Há alguns meses, a rede Globo iniciou uma campanha contra blogs independentes de direita no Brasil. O alvo principal era o Ceticismo Político, de Luciano Ayan, que reproduziu informações da Folha de São Paulo e do próprio O GLOBO. A Globo acusava o blogueiro de "Fake News". Meses mais tarde, a mesma emissora volta a falar de Luciano Ayan, desta vez com o profissão repórter. Carlos Afonso, responsável pelo pseudônimo, gravou a entrevista inteira e destruiu a Rede Globo e suas mentiras.
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sexta-feira, 20 de julho de 2018
Por essa a Globo não esperava (VÍDEO)!!
O TRECHO DA ENTREVISTA QUE FOI CORTADO DA REPORTAGEM DA GLOBO NO "PROFISSÃO REPÓRTER"
Há alguns meses, a rede Globo iniciou uma campanha contra blogs independentes de direita no Brasil. O alvo principal era o Ceticismo Político, de Luciano Ayan, que reproduziu informações da Folha de São Paulo e do próprio O GLOBO. A Globo acusava o blogueiro de "Fake News". Meses mais tarde, a mesma emissora volta a falar de Luciano Ayan, desta vez com o profissão repórter. Carlos Afonso, responsável pelo pseudônimo, gravou a entrevista inteira e destruiu a Rede Globo e suas mentiras.
Há alguns meses, a rede Globo iniciou uma campanha contra blogs independentes de direita no Brasil. O alvo principal era o Ceticismo Político, de Luciano Ayan, que reproduziu informações da Folha de São Paulo e do próprio O GLOBO. A Globo acusava o blogueiro de "Fake News". Meses mais tarde, a mesma emissora volta a falar de Luciano Ayan, desta vez com o profissão repórter. Carlos Afonso, responsável pelo pseudônimo, gravou a entrevista inteira e destruiu a Rede Globo e suas mentiras.
É não ou é?
MINISTRO DO STF, GILMAR MENDES, QUER PUNIÇÃO CONTRA PROMOTOR QUE O CHAMOU DE "MAIOR LAXANTE DO BRASIL"
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), apresentou queixa-crime contra o promotor Fernando Krebs, do Ministério Público Estadual de Goiás. Em junho, ele disse que o magistrado era “o maior laxante do Brasil”, referindo-se aos habeas corpus que Mendes concede.QUALIDADE
O ministro pede que Krebs seja condenado por injúria e difamação qualificada, cuja pena chega a dois anos de prisão, com afastamento do cargo. O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) já apura se o promotor cometeu infração disciplinar.
OUTRO LADO
Krebs não foi encontrado até o fechamento da coluna para comentar.
Leia a coluna completa aqui.
"Trisal" ("casal de três pessoas) se muda do Brasil para reconhecimento de "união estável"
No campo “Filiação” da certidão de nascimento de campo “Filiação” da certidão de nascimento de Maria Luiza, 6, consta o seguinte: “Luiz Carlos Flaquer Rocha, natural de São Paulo, Rafael Chagas Pereira Lopes, natural de São Paulo, e Kelly Carla da Silva, natural de São Paulo”. Logo abaixo, no campo “Avós”, há seis nomes.
Maria Luiza tem uma mãe e dois pais, tudo registrado. Juntos há 11 anos, eles reuniam documentos para registrar em cartório a união estável a três quando o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) proibiu a lavratura do documento, no último mês. Agora, mudaram-se para o Uruguai, onde esperam encontrar uma sociedade mais aberta ao estilo de vida que adotaram.
Assim como eles, outras famílias poliafetivas (que vivem nessa configuração de três ou mais parceiros) buscam saídas após a resolução do CNJ.
A resolução não muda a dinâmica na casa de Maria Luiza, diz Rafael. “Não sei se mudaria muita coisa na nossa vida, mas é questão de mostrar para a sociedade que não é bagunça, somos uma família séria. Diziam que não iria durar e já estamos juntos há 11 anos.”
