado que lutou para destruir a república e formar um regime revolucionário de terror. “Não é entendendo que a prosperidade ou a subversão da sociedade daqueles tempos e nações remotas sejam influentes sobre a nossa felicidade ou tormento atuais”, escreveu Smith, “que [...] estimamos o virtuoso e culpamos os personagens desordenados”. De fato, não há nenhum tipo de ganho próprio em estimar ou culpar pessoas que estão mortas há mais de 2 mil anos. O homem é capaz da preocupação desinteressada e da consideração objetiva. Ele pode imaginar-se no lugar de outra pessoa. Ele pode distinguir o certo do errado em eras distantes e entre pessoas mortas há muito tempo. “A solidariedade não pode, em sentido algum, ser considerada um princípio egoísta”, escreveu Smith. “Quando solidarizo com a tua tristeza ou indignação… (estou me) colocando na sua situação e, portanto, considerando o que eu deveria sentir em tais circunstâncias”. Tal é a base da sociedade, da família, da economia e da amizade. Agimos por nós mesmos, mas também agimos na base da honra e da confiança.
Sendo assim, se quisermos entender Adam Smith corretamente, não devemos concluir que ele diz que os homens são seres interesseiros guiados apenas pela “mão invisível” do mercado. Esse é de fato um conceito importante, mas ele também disse que nossa simpatia natural pelo próximo está constantemente nos direcionando por caminhos incontáveis.   “De toda essa área da natureza humana de onde derivam todos os sentimentos, emoções e amor próprio”, diz Smith, “e que fez muito barulho no mundo – mas que, segundo meu entender, nunca foi total e claramente explicada – parece ter surgido uma interpretação confusa e falsa do mecanismo de solidariedade.”
Da experiência pessoal, muitos de nós percebemos que nossas relações mais íntimas são construídas acima de tudo na confiança: eis a base da própria solidariedade e da economia. Dar sua palavra que algum serviço será realizado é de suma importância para a criação da riqueza. “Dizer a um homem que ele mente”, disse Smith, “é de todas as afrontas a mais mortal. Mas quem quer que minta séria e deliberadamente está consciente de que merece essa afronta, que não merece ser acreditado, que perde todo o direito de receber as benesses, conforto ou satisfação na sociedade em que vivem os outros homens”. A confiança é a base de toda economia assim como a solidariedade (ou simpatia) é a base da confiança. No meio capitalista não estamos empenhados em uma “guerra de todos contra todos”, termo esse cunhado por Thomas Hobbes ao descrever a humanidade em seu estado natural. “Para que se possa refutar tão odiosa doutrina”, escreveu Smith, “foi necessário provar que, antecedente à toda lei ou instituição positiva, o espírito foi naturalmente dotado de uma capacidade que se distinguiu em determinadas ações ou afeições, isto é, distinguir entre o certo, o errado, o culpável e o vicioso”.
Como filósofo moral, Adam Smith atacou a interferência dos governos na economia (com algumas notáveis exceções), apoiou o livre mercado e alertou que os empréstimos descontrolados dos governos podem torná-los beligerantes descontrolados. Ele não estava tentando justificar um sistema de exploração, mas sim tentando entender a própria ordem das coisas. Com efeito, Smith acreditava que a liberdade econômica não era simplesmente um caminho para as riquezas – ele acreditava que era algo moralmente benéfico. Nos dias de hoje nos ensinam a ver as coisas de modo diferente. A moralidade é pouquíssima discutida e já não se acha mais filósofos morais. A própria sociedade já rejeitou vários dos ensinamentos morais prevalecentes na época em que Smith era vivo. Podemos apenas conjeturar quais correções ele faria em seus escritos se vivesse entre nós hoje em dia.
Fonte: Financial SenseMsM

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A confusão mental que nos impede de progredir

"BRASILEIRO FOI ÀS RUAS E GOSTOU - MAS CONTINUA SEM ENTENDER NADA"

Por Leandro Rogue
Adaptado por Artur Eduardo

brasil.jpgApós mais de duas semanas de protestos diários nas ruas, já é possível fazer uma análise mais acurada das motivações das pessoas envolvidas nas manifestações. 
Até o momento, há dois grupos envolvidos.  Um grupo é formado por pessoas que fazem reivindicações as mais diversas e opostas possíveis: há desde libertários pedindo redução de impostos, livre concorrência e desregulamentações a grupos comunistas pedindo a estatização geral do transporte público.  Há grupos que fecham estradas pedindo a construção de viadutos, a instalação de lombadas eletrônicas e o barateamento do sistema de transportes, e há grupos que fecham avenidas exigindo maiores salários para professores e médicos, e mais recursos direcionados para a saúde e a educação.  Há estudantes universitários pedindo mais bolsas e um maior valor para as bolsas, e há professores universitários querendo que seus salários sejam equiparados aos dos professores das "universidades de ponta".  Há alienados que manifestam apenas pelo prazer de segurar um cartaz e gritar refrãos bacanas e há espertalhões que utilizam estes alienados para aumentar o coro em prol de suas reivindicações.