Rafael, hoje um designer de 30 anos, tinha 13 quando começou a namorar Kelly, 31, maquiadora. Aos 15, a menina engravidou e eles foram morar juntos, mas Kelly perdeu o bebê logo depois. Ficaram juntos até os 18 e, depois de uma briga, se separaram.
Daí Luiz Carlos, 42, entra na história. Ele já fazia parte do grupo de amigos do casal e se aproximou mais de Rafael. Começaram a namorar e a relação durou um ano e meio, mas era incompleta, diz Rafael. “Eu pensava: “Tô junto, mas tá faltando alguma coisa.” Depois de uma briga com Luiz, Rafael voltou para Kelly.
Ele ainda tinha uma viagem a trabalho marcada com Luiz a negócios para a Bahia, em 2007, e se envolveram novamente. “Eu disse: escondido eu não aceito”, conta Luiz. “Comprei uma passagem e falei: Kelly, pega um avião, não avisa para ninguém, vem para a Bahia e a gente conversa.”
Rafael achou “maluquice, isso não existe. É loucura. Ela nunca que vai aceitar uma loucura dessas”, lembra-se.
Mas Kelly foi, mesmo sem saber o porquê. Em Salvador recebeu a proposta de manterem um relacionamento a três. “Andamos do Farol até o Rio Vermelho [cerca de 5 km], conversando e combinando como seria, como se fosse um pré-contrato. É para não haver briga. Se já é difícil a dois, um namoro a três é pior ainda”, conta Luiz.
Toparam. Passaram dois meses na Bahia e voltaram a São Paulo dispostos a viver aquela vida. “No começo é estranho, a sociedade estranha. Tivemos forte rejeição familiar dos dois lados masculinos.”
Mas resistiram. Há sete anos, depois de muito planejamento, veio a notícia de que Kelly estava grávida. De um dos dois biologicamente, mas dos dois afetivamente. Decidiram não fazer exame de DNA. “No parto, até o diretor do hospital foi conhecer a gente”, interessado por aquela família de dois pais e uma mãe, conta Luiz.
Na impossibilidade de registrar os dois como pais, a certidão de nascimento da menina tinha até este ano apenas o nome da mãe. O CNJ admitiu a inclusão de mais de um pai no documento em novembro passado. Há dois meses, a família corrigiu o documento para os três nomes. Depois, tirou o RG no Poupatempo.
Maria Luiza não foi estudar em escola pública. “A gente não conseguiria se impor, preferimos procurar um colégio particular, onde pudéssemos explicar a situação. Chamamos uma reunião com os professores e nos apresentamos. Deu tudo certo, são todos cuidadosos”, conta Luiz.
“No dia dos pais, a professora manda duas lembrancinhas para casa. Manda recado na agenda quando há uma atividade no livro que pede para desenhar o pai e a mãe. Nunca permitiram que se criasse nenhum constrangimento.”
A família planejava firmar a união em cartório. “Tínhamos feito um contrato particular, prevendo união parcial de bens, como um casamento, mas tiraríamos a união estável. Para mim, foi uma tristeza. Prova que o Judiciário é falho, não está atento”, diz Luiz.
“Seria só para formalizar, não muda nada no meu estilo de vida”, diz Kelly. A mudança para o Uruguai já estava no radar, mas foi encorajada depois da resolução do CNJ. “Já pensávamos em ir, foi o empurrão que faltava”, diz Luiz.
A legislação do país, como a brasileira, proíbe que uma pessoa casada se case novamente com outra pessoa, mas não fala sobre união estável.
Audhrey Drummond, que vive há 11 anos com Eustáquio Generoso e Rita Carvalho em Belo Horizonte, família que a Folha mostrou em 2016, pretende se reunir com outras famílias poliafetivas e acionar a Justiça contra a resolução.
“Não somos família, então o que somos? Colegas de trabalho?”, questiona ela.
“O Eustáquio tem 60 anos. A Ritoca, 47. Eu, 51. A gente está na segunda metade da vida. O documento é uma forma de a gente se resguardar para o futuro. Não faz sentido o Estado se intrometer na vida das pessoas. Nenhum direito que a gente possa vir a pleitear vai lesar alguma instituição. Se um de nós falece, a pensão do INSS não vai ser dobrada, vai ser dividida. É uma coisa exclusivamente nossa, ninguém perde nada com isso”, reclama.
A tabeliã Cláudia Domingues, que fez as primeiras uniões estáveis do tipo no país, inclusive a da família de BH, e cuja atuação ensejou a discussão no CNJ, diz que vai seguir a nova resolução: “Estou restrita às normas do CNJ. Se ele diz que não pode, não pode. Eu sou tabeliã, parte absolutamente desinteressada”, diz.
“Essas pessoas já vivem assim, não precisam de mim nem da Justiça nem de nada. Mas agora recebo muitas ligações de famílias inseguras. Eu digo que elas podem fazer um documento particular, como um contrato, ou procurar a Justiça e discutir o direito de usarem um documento público”, afirma Domingues.
Segundo ela, a decisão do CNJ não revoga as escrituras já lavradas —para isso, seria necessário decisão judicial.
A resolução que proíbe a lavratura de uniões estáveis poliafetivas foi tomada após pedido de providência da Adfas (Associação de Direito de Família e das Sucessões) à Corregedoria Nacional de Justiça.
A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ, ressalvou que a decisão diz respeito só aos cartórios.
“Não é atribuição do CNJ tratar da relação entre as pessoas, mas do dever e do poder dos cartórios de lavrar escrituras. Não temos nada com a vida de ninguém. A liberdade de conviver não está sob a competência do CNJ”, disse.
A Adfas chama a lavratura da união estável de “institucionalização da poligamia”.
A associação afirma que expressões poliamor ou poliafeto suavizam o verdadeiro conteúdo de relações extraconjugais ou mancebia, com o enganoso objetivo de transformá-las em entidades familiares.
“Isso significa atribuir direitos de família e sucessórios à relação formada entre três ou mais pessoas, seja ou não consentida, propondo-se que a amante ou o amante tenha direito à pensão alimentícia e possa, ainda, requerer reparação dos danos morais e materiais que o amásio ou a amásia lhe tenha causado.”
“Tudo marcado por oportunismo sexual e financeiro. Trata-se da monetarização do afeto”, diz a entidade.
A Adfas critica também a “multiparentalidade” e afirma que isso é “incentivo ao ócio, porque se um jovem tem duas fontes pagadoras de alimentos (pai e padrasto, por exemplo), por qual razão esforçar-se-ia a trabalhar?”
LEIA TRECHOS DO ACÓRDÃO DO CNJ
“Uniões formadas por mais de dois cônjuges sofrem forte repulsa social e os poucos casos existentes não refletem a posição da sociedade acerca do tema”
“Situações pontuais e casuísticas (...) não possuem aptidão para ser reconhecidas como entidade familiar”
“Futuramente, caso haja o amadurecimento da ‘união poliafetiva’ como entidade familiar na sociedade brasileira, a matéria pode ser disciplinada por lei destinada a tratar das suas especificidades”
“O fato de os declarantes afirmarem seu comprometimento uns com os outros perante o tabelião não faz surgir nova modalidade familiar e a posse da escritura pública não gera efeitos de Direito de Família para os envolvido”.
Fonte: Folha
NOTA - Os "desacaminhos" que trilham nossa sociedade atual. Este tipo de bizarrice matrimonial tem por único objetivo a desestruturação do modelo civilizacional atual e, posteriormente, a reconstrução de outro, que vem sendo engendrado há tempos e apresentado aos poucos. A elite que o engendra, todavia, jamais terá em seus círculos um "trisal". Será - escrevam o que digo - muito conservadora em sua estrutura, aliás, será a única que possuirá as famílias nos moldes convencionais. Para o restante, vale isso aí.
sábado, 30 de abril de 2016
Armadilhas da inspiração moderna
As pessoas gostam de coisas estranhas.