A esmagadora maioria clama pelo "fim da corrupção" e por mais e melhores serviços públicos, o que inclui "transporte público, gratuito e de qualidade", o que é equivalente a um círculo triangular.  E, até o momento, a vitória tem estado majoritariamente do lado estatista: os governadores do Rio Grande do Sul (Tarso Genro, do PT) e de Goiás (Marconi Perillo, do PSDB) acabam de anunciar o passe livre estudantil, o que significa que os pobres agora pagarão pelo transporte de universitários.  Já o senador Renan Calheiros, ávido por melhorar sua reputação perante a esquerda estudantil, foi ainda mais longe e aprovou em regime de urgência a votação da proposta de passe livre estudantil para simplesmente todo o país.  Basta o Senado aprovar e a estrovenga estará implementada.  O PLS 248/2013 "assegura gratuidade no sistema de transporte público coletivo local a estudantes do ensino fundamental, médio ou superior regularmente matriculados e com frequência comprovada em instituição pública ou privada". (...)

Mas a intenção deste artigo não é se concentrar nos arruaceiros, mas sim nos motivos que levaram as pessoas às ruas para fazer reivindicações.  E o fato é que quem acompanha nossos artigos sobre a economia brasileira aqui no IMB não deveria estar surpreso com as reivindicações, mesmo com aquelas que involuntariamente clamam por mais estado.  Tudo está ocorrendo exatamente como explica a teoria dos ciclos econômicos. Há duas grandes motivações que estão levando as pessoas às ruas: uma é de cunho econômico e a outra é de cunho emocional.  Só que ambas são interligadas. O período que vai de 2007 até meados de 2011 foi mágico para a economia brasileira.  Mesmo a recessão de 2009 — que foi curta pelos motivos explicados aqui — não abalou em nada a confiança do brasileiro de que o futuro finalmente havia chegado, que o país deixaria de ser uma eterna promessa, e que o gigante finalmente estava desperto.  Ledo engano.  Tudo não passava de um truque possibilitado pela expansão artificial do crédito, algo com o qual o brasileiro ainda não estava acostumado. 

 A expansão artificial do crédito não gera prosperidade, mas sim uma enganosa aparência de pujança. No nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada (na verdade, meros dígitos eletrônicos), emprestam este dinheiro e cobram juros sobre eles. Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.   Esse aumento da quantidade de dinheiro na economia faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de prosperidade.  A renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

A sensação vivenciada pelas pessoas durante essa fase de prosperidade artificial é maravilhosa: a renda nominal das pessoas cresce anualmente; investidores se animam ao ver que o valor de suas ações cresce diariamente; as indústrias de bens de consumo conseguem vender tudo que põem no mercado e a preços crescentes; os estoques das empresas são prontamente vendidos; apartamentos são vendidos ainda na planta; novos empreendimentos são continuamente iniciados; carros zero são vendidos aceleradamente; novos restaurantes e novas lojas são inaugurados diariamente; os preços e os lucros sobem mensalmente; trabalhadores encontram empregos a salários nominais cada vez maiores; restaurantes estão sempre cheios e com longas listas de espera apenas para arrumarem uma mesa; trabalhadores e seus sindicatos veem o quão desesperadoramente empresários estão demandando seus serviços em um ambiente de pleno emprego, aumentos salariais e (nos países mais ricos) imigração; líderes políticos se beneficiam daquilo que parece ser uma economia excepcionalmente boa, a qual eles venderão ao eleitorado como resultado direto de sua liderança e de suas boas políticas econômicas; burocratas responsáveis pelo orçamento do governo ficam impressionados ao descobrir que, a cada ano, a receita está aumentando em cifras de dois dígitos. Porém, tal arranjo não pode durar.  


Há um enorme descoordenação entre o comportamento dos consumidores e dos investidores.  Os consumidores seguem consumindo sem a necessidade de poupar, pois a quantidade de dinheiro na economia aumenta continuamente, o que torna desnecessária qualquer abstenção do consumo.  E os investidores seguem aumentando seus investimentos, os quais são totalmente financiados pela criação artificial de dinheiro virtual feita pelos bancos e não pela poupança genuína dos cidadãos.  Tal arranjo é completamente instável.  Trata-se apenas de uma ilusão de que todos podem obter o que quiserem sem qualquer sacrifício prévio. No Brasil, os indivíduos intensificaram seu endividamento para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuaria farta e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo estimuladas tanto pela expansão monetária coordenada pelo Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos. 

No entanto, este aumento do endividamento também trouxe um aumento nos calotes, o que deixou os bancos mais cautelosos em continuarem expandindo o crédito.  E os bancos estarem mais cautelosos significa menor expansão da quantidade de dinheiro na economia (como mostram os gráficos deste artigo).  Consequentemente, a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia brasileira começou a desacelerar, o que levou a uma estagnação da renda nominal das pessoas.  Isso fez com que o modelo de crescimento baseado na simples expansão do crédito se esgotasse. No entanto, os preços continuaram subindo, tanto em decorrência de toda a expansão monetária que já havia ocorrido quanto pela súbita desvalorização da taxa de câmbio ocorrida em 2012 e intensificada agora em 2013, o que tornou as importações mais caras e as exportações mais atraentes.  Uma combinação entre menos importações e mais exportações reduz a oferta de bens no mercado interno, o que gera uma pressão nos preços destes bens.

Esse arranjo que combina renda nominal estagnada, preços em contínua ascensão e endividamento (e inadimplência) em alta está gerando não apenas uma enorme sensação de aperto financeiro nos brasileiros, como também trouxe uma grande frustração a estas pessoas.  Aquela economia que outrora parecia invejável e rumo a um futuro auspicioso repentinamente estagnou-se, perdeu todo o seu brilho e, agora sem essa camuflagem, explicitou toda a sua realidade: infraestrutura caótica, serviços públicos marfinenses, inflação de preços sempre acima da meta do Banco Central (meta esta que já é alta até mesmo entre países em desenvolvimento), endividamento crescente, renda estagnada e famílias cujos salários mal chegam ao final do mês.
010210-istoe.jpgUm perfeito exemplo de como uma expansão econômica artificial mexe com o psicológico e com o senso de realidade das pessoas nos foi fornecido por esta capa da revista Isto É, de 6 de janeiro de 2010, na qual o hebdomadário dizia que já éramos uma potência:
Segundo a reportagem:
"O Brasil está conseguindo o raro feito de extrair opiniões quase unânimes mundo afora. São poucos, pouquíssimos, os economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado. E mais: são ainda mais raros aqueles que duvidam da capacidade de o Brasil se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta em um par de dezena de anos."
Dentre os "poucos, pouquíssimos, economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado" certamente estão os economistas deste site, que ainda em 2010 alertavam que tudo era infundado. É claro que, após ter sido bombardeado por inúmeras notícias como essa durante quase 3 anos, é natural que o brasileiro médio hoje se sinta deprimido, e até mesmo revoltado, ao constatar que foi enganado e que a economia pujante que lhe haviam prometido nada mais era do que um conto de fadas.  Ludwig von Mises explicou bem este componente emocional em suas obras.  As pessoas se acostumam a um padrão de vida crescente durante a fase da expansão econômica artificial e, mais tarde, quando a nova realidade se impõe avassaladoramente, elas se recusam a aceitar que tudo não havia passado de uma gostosa mentira, pois imaginavam que aquela fase próspera realmente representava um novo e definitivo padrão.  Os países da Europa mediterrânea estão vivenciando o mesmo fenômeno.

Aturar corrupção, uma infraestrutura caótica e serviços públicos sofríveis é relativamente fácil quando se está com a renda crescendo mais que os preços e com a capacidade de consumo em alta.  Porém, tão logo esses indicadores se invertem e o endividamento teima em não cair, a depressiva realidade se impõe e resta ao cidadão ir protestar nas ruas clamando por medidas que arrefeçam sua situação.  Ninguém vai às ruas protestar contra a corrupção ou para exigir melhorias na saúde, na educação e nos demais serviços públicos quando a economia está com bons indicadores, a capacidade de consumo está em alta e o dinheiro chega até o final do mês.  No entanto, basta esses indicadores piorarem, que todo o esforço de mobilização se torna mais fácil.  Ou será que alguém acredita que Collor caiu por causa de um Fiat Elba? 

A verdade é que o povo brasileiro queria crédito farto a juros baixos para comprar imóveis, carros, motos, televisores e outros eletrodomésticos.  Conseguiu.  Queria que o governo expandisse continuamente seus gastos para, dentre outras coisas, aumentar as contratações para o setor público, que é o objetivo de vida de vários integrantes da classe média.  Conseguiu.  Queria que o governo protegesse a indústria nacional e seus empregos aumentando as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros (chegando ao ponto de organizar operações ao estilo da Stasi nos aeroportos, abrindo malas e confiscando até mesmo as roupas que os brasileiros compravam no exterior).  Conseguiu.  Aceitou que o governo utilizasse o BNDES para conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas, as quais iriam se transformar em "campeãs mundiais".  E defendeu quando o governo obrigou todas as grandes empresas do país a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil, o que deu a estes fabricantes a capacidade de aumentar seus preços sem sofrer concorrência. O povo aprovou tudo isso, mas estranhamente não quer arcar com as consequências destas políticas, que são o aumento da inflação e do endividamento, a estagnação da renda, e a perpetuação da ineficiência.  E não apenas não quer arcar, como está pedindo mais ação justamente do ente que causou tudo isso.  Trata-se de um exemplo clássico de um povo que não sabe estabelecer uma relação de causa e efeito.