Alguns meninos do interior do Brasil gostam de comer barro (de capitais
também); há mulheres que gostam de futebol e homens que gostam de novelas; há
pessoas que gostam de…. nada. Isso mesmo. De
certa forma, nossa cultura contemporânea é, em grande parte, fruto da
melancolia do fim da modernidade. Notável é que, quanto mais melancólicas, mais
algumas pessoas conseguem criar belas artes, cujo impacto cultural não pode ser
mensurado facilmente. Este impacto, contudo, uma vez fruto de um “velho-novo”
hábito artístico nas mentes (pós)modernas, torna-se simultaneamente causa e
consequência daquilo mesmo que o originou. No caso, refiro-me à melancolia
moderna. A expressão maior deste sentimento, muito presente nas vidas e obras
de artistas contemporâneos, é o famoso niilismo, o qual
posso resumir numa inexplicável fascinação pelo nada.
Isso mesmo! O nada, o vazio, o fim absoluto é
justamente o ponto de partida para muitas
obras que, por sua vez, influenciarão mais pessoas a uma maior e mais
abrangente fascinação pelo nada, pelo vazio, pelo fim
absoluto,numa espiral aparentemente paradoxal, onde o nada torna-se, “causa” de algo (que o velho
Parmênides me perdoe!…).
Contudo, creio que posso me redimir ante Parmênides, filósofo
pré-socrático tão avesso à ideia de vazio, do não-ser. Na verdade não é o nada que está causando algo, mas o fascínio pelo nada, o que já é algo. Fascinar-se,
aliás, é essencialmente a mola propulsora que move o escritor, o autor, o
escultor, o pintor, o músico, o ator, enfim, o artista que será a causa
eficiente de uma obra que, dada a genialidade devida, parecerá criar vida
própria, sendo mais do que um mero “porta-voz” de determinado estado de
espírito de quem o(a) criou. É por isso que não devemos subestimar nenhuma
forma de arte que o Homem produz, pois a arte tem essa característica um tanto
mágica, misteriosa, de transmitir mensagens como que por vida própria. E estas
mensagens soam de modos diferentes para pessoas diferentes. Tais diferenças, em
geral, às que me refiro aqui, não são porém de qualidade,
mas de quantidade. Não há, ao meu ver, como alguém pode
extrair felicidade de uma peça feita, criada para destacar morbidez. Sentir
alegria do mórbido é puro nonsense. Daí a
conclusão que me parece óbvia: uma peça mórbida irá provocar
consequentemente mais ou menos morbidez na maioria das pessoas normais,
sendo que esta mesma morbidez, por sua vez, será causa de mais ou menos morbidez de pessoa para pessoa.
Hoje, inspirar é relativamente fácil, se você tiver talento e for
esperto o suficiente para usar os meios necessários de que dispomos –
principalmente os tecnológicos – a fim de fazer conhecidas suas ideias e expor
seu talento. Decidi, então, usar um exemplo qualquer de determinada peça
artística que fosse fruto de alguém ou algum grupo que, certamente, é ou foi
motivo de inspiração para muita gente. Na pós-modernidade o niilismo avançou
com força total, evolução da ideia de mera abstração filosófica dos moldes do
século XIX, para um enlace pragmático avassalador nas letras e performances de
bandas de pop rock do mundo
contemporâneo. Sendo assim, não foi tão difícil valer-me de uma canção dessas
bandas, cuja melodia é envolvente, justamente porque a inspiração moderna está
presente numa elevadíssima intensidade. O resultado não poderia ser outro:
genialidade misturada à melancolia do niilismo que é tão ovacionado por uma
juventude que gosta de curtir a morbidez do vazio (ainda
que em sua maioria desconheça os significados de “niilismo” e “mórbido”). Mas,
como a questão não é semântica e sim de ordem prática, o legado melancólico do
niilismo filosófico do século XIX desembocou como uma avassaladora força
pragmática em uma considerável parcela artística da música do século XXI…….e
você quer um exemplo melhor de arte pragmática do
que um show de pop rock?