Conclusão
Como já explicou o economista Gary North, a maioria dos protestos de rua tem uma mesma característica: uma hora eles acabam.  É impossível manter protestos maciços como estes que estamos vivenciando por um longo período de tempo.  Ou os manifestantes se cansam e perdem a motivação, ou as autoridades se tornam mais bem organizadas e passam a reprimir com mais vigor.  Mas há também uma pequena chance de as coisas irem para o lado oposto.  Logo, quando demonstrações como essa começam a ocorrer, ou elas se enfraquecem e desaparecem ou elas se agravam e acabam derrubando o governo. Para o governo, a melhor estratégia é continuar prometendo reformas.  Se o povo engolir as promessas, as manifestações irão acabar.  Mas essa estratégia é um tanto arriscada, pois pode ser que as manifestações ganhem novos adeptos, se espalhem por todo o país e cheguem a um ponto em que a própria legitimidade do governo é colocada em xeque.  Neste ponto, como é de praxe na América Latina, pode ocorrer um golpe de estado.  O governo é derrubado e uma junta militar assume o controle.

Incompetência e descoordenação governamental provocaram queda da atual administração presidencial do Egito, o que a imprensa internacional está chamando de "momento perigoso de descrédito na democracia" . Fonte: Uol

Uma coisa boa que poderia advir destes protestos seria se eles solapassem a confiança e a esperança que o povo brasileiro deposita no estado.  Se eles erodissem a santidade do governo, se eles explicitassem a incompetência do governo e fizessem com que as pessoas finalmente entendessem a verdadeira natureza do governo, já teriam feito algo positivo.  Qualquer coisa que enfraqueça a crença no estado, e que não recorra à violência, é positiva.  Se uma geração de jovens entender que não deve depositar no governo suas esperanças de uma vida melhor, então as manifestações terão gerado resultados positivos.  Para que isso ocorra, é essencial que grupos pró-liberdade e pró-livre mercado se aproveitem desta oportunidade para difundir a mensagem de que menos governo e menos burocracia geram mais liberdade e mais prosperidade.  Isso sim poderia gerar efeitos positivos. Mas não tenho muitas esperanças quanto a isso.  No geral, estes manifestantes são impermeáveis à lógica e estão defendendo apenas mais espoliação e mais verbas para políticos e sindicatos, ainda que não entendam que é isso que eles estão fazendo.

O fato é que, com a renda estagnada, com a inflação de preços em teimosa alta, com o endividamento e a inadimplência em níveis inauditos, e com o real se esfacelando perante o euro e o dólar, encarecendo sobremaneira as importações de insumos básicos e diminuindo nosso padrão de vida — exatamente como queriam o Banco Central e o Ministério da Fazenda —, há um risco real de o caldo entornar e a situação ficar realmente fora do controle. Estamos vivenciando exatamente aquilo que ocorre quando se entrega o comando da economia a pessoas que não têm a capacidade de gerenciar nem sequer uma carroça de pipoca.  A democracia e o apelo das massas — exatamente o arranjo que todo mundo venera — levaram a isso.  Não há por que reclamar e nem há o que se estranhar.

Fonte: Instituto Ludwig von Mises

NOTA: Não diria que "a democracia... levou a isso", que vemos hoje, essa insidiosa relação entre povo e governo. Penso como Churchill, ex-Primeiro Ministro Britânico, que (parafraseando-o) a democracia não é perfeita e está longe do ideal, mas realmente é pior sem ela. Penso que é a forma de nos comportarmos democraticamente que está errada, pois vejo-a como uma mescla de auto-alienação imposta pelo próprio povo, que, realmente, gosta de ser "mimado" pelo governo. Isto está claro nos meios universitários, principalmente no âmbito federal. Ora, se a nossa suposta "elite intelectual" está sendo preparada, há décadas, para que nosso sistema seja, efetivamente, um sistema doutrinador, é impossível que  não caiamos em uma situação como a que nos encontramos hoje, no Brasil. Creio que esta situação, contudo, pode e deve ser resolvida pelo mesmo viés da democracia... ou seja, a sujeira pode sair, sim, pela porta por onde entrou. 

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