A música em questão tem até um título sugestivo, Empty (Vazios), e é da cultuada banda The Cranberries, cuja sonoridade vocal da líder,
Dolores O´Riordan, é uma marca indelével de boa parcela da preferência musical
dos jovens ocidentais. Ei-la:
Empty
Something has left my life
And I dont know where it went to
Somebody caused me strife
And its not what I was seeking
Didn’t you see me? Didn’t you hear me?
Didn’t you see me standing there?
Why did you turn out the lights?
Did you know that I was sleeping?
Say a prayer for me
Help me to feel the strength I did
My identity has it been taken
Is my heart breaking
On me?
All my plans, they fell through my hands
They fell through my hands
On me
All my dreams, it suddenly seems, it suddenly seems
Empty.

Vazios
Algo levou minha
vida
E eu não sei para
onde ela foi
Alguém me causou um
conflito
E não é o que eu
estava procurando
Você não me
enxergou? Você não me escutou?
Você não me
enxergou parada lá?
Porque você
desligou as luzes?
Você sabia que eu
estava dormindo?
Faça uma oração por
mim
Me ajude a sentir a
força que eu sentia
Minha identidade
foi levada
Meu coração está se
partindo
Em mim?
Todos os meus
planos caíram das minhas mãos
Eles caíram das
minhas mãos em mim
Todos os meus
sonhos de repente parecem, De repente parecem
Vazios
Vazios.
Quanta intensidade
para falar do….. vazio! Notou que é sobre isso que a
música trata? Identidade, planos, sonhos….vazios.
Mas, curiosamente, misturada à melodia instrumental e, obviamente, à
performance da vocalista, a música ganha certo sentido! Faz sentido escutá-la, mesmo que ela essencialmente
trate do…..nada! O que sobra, então, senão nada? É aqui que vemos
o paradoxo aparente: nada causando algo. Mas, o paradoxo é só aparente. De fato, algo está causando algo: o sentimento acerca do nada, que, com toda
a probabilidade foi um, senão o maior, motivo de inspiração da canção, e é o
que, na verdade, inspirará outros tantos a divulgarem o trabalho do The Cranberries (o que, diga-se de passagem, já tem
sido feito: o grupo agradece). O que, portanto, torna o feito de uma música de
determinado grupo da Irlanda ser celebrada mundo afora, quando sua mensagem é
basicamente sobre “vidas, planos e sonhos vazios“?
A resposta não pode ser só a letra ou o conteúdo imediato do centro da canção,
muito menos apenas a forma como aquela mesma mensagem vem “embrulhada para
presente”, isto é, o arranjo melódico para os ouvidos de adolescentes e jovens,
homens e mulheres, que com certeza inspirar-se-ão escutando Vazio do The Cranberries.
Ora, mas se a coisa não está presente no conteúdo apenas, ou
somente na forma, onde estaria? Resposta: no legado contemporâneo da melancolia niilista da modernidade,
cujo apelo encontrou sua “galinha dos ovos de ouro” nas pragmáticas
performances dos palcos de bandas de pop rock “deprê”, as
quais, por sua vez, encontram guarida nos corações de adolescentes e jovens
ocidentais, os tornaram-se cultores do niiliismo.
Este perpetua-se, como na canção do Cranberries: ocasionalmente
sendo a principal causa de verdadeiras “obras-primas contemporâneas” .
Opa, espere aí!…. Antes de deduzir se gosto ou não do Cranberries, chamo a atenção para algo para uma
pergunta muito mais importante do que uma simples questão de preferência
mundana. Por quê? Por que há tantos adolescentes e jovens
que juntam-se para ouvir uma bela melodia sobre o nada? Ou por que afastam-se do mundo real e perdem-se
no ilusório encanto que parece ter o vazio? Jovens absortos e cultores do
vazio tornar-se-ão pais, mães, sociólogos, psicólogos, filósofos, professores,
pedagogos não menos entusiastas do mesmo vazio, o qual podemos
chamar de niilismo pragmático, dada a força
com que se propaga, auxiliado pela inestimável contribuição da tecnologia, o
que o faz chegar não só aos recônditos da Terra, como, na mesma proporção, aos
recônditos da alma. À medida em que a cultura do niilismo
pragmático se dissemina, aumenta o nível de inspiração que este
mesmo sentimento quanto ao niilismo causa, o que gerará ainda mais niilismo, ao
ponto de vermos, como temos cansativamente visto, nosso sentimento em relação
ao vazio como uma das maiores fontes de inspiração
para um sem número de adolescentes e jovens filhos da modernidade, tornando-se
infelizmente “a geração do nada”. Ora, se cultuamos de um modo geral o nada, não é necessário ser um Ph.D. em astrofísica para
saber que é muito fácil observarmos que tudo o que advém da cultura do nada encontra espaço proeminente no
campo da inspiração artística (pós)moderna. Logo, o nada passa a ser objeto central de um “culto” (“cultura”, entendeu?) que evocará o vazio para quaisquer
áreas dos nossos sentimentos. Não é sem explicação, por exemplo, que o tema da morte seja tão cultuado nos dias atuais. E
tornou-se, aliás, uma obsessão para muitos pensadores, filósofos do século XX,
os quais tentaram encontrar resposta às suas indagações na serenidade do vazio
incognoscível da morte.
Como um fim inevitável, a morte passou a ser algo, para nós como
sociedade, um assunto que beira a veneração. Voltemos à chamada cultura pop no cinema. Há décadas que não se
celebra a vida, mas a morte, ou, ao menos, as situações ridiculamente
desesperadores em que os personagens de variadas películas, ou perderam suas
vidas ou passaram um bom tempo em situações de iminência da morte. São estas
mesmas situações que fazem com que venhamos a prestar nosso “culto” à determinado filme, e, aqui, digo “culto”
no sentido de “reverenciarmos”. Não me entenda mal, prezado leitor. Não falo de
“reverência” no sentido formal da palavra, mas no sentido prático. Se
desprendermos horas e horas anuais para assistirmos fugas eletrizantes, tiroteios inimagináveis, destruições
apocalípticas, mortes nos mais elevados graus de criatividade, associando isso
tudo a vampirismo, licantropia (ou “lobisoinismo”..rs), bruxaria e suas
evocações de mortos, além da moda do momento, zumbis, então
podemos afirmar que a indústria da 7ª Arte entendeu
que, não somente reverenciamos a morte – e tudo o que ela filosoficamente
representa -, como estamos dispostos a pagar montanhas de dinheiro para nos
aproximarmos dela e do quanto ela nos fascina.

Você, prezado(a) leitor(a), talvez ainda não tenha feito todas as
associações sugeridas neste breve texto; mas, de tudo o que foi dito, gostaria
de que meditasse na assertiva que tentei defender, ao longo do texto, ou seja,
que este legado moderno influenciou muitos e os mais variados
aspectos de nossa cultura: da política às relações intrafamiliares,
o niilismo pragmático inspirou ideias que, a médio e longo prazos, dividiriam
reinados, destruiriam nações (vide a histórias nas nações politicamente
niilistas, como as comunistas), ceifariam milhões de vidas e que, por fim,
alastrar-se-iam por todo o hemisfério ocidental, agarrando-se à alma do jovem
contemporâneo para fazê-lo “curtir” a condição de estar perdido dentro de si
mesmo. O niilismo é uma espiral sem fundo que surge diante da consciência
humana como uma armadilha mortal. Os que nela caem, a princípio não se
machucam, mas, curiosa e estranhamente, veem-se diante de uma espécie de poço sem
fundo, no qual, durante a queda, desapercebidamente passamos por uma infinidade
de outras armadilhas.
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